Trânsito: Conhecimento e Causa

É do conhecimento de toda população de Niterói o aumento substancial de automóveis na cidade. Este crescimento se deve em grande parte ao aumento de unidades habitacionais, principalmente em Icaraí, que sofre com o maior aumento demográfico por metro quadrado de toda cidade. Para o ano de 2012 há uma previsão de entrega de mais 5 mil novos apartamentos, dos quais 2.200 em Icaraí. Considerando a possibilidade proporcional de um veículo por apartamento, serão mais 5.000 veículos rodando até o final do ano.

Atualmente existem edifícios em construção nas ruas Pereira da Silva, Presidente  Backer, Domingues de Sá, Geraldo Martins,Santa Rosa, Vereador Duque Estrada, Travessa Dom Bosco, Noronha Torrezão, Av Quintino Bocaiuva, Ary Parreira, Mariz e Barros,  Alberto Francisco Torres, Barão do Amazonas, Visconde de Sepetiba, Manuel  Pacheco Carvalho e Alameda São Boaventura. Esta relação de crescimento não é equivalente a abertura de novas vias de acesso, alargamento de ruas e avenidas, assim como a frota de ônibus também não cresceu na mesma proporção.

Com o aumento populacional e de veículos, o acúmulo seria compensado com o uso de transporte coletivo. Entretanto, a frota é insuficiente e a expectativa de instalação de transporte rápido sobre trilhos é ainda mais demorada. O futuro da locomoção de Niterói está seriamente comprometido.

Na semana que passou houve um protesto de taxistas que lutam pela liberação de novas autonomias, pois desde o fim da década de 80 que a prefeitura não aumenta o número de táxi na cidade. A Associação Niteroiense dos Taxistas Auxiliares estima que o niteroiense tenha como tempo de espera por um taxi uma média de 52 minutos. Qualquer pessoa que necessita de um  taxi enfrentará dificuldades para encontrar um taxi disponível, principalmente entre as 17 e 21h. As próprias obras viárias já causam naturalmente transtornos ao trânsito, o que significa que os próximos anos serão sempre afetados pelas obras de transformação.

Existe teoricamente um plano para viabilizar o tráfego, de autoria do escritório do urbanista Jaime Lerner. A chancela é conhecida, mas pode-se questionar um projeto que até o momento (dois anos já se passaram) é inexeqüível alegando-se altos custos para sua execução. É como se a cidade tivesse comprado uma grande e sofisticada máquina, mas falta recursos para comprar o combustível e o manual é escrito em língua indecifrável. É como se fosse o retrato da inutilidade.

Até hoje a população se pergunta se não existia ou existe na cidade urbanistas capazes de viabilizar aquilo que todos vivenciam.  A cidade “importou” conhecimento inútil e volátil, para benefício emocional dos administradores de Niterói. A população continua sem desfrutar qualquer melhoria ou benefício real.

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