UFF e Prefeitura. Quem Está com Razão?

Duas obras e uma polêmica. Dois dirigentes importantes fizeram um acordo que foi rompido, e ambas as partes dizem que partiu do lado contrário. O prefeito Jorge Roberto Silveira e seu aliado de primeira hora no episódio do Morro do Bumba, reitor da UFF, Professor Roberto Salles, se contradizem. Enquanto os dirigentes fazem acordos em separado e sem consultar seus pares e os principais interessados, a população observa desorientada e surpresa a cada capítulo da estória, que se não tem culpados, quem seria o responsável?


Pelas informações confidenciais que tivemos, o embrólio entre a prefeitura de Niterói e Universidade Federal Fluiminense, começa com um acordo entre o prefeito Jorge Roberto e o reitor Roberto Salles. Neste acordo, a Uff daria início a obras das suas novas instalações, que são 20 prédios, num total aproximado de 120.000M2; em troca a prefeitura construiria a via Orla, e a continuidade da Avenida Cem. Tudo informalmente num acordo de cavalheiros.

As entidades, como Conselho Universitário, SINTUFF, ADUFF e alunos, através do DCE, foram contra a abertura da nova avenida de contorno, que num determinado trecho passaria por dentro do Campus  Universitário e que teria que desalojar alguns moradores. Houve resistência em pareceres de urbanistas que alegam que a destinação da avenida é inadequada, visto que privilegia o transporte individual de automóveis ao invés de priorizar o transporte de massa, prática usual nas grandes cidades do mundo.

Criado o impasse, a prefeitura, que havia autorizado o início das obras sem uma licença formal e sem o estudo de impacto de vizinhança, sentindo que haveria resistência a construção da Avenida, retaliou embargando as obras da UFF, exigindo o estudo de impacto e a formalização da licença específica. A Universidade preparou o estudo, apresentou, e a prefeitura finalmente aprovou. Com isso as obras da UFF prosseguem.

Entretanto, a prefeitura insiste na continuidade do projeto da obra da avenida 100 e  Via Orla, alegando que a Universidade não pode romper o acordo e que a obra é essencial para a cidade. Para sua execução, alguns antigos moradores terão que ser desalojados e existem até quem já fez acordo para sair. O curioso é que o Caminho Niemeyer era prioridade total e que nada poderia macular a sua imagem. Entretanto, a prefeitura aprovou um projeto de várias torres de apartamentos, que fere a paisagem e a tão decantada imagem do Caminho Niemeyer. Esta mesma obra foi recentemente denunciada por ter avançado na caixa de rolamento, embora “pequenos lapsos eventuais” não seja objeto de questionamentos da prefeitura, que ao aprovar obras desta monta, não costuma criar embaraços ao “bom andamento” dos construtores, que ao que parece, tudo podem.

Tivemos acesso à cópia de um documento assinado pelo reitor Roberto Salles, membros do Conselho, estudantes e até mesmo pelo responsável pelas obras da Universidade o veterinário Marcio Ronconi, onde foram firmados diversos acordos, incluindo a paralisação da Via Orla; e que a Reitoria se comprometeria a se posicionar contra o desalojamento de moradores e que não cederá um milímetro de seus terrenos para a construção da Via 100.

Na opinião do Pedro Rosa Coordenador do SINTUFF, estas vias, Orla e a Cem, não contribuem em nada para melhoria da condição urbana da cidade e nem beneficia a Universidade Federal Fluminense, colocando o objetivo desta obra em suspeição, com gastos “indevidos e mal aplicados”. Disse:” fomos contra desde o princípio, suspeitamos da existência de uma portaria do MEC que estaria  doando estas áreas à prefeitura, e descobrimos que ela não existe!”

Procuramos insistentemente a secretária de Urbanismo, engenheira Cristina Monerat, que por razões diversas, não pode dar declarações, pedindo que nos encaminhássemos à assessoria de Comunicação da Prefeitura. Discordamos em falar com assessores de imprensa, visto que o que desejávamos era um parecer técnico e afirmações concretas sobre o futuro destas vias. Ouvimos em separado alguns técnicos da própria prefeitura (omitiremos a identificação por razões de proteção ao emprego destas pessoas) que afirmaram que esta obra é tecnicamente inadequada.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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