Um Panorama da Eleição para Prefeito

Fiquei ao longo desta campanha para prefeito de Niterói como um observador. O nosso jornal não abraçou qualquer candidato e como todos podem notar, a até talvez por esta razão, não recebemos um só anúncio de nenhum dos candidatos. A nossa posição de imparcialidade hoje nos credencia a fazer qualquer análise desapaixonada. Confesso que não gosto do que vejo e como observador, modéstia parte, experiente em eleições, sinto que a tendência do segundo turno, (que provavelmente haverá) poderá descambar para uma campanha de agressões e com riscos de descer o nível a tal estágio que irá, não só desgastar os candidatos e aliados, mas, vai confundir e revoltar o eleitor.

Na semana passada assisti a um debate de péssimo nível no Colégio Itapuca,promovido pelo Conseho Comunitário da Região Oceânica. As “torcidas organizadas” impediam que os candidatos falassem, especialmente o candidato Felipe Peixoto, que chegou a sofrer hostilidades verbais na chegada e na saída do local. Uma cena definitivamente antidemocrática e próxima do que se diz: “querem ganhar no grito”. Nesta semana, na Universidade Cândido Mendes, participei de um debate, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas em parceria com a Universidade, tendo como mediador o jornalista Sidney Resende, que conduziu com maestria todos os trabalhos. Foi o mais bem organizado debate de toda temporada eleitoral, onde não foi permitido a entrada das tais “torcidas organizadas”. Este procedimento facilitou muito a condução, restando um ou outro ensaio de atividade de torcidas, sendo neutralizadas imediatamente pelo pulso firme do mediador.

Neste cenário foi possível avaliar bem o “desenho da campanha eleitoral”. Cada um se mostrou com suas habilidades e dificuldades, onde não houve tempo para “atendimento de socorro” das assessorias. Pelo discurso individual e a prática repetida em outras ocasiões, dá para se ter um panorama e reflete  mais ou menos o que dizem as pesquisas. Existe uma clara polarização entre Felipe Peixoto do PDT e Rodrigo Neves do PT. O Sergio Zveiter ainda tenta uma realocação nesta disputa, e embora possa recuperar alguns pontos percentuais, acho difícil ultrapassar um dos dois mais bem colocados nas pesquisas. Salvo, algum fato novo, a eleição para o segundo turno já se estabeleceu. Apesar disso, neste debate da Candido Mendes, se tivesse que apontar um vencedor, diria que venceu o Flávio Serafini do PSOL. Ele faz uma manobra retórica sem agressividade, mas, bate em pontos nevrálgicos dos três melhores colocados, o Felipe, o Rodrigo e o Zveiter. Não chega a ser contundente, mas, momentaneamente descostrói o discurso eleitoral destes candidatos que têm (os três) a mesma raiz, guardando-se as devidas proporções e origens. São todos apontados como “obras do Jorge Roberto Silveira”.  Cada um tem uma peculiaridade, e por incrível que pareça, o mais próximo, discípulo e admirador de Jorge Roberto é o Rodrigo Neves; daí entender-se a razão obstinada e maníaca do candidato do PT em perder 90% do seu tempo atacando o Jorge Roberto ou a sua obra, deixando de apresentar propostas concretas. Na realidade no discurso do Rodrigo Neves a inconsistência é a sua maior característica ou talvez não tenha nada para acrecentar. As propostas que apresenta são chavões daquilo que todos já sabem, como melhoria do trânsito, saúde e segurança. Ou se apossa de propostas do Felipe Peixoto, como é o caso do uso de bicicletas na cidade, que é sabidamente um projeto do Felipe desde quando era vereador. Não tem nada novo, propositivo, criativo... Ele repete, como se pudesse mudar a história, a sua proteção do governo Federal e Estadual. Entretanto, é deputado há oito anos e pode se questionar: o que trouxe de real para cidade destes governos durante todo este tempo? Além de um discurso arrogante e eleitoreiro, só abriu espaço para seus mandatários, especialmente o governador Sergio Cabral, que o utiliza como espécie de “megafone avançado”. Se não olharmos para  figura do Rodrigo, teríamos a certeza que é o Sergio Cabral que está falando. Rodrigo teve nesta eleição a sua maior chance de ser prefeito de Niterói. Tem recursos de sobra (ultrapassa a todos) a ponto de estar incomodando e tendo problemas com o Tribunal Regional Eleitoral, por diversos abusos de práticas eleitorais fora das normas. Não sabe usar o que tem. Mesmo assim, o Felipe Peixoto, com parcos recursos, encostou em níveis de igualdade na disputa. Para Rodrigo nada adianta colocar o ex presidente Lula na TV para pedir votos para ele. Neste momento, o presidente está em baixa e fatos vão aparecendo explicitamente sobre aquilo que todos suspeitavam. Definitivamente o Lula hoje não é um bom cabo eleitoral.  Principalmente após as acusações do Marcos Valério que Lula era o chefe do esquema do mensalão e desviou 350 milhões. A oposição ensaia um pedido de denúncia contra o Lula, o que não é impossível acontecer. Já surgem estórias adormecidas de outros episódios, como o caso do BMG, que Lula teria beneficiado suspeitamente, mais e mais... O Felipe Peixoto faz uma campanha atípica, do seu jeito e sem grandes artifícios. Ele é leve e assim caminha, mas, será preciso na reta final, ser mais flexivel e menos refratário a orientação de pessoas mais experientes. Comporta-se, ao meu ver, de forma equivocada em caminhar sozinho. Esta postura poderá ter um preço impagável. Ele não nega que é do PDT, mas está caminhando a revelia de lideranças do partido, talvez preocupado em que “não colem” nele pessoas do governo atual  que sofreram desgaste. Ele tenta se desvencilhar das imagens, mas não dá respostas precisas nestas questões. É simples: quando for questionado se vai ou não manter A,B,ou C no seu governo, deverá ser mais explícito, desde que nesta disputa eleitoral ele caminha sozinho, como uma espécie de “O Incrível Exército de Bracaleone”. Se não está atrelado a estas pessoas, porque vai pagar o ônus de supostamente tê-las como “mantenedores”? Deve rasgar o verbo e já que não usufrui das benesses, não deve carregar o “andor pesado”. Só espero que neste segundo turno a eleição não vire uma guerra, com o PT do Rodrigo e seus comandados, utilizando aquelas práticas, compreensíveis em São Bernardo, nos tempos do PT dos metalúrgicos. Tumultuavam e queriam ganhar no grito. Este tempo já passou... Estamos na fase da “esquerda caviar com champagne”. Que se comportem como cavalheiros educados e ordeiros. Se for possivel...

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