Saúde Coletiva: Como Assim?

Num país como o Brasil, possuidor de expressivo déficit no atendimento na Saúde Pública à população, resta apenas a todos, que podem (mais ou menos), pagar um Plano de Saúde. Em tese, resolve-se a questão, em patamares diferenciados de atendimento, qualidade e até mesmo de hospitalização; mas, de qualquer forma, é uma garantia, a não ter nenhuma garantia.

O SUS, em alguns aspectos supera e muito a Saúde de outros países, incluindo os Estados Unidos, que não oferece gratuidade em várias modalidades. O SUS possui o maior e melhor programa contra o HIV do mundo, embora por absoluta desinformação e preconceito, tem gente no Governo Federal tentando boicotar estas boas práticas, principalmente no oferecimento gratuito universal de medicamentos antivirais. Neste quesito não há nada melhor no planeta.

É claro, que não interessa aos “empresários da Saúde” que o SUS melhore suas condições de atendimento, pois perdem o grande argumento de venda, que é a garantia diante da insegurança. E os Lobbies interferem para que a máquina funcione a “meia bomba”. Entretanto, nessa obsessão de “vender garantias” aos remediados e médios e ricos, atropelam e condenam uma massa imensa de desvalidos, a descer aos infernos da dor e abandono; o que é muito cruel com a esse grande contingente de menos favorecidos e miseráveis.

Ainda que se tenha um “Plano de Saúde”, seja ele de qualquer operadora no Brasil, não significa que tudo vai estar garantido na hora da necessidade. É claro que o cliente, na contratação do seu “Plano”, deve observar muito bem as condições e principalmente os direitos constantes na sua modalidade, ou patamar econômico financeiro. Pois, na realidade o usuário contratante terá menos ou mais serviços e benefícios dependendo de quanto ele paga mensalmente. Apesar disso, mesmo nos planos de primeira linha, algumas obscuridades permanecem. O exemplo mais típico refere-se aos anestesistas. Em qualquer situação cirúrgica de média a grande complexidade, eles, por serem indispensáveis, ditam a relação e não se submetem a Plano de Saúde qualquer. Independente do potencial do cirurgião, o anestesista é quem comanda o monitoramento vital do paciente. Ou seja: naquele momento ele é o “dono da vida”. A existência e conservação do paciente dependem dele. Daí se juntaram numa espécie de cooperativa, sindicato, associação, ou seja, lá mais o quê, e nenhum anestesista adere ou participa de Planos de Saúde. Quando o paciente, ainda que possua o melhor e mais caro plano do mundo, ao sair de uma cirurgia vai ter que pagar à parte os serviços do anestesista. E o recibo para pagamento é apresentado na saída da sala de cirurgia, quando alguns, não cobram antecipadamente.

Muitos instrumentadores também não são participantes de Planos, e o pagamento do serviço é cobrado imediatamente. Ou seja: quem paga um super Plano, não importa o esforço financeiro que faça, não estará seguro numa situação de emergência, seguida de uma intervenção cirúrgica. A conta subseqüente virá imediatamente, e não é com prazo para pagar. O recibo do serviço já sai na hora, e não é barato. E que esperem o reembolso...

Existe um teto para que os Planos de Saúde paguem o reembolso. É simples: o anestesista apresenta um recibo de 6.500 reais, mais a conta do instrumentador de 600,00. Aí, é correr atrás para ser reembolsado pelo Plano. Varia de Plano para plano o prazo de reembolso. Aqueles planos que na verdade são “Seguros de Saúde”, como o Sul America e Bradesco, funcionam na base do reembolso. Quem tem estes planos tem que ter o dinheiro para fazer face às despesas e depois receber de volta da seguradora. Estes são mais rápidos no reembolso. Mas, o Plano ASSIM SAÚDE, por exemplo, eles declaram que o reembolso é feito em 30 dias. Um prazo simbólico, pois nunca acontece nesse tempo. Eles usam artifícios pueris, como dizer que a conta fornecida para o depósito o banco rejeitou o depósito. Que ocorreu um erro no preenchimento do pedido... São simplesmente grotescas as desculpas. Mas, se o cliente vai à agência reclamar, eles habilmente pedem outra conta, e muitas vezes a conta seguinte é rejeitada porque é “conjunta”, e na verdade não é! Trata-se de mais um desonesto expediente para ganhar tempo. A verdade, procrastinar o pagamento, que a partir dos 30 dias de prazo, qualquer dia a mais é lucro. Conseguem muitas vezes dobrar o tempo para reembolsar o cliente. Agora perguntem para eles se atrasar a mensalidade o que acontece? Neste caso, onde o cliente na soma de créditos para reembolso passava de 7.500 reais, eles poderiam abater prestação do saldo a receber. Mas, eles respondem que são contas diferentes e que não se intercomunicam. Na verdade, com estas manobras, o cliente já debilitado e se esticando todo, funciona como financiador do Plano. Os “empresários” ganham pelo Plano e ganham com um mecanismo financeiro disfarçado com os atrasos. É o faturamento financeiro. Além de Plano de Saúde, funcionam como bancos. É vergonhoso e desonesto.

