Simplesmente Alice

Amizades têm diversos modos e conceitos. Para mim e para grande parte das pessoas um amigo é coisa especial e que a gente conta apenas nos dedos de uma das mãos.

Conhecidos, temos aos montes. São aquelas pessoas que gostamos, damos gargalhadas e tapinhas nas costas. Mas, classificamos como conhecidos porque não ultrapassam os assuntos do cotidiano ou do passado recente. Neste aspecto, nem irei comentar sobre “colega”, cuja denominação, para mim, é aquele que é da mesma profissão que a sua ou trabalha com você.

Iniciei meu artigo com esses pensamentos sobre a amizade porque uma amiga, daquelas que contamos nos dedos de uma das mãos, deixou este planeta.

O nome dela é enorme, Alice Maria Ruckert Braga Scarpa. Para mim, simplesmente, Alice. Ótima mãe, psicóloga e, principalmente, uma amiga de altíssimo valor.

Alice era uma pessoa de raríssima alegria contagiante e também possuía uma emoção calma, tranqüila e cheia de serenidade. Sincera, mas de ótima índole, jamais machucou com as suas verdades.

Esses atributos eram percebidos logo no primeiro minuto ao lado dela. Além de ajudar seus clientes com seus conselhos de fina firmeza e sobriedade, nós, seus amigos, também sorvíamos os seus conhecimentos da técnica de psicologia e tentávamos aplicá-los no nosso dia-a-dia.

Outra qualidade de Alice era o seu conhecimento profundo sobre o bom Rock, tendo uma preferência escancarada pelo músico/cantor/compositor Sting, do The Police.  Uma vez, há anos, ela passou no meu escritório apenas para me entregar um CD do Sting. Guardo este CD com muito carinho, porque também gosto de ouvi-lo.

As mensagens de Alice, pontuadas de positividade, calma e alegria, demonstrando todo o seu equilíbrio espiritual ainda estão na internet.

A sobriedade da amiga Alice e a sua fé, repousada na existência do ser humano puro, transformou a sua luta contra o câncer numa árdua tarefa, mas que sempre tratou com lúcida tenacidade. Parecia sempre que ela mantinha todo o controle sobre a doença, o que era realmente um fato. As células cancerígenas sofreram nas mãos delicadas e firmes de Alice. Como dito pelo seu ex, meu xará Fernando, a doença encontrou em Alice uma adversária difícil, muito difícil.

Mas, para muitos, a saudade ficará transitando por aqui, no planeta Terra. Tenho orgulho de ter sido amigo dessa pessoa e tenho certeza que seus filhos Guilherme e Luiza também se sentem orgulhosos. Não posso deixar de agradecer a essa poderosa mulher. Obrigado por tudo, Alice!

Um beijo e saudades.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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