Realista ou Mórbido?

Como um realista que tento ser, entre o pânico e o número de mortes causadas pelo Covid-19, prefiro o segundo, claro.

Mas, hoje em dia estamos muito mais contaminados pelas origens das notícias, do grau de curiosidade nas pesquisas feitas na internet e dos assuntos que conversamos e ouvimos pelas lives e mensagens do whatsapp. Tudo depende da sua atuação para “aferir” o seu grau de depuração das mensagens que recebe.

Creio que, assistindo a um determinado canal de televisão por muito tempo, seremos contaminados pelo Covid-19, Covid-20, ditaduras, tiranias e até por caixões vazios ou churrascos idiotas inventados. Impressionante como a qualidade e falta de isenção de determinados canais de televisão andam baixas. Os canais de notícias só mostram o que de ruim, exagerado ou errado acontecem. Ficamos achando que o Brasil vai acabar amanhã de manhã.

É importante, legítimo e inquestionável mostrar a realidade, claro. Mas será que é só isso mesmo que merecemos assistir? Parece que estamos no interior de um esquife eletrônico, cheio de coronavírus e sem solução? Cá pra nós... Parece que determinado setor da informação precisa impor um pânico em nós e não se trata de negacionismo, já que a realidade está aí mesmo, como lamentável quadro de pessoas morrendo por todos os lados contaminados pela Covid-19.

Existe uma ciência inquestionável que é a matemática, e os números em meio aos cálculos e que são muito verdadeiros. Quando escrevo números nem posso pensar em estatísticas porque em nosso Brasil tupiniquim, as estatísticas são diferentes entre diversos “institutos” de pesquisas.

Então, eu sigo costurando entre os noticiários da TV, e tento surfar evitando o que todo mundo já percebeu: o canal cemitério, o canal mórbido, o canal em “cima do muro do cemitério” e o canal gripezinha.

Basta escolher um canal de acordo com o seu estado de espírito no dia. Mas, querem mesmo saber? Ao experimentar ficar 24h sem assistir notícias, mas vendo filmes, séries e bom rock’n roll na TV, me senti o melhor dos seres... Fiquei super leve e o humor voltou ao natural.

Nos dias seguintes, consegui até equilibrar assistindo menos os canais de notícias e percebi que estou no caminho certo que é a dosagem média em tudo que fazemos.

Muitos irão concordar comigo: existem muitas lives por aí. Se fosse assistir a todas, acho que não faria outra coisa na vida e mesmo com o suposto todo tempo que temos ficando preso em casa, no tal de home office.

Outra constatação é a existência de lives inúteis. Estou impressionado. Tem até lives debatendo a consistência das fezes dos pets durante a pandemia. Cá pra nós!

Dessa forma, canais de televisão estão perdendo a sintonia. Pessoas que param para pensar 10 minutos perceberam que o grande lance é apoiar o tal de “fica em casa” de forma incondicional para que as famílias fiquem em casa. Na verdade querem que fiquemos assistindo a televisão.

Só se esqueceram de projetar no futuro, quando muitos e muitos estarão desempregados e sequer poderão assistir TVs com a energia cortada ou mesmo sem condições de comprar qualquer produto anunciado.

A intenção, claro, é reduzir a tal curva de contaminação porque o colapso da rede hospitalar está perto, muito perto. Mas, me parece não estar dando muito certo.

A decretação do lockdown em Niterói foi a prova de que todas as políticas implementadas pela prefeitura ou deram errado ou foram mal planejadas, como criar engarrafamento para testar com termômetros os motoristas que entrassem na cidade e redução do número de ônibus nas ruas. Foi mediático, mas não inteligente.

Agora, com volta das atividades de forma gradual e tomadas as devidas precauções em busca do (difícil) equilíbrio emocional, resta desejar a todos calma e que se cuidem.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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