A ASSIM SAÚDE usa expedientes protelatórios para pacientes ostomizados, ou seja: A ostomia, ou estomia de eliminação, é um procedimento cirúrgico realizado quando é preciso construir um novo trajeto para eliminar fezes ou urina. Na realidade é uma cavidade aberta com o encaixe de uma bolsa plástica para depósito do material eliminado. É muito comum em paciente submetido à cirurgia intestinal e retal, na sua grande maioria acometidos de câncer. Estas bolsas são usadas por diferentes períodos (mínimo de 3 meses), até que haja recuperação da parte operada, cicatrizada com segurança. Somente após esta recuperação o paciente é submetido à nova cirurgia para recompor o intestino, que terá doravante transito normal. A maioria dos Planos, incluindo AMIL, recebe o laudo do médico e a indicação para uso da bolsa, com as devidas quantidades, e num breve período fornece as bolsas ao cliente. No caso da ASSIM SAÚDE, que gosta de jogos financeiros, o paciente compra as bolsas (que não são baratas), e com o laudo e requisição médica, pede novamente o reembolso. Vai ter que esperar uns 45 dias para ver a cor do dinheiro, se der sorte.

Estas são algumas razões que explicam o maior crescimento nacional de um pequeno Plano de Saúde nascido no subúrbio de Jacarepaguá. Dá até para pagar ao Zico para ser seu garoto propaganda.

É desigual e perversa esta situação entre o Plano de Saúde e o cliente. Se quiser ter suas requisições de saúde atendidas, não bastará ter um Plano de Saúde; é preciso ter uma reserva financeira para fazer frente a estas despesas excedentes e que servem para “financiar” um Plano de Saúde.

Não bastará sansões e multas da justiça para mudar estes comportamentos. É preciso criar leis específicas que permitam a fiscalização ser mais exata e o paciente seja poupado em momentos tão difíceis.

A ASSIM SAÚDE aproveita-se a fragilidade do momento, e manobra para que os pacientes utilizem os seus hospitais próprios. A incerteza num momento de doença produz um estresse mortal.

Recentemente a ASSIM SAÚDE, depois do cliente descobrir um câncer grave no intestino, fez de tudo para minimizar seus gastos. Os exames eram marcados para datas muito distantes para quem tem uma urgência vital. Depois, ameaçaram não cumprir o contrato tentando conduzir o paciente para um Hospital próprio, quando o médico, também pertencente ao Plano só opera no Hospital Icaraí. Alegaram que descredenciaram o Hospital e que deveria se dirigir ao Hospital São Lucas, antigo São Sebastião, no Barreto. Existem diferenças clássicas de qualidade entre os dois hospitais. Com a cirurgia marcada, eles alegaram não ter conseguido todo material necessário para a cirurgia. O médico alegou que eles estavam dentro do prazo para obtenção de todo equipamento. Foi adiada para sete dias após. O paciente com câncer, já inseguro pela negativa inicial de poder operar no Hospital Icaraí, com o adiamento, ficou num estado de tensão inadequado ao seu momento clínico. Dois dias antes da data marcada, a família do paciente entrou em contato com a central da ASSIM, que tornou a negar a possibilidade da execução da cirurgia. Este comportamento negativo da ASSIM levou o paciente a pânico e vivenciou outro estresse agudo. A família ameaçou entrar na Justiça e numa negociação demorada e difícil, contando com a boa vontade do cirurgião e equipe, marcaram a cirurgia para 48 horas depois. A cirurgia complexa e demorada já debilitaria normalmente o paciente. Diante de tal estresse foi muito pior. A recuperação foi transcorrendo até a alta, oito dias após. Ao chegar a casa, 24 horas após começou a ter febre; e com a concordância do cirurgião retornou ao hospital, onde se constatou a formação de uma fístula, com pequeno vazamento de líquido para a cavidade abdominal. Decidiu-se por uma re-internação para uso de antibióticos por via venosa. A ASSIM não autorizou a volta ao hospital de origem e queria novamente que o paciente fosse conduzido para seu hospital próprio no Barreto. Nova batalha, desgaste do paciente e da família, a esta altura fragilizada e cansada. Onde a argumentação era simples: o paciente acabou de sair e apresentou complicações advindas da mesma cirurgia. O médico é o mesmo e não teria sentido trocá-lo a esta altura do tratamento. Depois de amplo debate e desgaste, o paciente estressado re-ingressou no Hospital Icaraí.

Quanto custa o desgaste de todos e principalmente de um paciente com câncer, e complicações na mesma cirurgia. Onde fica o cuidado com o paciente que religiosamente pagou seu plano, sem nunca atrasar, e que é muito caro?

A falta de respeito com a saúde das pessoas em detrimento do lucro desmedido é um crime!

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