Uma Dúzia de Camisas de Vênus

É sempre a mesma dificuldade. Quando falamos desse Consorcio de Transportes, o tal do Oceânico, que é composto de três empresas, (mas a maioria dos ônibus pertence à Viação Pendotiba), é sempre problema; além de outros, e outros problemas. É uma estrutura viciada, cheia de entraves inexplicáveis, de inclui corrupção, cooptação políticos, incluindo o atual prefeito, que já foi até preso com os donos dessas empresas, e uma política de relações trabalhistas da pior espécie.


É mais um capítulo dos desmandos nesse município e que parece não ter fim. Até um simples episódio de esquecer uma sacola plástica de farmácia, com um complexo vitamínico, dois respiradores Vick e um pacote com 12 preservativos sexuais, torna-se uma amostra da desonestidade, falta de controle e organização desse “Consórcio”.

Peguei o 38 A no Centro da cidade. Estava cheio (inclusive contrariando as normas de segurança da pandemia) e parecia que era o único ônibus disponível na linha. Fiquei no ponto esperando uns 40 minutos e levou uma hora e meia para chegar em Itaipu. Veio parando para pegar e soltar passageiros em todo trajeto, Realmente parecia o único carro rodando naquela hora, e que não era tarde. Quando peguei o ônibus eram sete horas e pouco. Vim imprensado por quase todo trajeto. Quem senta ao lado do corredor sofre. Tem sempre uma mochila roçando no rosto, alguém se esfregando... É um horror! Quando chegamos ao final do Engenho do Mato já não havia mais passageiros. Tinha uma senhora sentada num dos últimos bancos perto da porta de descida e eu no primeiro banco após a roleta. Toquei para descer (era o último ponto do Engenho do Mato) em frente ao Posto de Saúde. O telefone tocou. Atrapalhei-me e desci sem levar as minhas compras da farmácia. Logo que desci percebi o esquecimento. Moro perto e liguei para minha mulher para viesse com o carro para ir atrás do ônibus. Ela não demorou nem cinco minutos. Fomos pela estrada até o ponto final em Itaipu. Tinha alguns ônibus parados e me dirigi ao despachante. Ele me assegurou que o último carro 38 A já havia retornado para a garagem em Várzea das Moças. Segui pela Avenida Central verificando todos os ônibus (verdes) do Consórcio Oceânico. Já na garagem fui informado que seria impossível saber qual seria o ônibus que teria ficado com a sacola. Disse-me o segurança que este pacote somente seria achado na revista noturna, quando os carros são higienizados. Que eu ligasse após as seis da manhã que já teriam encontrado o “pacote”. Fiz isso às 06h30minh. Ouvi como resposta que nada havia sido encontrado em todos os ônibus, mas, que ainda teria uma chance de achar, pois um dos faxineiros tinha ido embora mais cedo e ele poderia ter “guardado” em outro lugar... Liguei mais três vezes em horários diversos. Nada apareceu. Fico pensando em outros perdidos como são encaminhados. Se no “pacote” não tiver nada interessante, até pode ser devolvido. Mas, vitaminas caras com uma dúzia de preservativos sexuais... Fica difícil reaver, considerando a política moral interna da empresa. Se eles se apoderam de dinheiro público sem o menor escrúpulo, qual o incentivo moral teria um funcionário faxineiro para devolver um saco de produtos tão úteis? O sujeito vitaminado, com as vias aéreas desobstruídas pelo Vick, tem mais é que usar vigorosamente os preservativos sexuais. Prova apenas que o exemplo que é dado em cima serve de base de comportamento nos funcionários abaixo.

Pobre Niterói refém das Viações Ingá e Pendotiba, onde tudo acontece e nada se resolve. É mesmo caso de polícia.