Somos Apenas Pessoas

Diante das inesperadas denúncias contra o senador Demóstenes Torres, de envolvimento com o bicheiro Carlos Cachoeira, onde todos ficaram abismados com as revelações. O senador se intitulava e se comportava como se fosse o defensor da ética, da moral e era a voz temida por suas constantes denúncias contra a corrupção e outros deslizes inaceitáveis na atividade parlamentar. Caiu a máscara e a situação é desfavorável ao senador, apesar das possíveis manobras jurídicas e políticas que se possam tentar.  O que acende como uma luz de alarme, é como disse o jornalista Merval Pereira, em sua coluna: “era como se ele não fosse ele mesmo” encarnava um personagem tão real que fez o ator Antonio Pitanga se espantar com tão perfeita atuação teatral”. Mas, aí reside o perigo de tudo. É preciso entender que apesar dos cargos, e do poder, atrás desta aparência está uma pessoa. Uma simples pessoa, afeta a qualquer anormalidade, peculiar e corriqueira em qual ser mortal. A atitude do senador não parece ser apenas uma questão de desvio de caráter. É preciso olhar a questão por um prisma psiquiátrico, onde pessoas aparentemente normais e até poderosas, sofrem de comprometimentos mentais graves, não detectáveis “a olho nu”. Esta divisão de personalidade, tão matemáticamente partida, denota uma personalidade psicótica. Principalmente depois de ouvir a frase do acusado em que disse: já não sei mais quem é o Demóstenes. Foi como “ser Demóstenes” era apenas uma atuação  e encenação de um personagem que influia e detinha uma performance.  Aí fica a pergunta: se os psiquiatras, psicólogos e profissionais de saúde mental fazem supervisões periódicas onde são avaliados no desempenho e na sua saúde mental e psicológica, por que outras profissões que envolvem desempenho preciso e envolve a vida de outras pessoas também não o fazem obrigatoriamente. Recentemente um piloto de uma aeronave cheia de passageiros, em pleno vôo teve um surto psicótico e teve que ser contido. Por pouco não resultou em algo trágico. Por que juízes e desembargadores não podem se submeter a “testes de sanidade” como outros profissionais fazem de bom grado? A atividade de um juiz é muito séria. Não basta o saber jurídico e aplicação do manual. São muitas vezes questões subjetivas que implicam em decisões sábias, o que nem sempre acontece. Ficam todos a mercê de uma pessoa, que é como outra qualquer, sujeita às mais diferentes dificuldades e podem , ainda que inconscientemente ou sem a adequada capacidade de avaliação, determinar ultrajes e mudanças na vida de muita gente inocente. Sabemos que apesar do concurso público de sucesso, conhecemos pessoas desde a infância, que o seu perfil emocional não condiz com alguém que possa e deva tomar atitudes julgadoras, especialmente aqueles que não são capazes de resolverem a bom termo as suas próprias vidas. A população se sente indefesa, ameaçada e em desigualdade de condições, pois não é possível contestar. Um juiz pode tudo e até que um colegiado aceite consertar os seus enganos, muito mal já se fez e muita vida se perdeu por falta de tempo para esperar a justiça.  E nada se fala, pois pode ser considerado desacato a autoridade tem uma aura de Semi-Deus. Uma reforma no judiciário é imperiosa. Como um juiz (a) que nunca se casou, teve filhos ou mesmo teve um relacionamento duradouro, pode avaliar subjetivamente um sentimento que paira entre as partes em conflito. Vai consultar friamente o manual? É preciso mais que o saber e as bases dos muitos cursos feitos: é preciso vivência existencial, é preciso estar humanizado, amaciado pelas experiências da vida. É... E que Deus seja louvado! Estamos entregues a nossa própria sorte e somente uma providência divina se compadecerá de todos os pobres infelizes, vítimas da arrogância acadêmica, da fogueira das vaidades e da sensação que tudo podem. E são apenas funcionários públicos, gente como nós...

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