Só Tiros no Pé


Realmente é preocupante o rumo que tomou a política brasileira, protagonizada pelas atitudes desmedidas e agressivas o presidente da República. A sensação que me dá é que ele joga apostando no conflito geral. Quanto mais confusa ficar a situação, mais ele pensa que se beneficia. É o exemplo mais grotesco que já vi de imaturidade emocional. Bolsonaro não mede conseqüências, confiando numa segurança que supõe ter. Joga o tempo todo contra o bom senso e é irresponsável quanto aos prejuízos que o país tem e terá num confronto social. Como se não bastasse a manobra perniciosa impetrada pelo Lula da Silva, que pregou o conflito na base do “nós contra eles”, que gerou essa lamentável divisão do povo brasileiro, vêm o Bolsonaro, que se elegeu em cima dos crimes do Lula, e está fazendo a mesma coisa. É uma pratica divisionista, populista, insensata e burra, acima de tudo.

Bolsonaro teve uma chance única, quando conseguiu se eleger. Se tivesse um mínimo de equilíbrio e criatividade, teria feito um grande governo e não necessitaria viver nesse desespero eleitoral, fazendo uma política de destruição, para se manter na mídia.

Que ele seja tacanho e grosso se compreende. Mas, teria que ter um traço mínimo de humanidade, complacência e afetividade. Ao contrário, ele é frio, calculista, sem piedade ou empatia por quem quer que seja. Ele é autocentrado, sem qualquer vestígio de culpa ou compaixão. Só tem um foco: manutenção do poder e se exaspera por ainda não ter conseguido implantar uma República de Idiotas, sem alma e sem futuro.

Essa última atitude provocativa usando crianças, fazendo com que uma pobre e indefesa menina retirasse a máscara, e acintosamente retirar a máscara de uma criança de uns quatro anos, foi demais! É um inconseqüente, e como tal não tem condições e nem estatura para o cargo que ocupa. Ele está acabando com a imagem do país, que internacionalmente terá graves conseqüências, notadamente econômicas. Basta ver exemplos de outros ditadores como o da Coréia do Norte, ou os mais insignificantes ditadores asiáticos e africanos: todos resvalam para o terror e o ridículo. E quem perde a credibilidade e muito dinheiro é a pobre Nação, que tem um déspota trapalhão no comando. Aqueles, que por conveniência, o apóiam cometem erros estratégicos clássicos. Chega ser politicamente infantil. No desejo de criar uma narrativa paralela e desviar o foco da CPI da Covid, investiram em convocar governadores, na esperança de imputar-lhes os desvios e crassos desmandos na administração da pandemia. Trouxeram o ex governador Wilson Witzel, já no ostracismo, sem chances de reação e na reta de receber uma condenação. O tiro saiu pela culatra. Ressuscitaram um morto, que usou a CPI como instrumento de defesa e ainda criou um palco teatral fazendo acusações e apontando outras dúvidas que o beneficia e socorre. Conseguiu uma suposta “reunião reservada” para revelações bombásticas, seduzindo os senadores. O grande beneficiado foi o Witzel que disse o que quis e no momento que os governistas pensaram que iriam apertá-lo, se retirou afrontosamente. Pareceu os tempos de criança, quando o outro time começava a ganhar, o dono da bola (membro do time perdedor) pegava a pelota e dizia que o jogo acabou! Foi exatamente isso. E os governistas, e sem brilhantes estratégias ou reações, ficaram atônitos e sem graça.

O pior é que agora surgem fatos que apontam para uma circunstância que envolve superfaturamento e possível envolvimento de altos funcionários do governo, na compra milionária da vacina indiana, a Covaxin. Se comprovada, será o desmoronamento do governo Bolsonaro. Adeus o histriônico discurso contra corrupção.

Pobre Brasil, e muito mais pobres aqueles que ainda apóiam este governo cego, rumo ao abismo. Lamentavelmente...