Vou Fazer um Pedido!

Espere a noite chegar. Vá para a janela mais próxima. Feche os olhos. Torça para que uma estrela cadente esteja passando naquele momento. Faça um pedido. Bem, isso ainda não funcionou comigo, porém, deu certo com o personagem de Mark Wahlberg no excelente filme “Ted”. Um menino solitário, excluído do grupo de amiguinhos da rua, ganha um ursinho e fica feliz da vida com o presente. Antes de dormir, o garotinho, abraçado com o seu ursinho, deseja que o mesmo seja seu eterno amigo, como que o "convidando a viver". No momento em que o pedido é realizado, bem na noite de Natal, uma estrela cadente cumpre seu propósito. E pronto! Na manhã seguinte, Ted deixa de ser um ursinho de pelúcia, para ser o melhor amigo de Mark! O filme poderia cair no ridículo, sem sombra de dúvidas. A começar pela proposta. Imagina, em pleno século XXI, contar uma história baseada num desejo de um menino carente e na vida de um ursinho de pelúcia? Um candidato eterno para a "Sessão da Tarde".

Porém, o que poderia ter sido um fracasso, foi um enorme acerto. O diretor é também o autor do filme. Aliás, ele também é o dublador do ursinho e, convenhamos, ele está impecável em todas as suas atribuições. O tom sarcástico do "bonequinho falante" é impressionante! O roteiro é preciso, deixando a comédia leve e ácida. E a direção consegue nos fazer crer em cada cena, como se o ursinho realmente estivesse ali, mais vivo do que nunca! E quem é o responsável pela direção, pelo roteiro e pela dublagem? Seth MacFarlane! Para quem não o conhece, Seth é também o criador de algumas famosas séries de animação americanas (como "Family Guy" e "American Dad") e é considerado o roteirista mais bem pago dos EUA na atualidade.

Palmas, também, para a direção de arte! Afinal, tudo em "Ted" é real demais. E o filme lucra, e muito, com o preciosismo dos responsáveis pela arte. A transformação nas feições do ursinho quando o mesmo “ganha vida” são impressionantes. A película já seria fantástica apenas com o seu pequeno protagonista de pano. Porém, conta com o já citado – e sempre lindo – Mark Wahlberg que desempenha seu papel de forma brilhante. Vale lembrar que não deve ser fácil contracenar com "nada". Seth MacFarlane estava sempre presente no estúdio e "dublava" as cenas enquanto Mark atuava com um ursinho que seria incluído digitalmente depois das gravações. Sendo assim, Mark apenas dialogava com Seth... Porém, ao assistir o filme, é impossível perceber que Ted não está ali e que, apenas depois da gravação, é que o ursinho foi digitalmente incluso. Truques da modernidade que conferem credibilidade e asas aos sonhos de muitos diretores bem intencionados. Não podemos esquecer de Mila Kunis que faz o papel de namorada de Mark. No filme, Mila está chateada, pois, seu namorado não consegue "crescer" e assumir responsabilidades. E ela culpa a existência de "Ted" por isso. Mila mostra mais uma vez que é uma atriz de potencial, extremamente bonita e talentosa. Talvez, este papel não tenha conseguido utilizar toda a sua versatilidade, a qual podemos contemplar melhor em "Cisne Negro". De qualquer forma, estou certa de que Mila tem futuro e de que ainda escreverei muito sobre ela. Para os nerds de plantão, o filme é "um prato cheio"! Diversas citações ao mundo geek são feitas no filme. Identifiquei-me demais com o protagonista. Nossos celulares têm o mesmo toque: a "Marcha Imperial", música tema do filme "Star Wars", composta por John Willans e que coroa as fantásticas cenas de um dos maiores vilões do cinema mundial, Darth Vader. Para quem curte boas tiradas sarcásticas em um filme de humor inteligente, vale o ingresso. Vale também ver o maravilhoso Ryan Reynolds num papel de homossexual – com direito a beijo gay! Vi, inclusive, algumas meninas no cinema revoltadas com a cena – e, é claro, ri a respeito! E, por último, vale rever o ator Sam J. Jones, que interpretou "Flash Gordon" na década de 1980. O filme, à época, foi terrível, eu concordo. Entretanto, hoje tem um certo apelo "cult" e é venerado por muitos nerds. As cenas com Sam são hilárias e emprestam ainda mais leveza à película. E da próxima vez, quando a estrela cadente passar, meu pedido será: "Eu queria que existissem mais comédias boas e inteligentes como essa"! O gênero, com certeza, estaria a salvo!

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