Recompondo os Fatos

Num encontro casual da abertura da Semana do Encontro Niterói com a América do Sul no Teatro Municipal, com o secretário de Fazenda, Selmo Treiger, me surpreendi com a sua reação quando o cumprimentei. Ele visivelmente irritado disse em voz alta: “Você ainda me conhece? Sabe quem eu sou?” Respondi a ele no mesmo tom de voz alta: É claro! Tenho muito boa memória e nunca me esqueço de nada! Ele, disse-me: “Você está gritando!” e eu disse: Você também e gritos me deixam nervoso e mais atento! Ele, aparentemente surpreso, pareceu interromper a conversa e retirou-se. Cinco minutos se passaram, ele me procurou e chamou-me para conversar em particular. Disse que não gostaria de estragar a festa, mas gostaria de apelar para a minha atenção, para que eu desse uma relida nos meus escritos sobre ele. Que eu estava desconstruindo a sua imagem e provocando incômodos familiares.

Eu disse que poderia fazê-lo, mas que tinha certeza que jamais disse algo mentiroso ou que desmerecesse a sua pessoa. Ele apelou para os muitos anos que nos conhecemos e falou da nossa amizade. Questionei o fato, pois meus amigos sempre me reconhecem, ainda que distantes, e ele, depois da sua “subida ao poder”, sumiu por completo, - certamente por muitos afazeres e compromissos, - e jamais me dispensou qualquer tipo de atitude amigável. E não seria a condição de amigo que me faria mudar a retidão do meu pensamento.

Reli tudo que escrevi a respeito dele ao longo destes últimos três anos. Não encontrei uma frase desrespeitosa, desairosa ou qualquer acusação a sua integridade moral. Fiz questionamentos, o que é legítimo na minha profissão. Estou aqui para isto e o que disse mantenho e reafirmo. A questão central, onde fui acusado, foi de estar sendo prejudicial a ele, colocando-o em situação desconfortável; ela é sempre a mesma. O seu status de empresário do ramo imobiliário e direto interessado na construção civil em paralelo os cargos que exerce e exerceu: Planejamento e Fazenda. Não há nada ilegal, mas é eticamente discutível. Qualquer pessoa sensata há de me dar razão. Nunca o acusei de nada e reafirmo que em todos os negócios que fiz com ele e sei a seu respeito, ele sempre cumpriu com honestidade e prontidão. Nos conhecemos desde muito jovens e ao longo destes anos nunca tivemos qualquer desentendimento ou vi qualquer comportamento reprovável da sua parte.

Acho que o problema é mais uma “síndrome de príncipe”. Estas pessoas da cúpula do Jorge Roberto Silveira não admitem questionamentos. Não podem ser contrariados e gostam de retaliar quando não somos “vacas de presépio”.

Quantas vezes alguém já viu um anúncio imobiliário no nosso jornal? Não que eu não quisesse. Seriam bem vindos. Anúncio é anúncio, somos bons neste parágrafo, e nos ajuda a sobreviver. Em contrapartida, sempre fomos boicotados, escancaradamente! Uma voz que se levanta e diz aquilo que os “poderosos” não querem ouvir é considerado um acinte inaceitável. Haja vista a quantidade de telefonemas anônimos, me ameaçando, me mandando calar a boca. Continuarei fazendo o meu trabalho, fiel a minha consciência e crenças éticas. É o suficiente.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

2019 | Design By Stilo