Um Equivoco Atrás do Outro

Todos sabemos das dificuldades existentes para governar um país vindo de governos corruptos e aparelhado. Sabemos da oposição profissional, que faz um inferno por hora. Mas, convenhamos, a falta de inteligência emocional do presidente fomenta o conflito e lhe retira apoios importantes. Não dá para governar e pensar com o fígado. É preciso controle das emoções primárias; é o mínimo que se pode esperar de um estadista. Bolsonaro não é conciliador e se alimenta do conflito. Tudo bem... O Brasil vinha tão mal e tão espoliado que somente alguém com força bruta e a rudeza de um arado poderia enfrentar este descalabro moral e institucional que vive a nação.

Entretanto, é preciso separar as matizes e qualidade dos grãos no mesmo cesto para não correr o risco de jogar fora sementes de imensa qualidade e tão necessárias.

Esta semana, por medida provisória (905 -2019) revogou a obrigatoriedade de registro para atuação profissional de algumas categorias, e incluiu a de jornalistas. Manteve apenas o registro das classes que possuem “conselhos profissionais, como OAB para advogados, CRM para médicos, CREA para engenheiros e outros similares.

Nessa faina de atingir alguns jornalistas, pegou a classe inteira, incluindo os bons e isentos de picuinhas partidárias. Ao fazer isso, acreditando desqualificar a profissão, somente contribuiu para alimentar a banda podre do jornalismo sem qualificação, oportunistas sem nenhuma formação, e que nas sombras da precariedade da profissão trabalham para seus propósitos, quase sempre escusos, usufruindo de benesses

do poder, do dinheiro fácil (sempre sujo), do oportunismo sem bandeira, na maior e mais deslavado cinismo. Se o governo Bolsonaro quisesse a moralização da profissão, deveria endurecer, aumentar as exigências para o exercício da profissão, para assim criar filtros e peneirar essa corja que adentrou a profissão há muitos anos. Em qualquer profissão, existem os maus profissionais, sejam advogados, médicos, engenheiros, professores, etc. Os canalhas sempre existirão, cada um usando das suas armas próprias. É da espécie humana. Até curandeiros como o monstro de Abadiânia, tem suas armas e artimanhas. O Roger Abdelmassih, depois de usar suas artimanhas, violando centenas de mulheres utilizou as armas da sua profissão. E um canalha como este não é referência para classe médica. Assim como jornalistas verdadeiros jamais serão contaminados por estes sub canalhas do jornalismo.

O jornalismo por depender habilidades intelectuais, pode enganar a muitos, defendendo que não é preciso formação, desqualificando os capazes, para nivelar por baixo e tirar proveito desse caldo esculhambado, como se todos fossem iguais. Não é assim! Bolsonaro por equivocar-se plenamente tampa o pote de maneira tosca igualando todos, para aplacar sua ira contra aqueles que maldosamente atacaram. A prova disso é a aversão por ciências humanas, principalmente aquelas que pensam e avaliam diferenças sociais e políticas como os sociólogos. Eles também foram desclassificados, pela crença tacanha que todo sociólogo é comunista. Verdadeiro equívoco, e muito grosseiro.

Sou o presidente do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro. Não me sinto superior e nem tenho a intenção de tornar-me juiz da classe. Mas, posso dizer que por toda correção que me impus todos estes longos anos, tenho autoridade moral para estabelecer limites, embora não possa evitar que tantos cometam desmandos, falcatruas, chantagens e crimes contra a honra da pessoas. Mas, jamais estarei omisso e nem compactuarei com qualquer tipo de safadeza.

Sei que existem “jornalistas” que não passam de meleques de recado, de chantagistas, que somente procuram podres de políticos e empresários, não para denunciar para regulação moral, mas, para usar como meio de extorsão e obtenção de benefícios próprios, acomodando-se em cargos e lavando dinheiro sujo. Mas estes não são os bons jornalistas. Os bons existem aos milhares. Gente séria e aguerrida, que nada tem a ver com estas bandalhas e estão sempre do lado da verdade. Conheço muitos.

Em compensação, no mundo da internet, onde todos acham que é “terra de ninguém”, qualquer rato de esgoto, arvora-se e apresenta-se como jornalista, e montam suas arapucas devassas, para extorquir e achacar quem mais vier. São os blogs sujos a serviço de quem der mais. Isso sim deveria ser regulado e combatido. Retirar a obrigatoriedade do registro profissional de uma classe, somente por “não possuir um Conselho” é regular por baixo. Vai aumentar a o grau de penúria e desqualificação de uma nobre profissão.

É preciso deixar que a classe se auto regule e até possa expurgar esses aventureiros que se apresentam como profissionais, que são incapazes de escrever um texto de dez linhas, sem cometer cinqüenta erros de concordância e grafia. É tão simples. Basta mandar escrever para que toda farsa apareça.

Mas, por instintos beligerantes o governo se lança nessa cruzada anti-jornalismo, como se todos fossem iguais. Com esta infeliz medida provisória eles estão alimentando a desordem e aumentando o contingente de escroques profissionais, travestidos e disfarçados de jornalistas.

Os jornalistas de bem estão todos ressentidos e atentos. Fomos colocados num saco, com outras profissões, indiscriminadamente, e com todo respeito aos lavadores e guardadores de carros, não podemos aceitar as mesmas regras para todos. Temos um trabalho intelectual, que demanda saber e correção. Não é uma atitude automatizada com lavar carros. Todos estes artifícios me cheiram a maldade ou burrice.

Esperamos, e vamos lutar, para que o Congresso derrube esta infeliz medida provisória.

Atentos seguiremos sem entregar a honra. Podem crer!

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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