Transportes Desumanos

É claro que o problema não é só de Niterói. O Rio de Janeiro enfrenta o mesmo problema; e se formos observar bem, repete-se na grande maioria dos municípios fluminenses, quiçá no Brasil inteiro. O problema é antigo, todo mundo sabe das manobras espúrias nas concessões, o Ministério Público sabe do problema, assim como autoridades da Justiça; além de prefeitos e vereadores. É o velho problema que envolve transportes públicos, especialmente os rodoviários. O grande nó está na “autoridade e arrogância” dos donos das empresas. Parece uma combinação cartelizada. Eles se protegem mutuamente, se associam entre si, fazem os “acordos” em grupo e representam uma corporação de moldes mafiosos. Ter qualquer expectativa de humanidade, consciência social, ou qualquer empatia, é impossível. Todos “rezam” na mesma cartilha, de visão unilateral, de conveniências comuns e o cerne de tudo é único: se dar bem, a qualquer custo, e que se dane o povo, ou quem quer que seja! O caráter de tudo é o mais cruel e desumano que se possa ter notícia. Basta ver o que acontece aqui em Niterói. Mal começou a pandemia e as aulas presenciais foram suspensas, eles imediatamente tomaram a atitude de reduzir drasticamente a quantidade de ônibus rodando, demitiram funcionários e vieram com a mão estendida pedir (ou exigindo) seis milhões de reais, como indenização pelos possíveis prejuízos vindouros. É demais! Qual empresário de outro ramo teria a petulância de exigir indenização pela pandemia? É o máximo da cara de pau! Eles faturam o que querem, fazem um serviço médio-sofrível e sempre cheio de problemas, e as soluções devem sempre vir das prefeituras. Eles se colocam como vítimas e como sempre a relação com as autoridades jamais é republicana. Um mundo de “cambalachos e trambiques cotidianos”. Ficam sempre “cheios de razões” e delírios econômicos. Qual empresa de ônibus no Brasil fez qualquer serviço para social para a população? São bilionários e sovinas. Não colaboram com um centavo para qualquer obra comunitária e a ganância é escandalosa. Todos sabem que com empresários de ônibus, negócios só se forem vantajosos para eles. Até nos acertos das propinas, eles querem levar vantagens absurdas. Se não fosse um negócio tão sujo e rentável como é (principalmente para os corruptos que deles se beneficiam), uma atitude moralizadora já teria sido tomada. Esta situação de “concessões” deveria acabar. Transporte público deveria ser atribuição do Estado. Encamparia tudo, ainda que tivesse que indenizá-los e seria muito mais barato. Esta situação só persiste por interessar aos dois lados. Todo político corrupto defende a manutenção das concessões, pois elas são pontos preferidos para tomarem dinheiro para suas campanhas eleitorais e manutenção dos seus feudos corruptos. E aí reside o pior: como tudo é sujo, os pagadores das propinas ficam cheios de poderes e razões. O que pode um político sustentado e submisso fazer contra o seu mantenedor. Vai virar capacho e “trabalhar” e lamber as botas do seu amo e senhor. E o pior é que estes rapinadores ficam impunes. Vide a última situação que beirou a moralização em Niterói, quando foram todos para cadeia, incluindo o prefeito. O que aconteceu? Viraram vítimas! Alegaram erros processuais, direito de defesa prejudicado, fizeram um “boi com abóbora” do processo, e estão aí. Perguntem se o processo andou? Perguntem sobre a sentença? Não se pode esperar leite de onde só sai lama e sujeira. Continuam arrogantes e insensíveis a desgraça alheia, impunemente! Os governantes criaram estes “feriados compulsórios” para evitar aglomerações e o distanciamento social, que é a única arma disponível no momento, até que tenhamos a população vacinada. Aí, vejam o que fizeram: reduziram a frota mais ainda, para “fazerem economia de pessoal e combustível”! Querem faturar com a desgraça alheia! Quem trabalha em serviços essenciais e precisa de transporte público está vivendo numa grande aglomeração, nos ônibus lotados. Digam-me senhores: o que merecem estes seres cruéis? Nem repetindo um duríssimo castigo diário por séculos, eles pagariam suas dívidas que têm com a humanidade. São abutres travestidos de gente!