Rachel Weisz

Tenho enorme carisma por alguns atores em particular. Seja pela própria atuação em si, seja pela forma como administra à carreira – garimpando e selecionando bons papéis – ou ainda por alguma característica ou atributo que torne aquele profissional especial. No caso de Rachel Weisz, minha admiração é crescente, por todos os fatores supracitados: uma grande atriz, de interpretações marcantes em películas escolhidas a dedo. Além disso, não a vejo como uma profissional que explora apenas a beleza ou a sensualidade – as quais são inegáveis e, possivelmente, ela poderia se valer exclusivamente destas.

No entanto, preciso reconhecer que passei a dar uma atenção maior à Rachel depois de sua performance brilhante em "O Jardineiro Fiel" ("The Constant Gardener", no original), em 2005. E, com certeza, não é mera coincidência que a atriz tenha ganhado o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel. Os trabalhos anteriores tinham sido bons, eu concordo. Mas Rachel se superou ao lado de Ralph Fiennes ("O Leitor" e "A Lista de Schindler"), nesta película assinada por Fernando Meirelles ("Cidade de Deus" e "Ensaio Sobre a Cegueira").

Logo após o lançamento de "O Jardineiro Fiel", comecei a pesquisar mais sobre Rachel. Sua personagem inteligente, irônica e enigmática, tinha me deixado empolgada. Vejo esse tipo de talento em atrizes das antigas, como Judi Dench ("Shakespeare Apaixonado" e "Chocolate"), Maggie Smith ("Uma Janela para o Amor" e "O Jardim Secreto") e Tippi Hedren (esta última, uma doce descoberta de Hitchcock, tendo atuado em filmes como "Marnie, Confissões de uma Ladra" e "Os Pássaros"). Entretanto, sinto certa dificuldade em identificar tal desempenho em atrizes contemporâneas.

Observando mais cautelosamente sua filmografia, percebi que, quando arrebatou tais premiações, Rachel já havia deixado sua marca no cinema, em filmes como "Círculo do Fogo" ("Enemyatthe Gates", no original) e "Confidence - O Golpe Perfeito" ("Confidence", no original). Mais recentemente, também brilhou em filmes como "Fonte da Vida" ("The Fountain", no original) e "Um Olhar do Paraíso" ("The LovelyBones", no original). Todos valem uma visita à locadora.

No entanto, talvez, o mais interessante papel da vida de Rachel vá "passar despercebido" do grande público. "A Informante" ("The Whistleblower", no original) corre direto para as locadoras, sem passagem pelos cinemas. Uma injustiça, eu diria.

A película conta a história de um dos maiores escândalos protagonizados pela Organização das Nações Unidas, denunciando a corrupção das forças internacionais no pós-guerra da Bósnia. O thriller é baseado no livro homônimo escrito pela americana Kathryn Bolkovac, que narra sua própria experiência enquanto trabalhava em Sarajevo para uma companhia privada contratada pelos Estados Unidos para supervisionar o processo de reconstrução do país após a guerra. E é Rachel quem dá vida a esta então policial do estado de Nebraska, que serviu como uma pacificadora após tal conflito, em 1999.

Cabe aqui uma curiosidade: em 2006, a atriz recusou o convite para o filme, pois estava grávida e, como ela mesma afirmou, seria um trabalho muito tenso e angustiante para aquele momento de sua vida. Foi então que, há dois anos, a atriz mudou de idéia, procurou o produtor que havia lhe sondado para o papel e, finalmente, encarou as gravações.

O filme conta com detalhes a história dos oficiais mobilizados pela ONU que estavam envolvidos em casos de exploração de mulheres. A autora do livro sustenta a existência de máfias que exerciam o tráfico de brancas para prostituição na Bósnia, pois acabou tornando-se testemunha ocular dos eventos – as pessoas enviadas com ela para a missão freqüentavam os ambientes as mulheres eram obrigadas a se prostituir.

Mais uma vez, repito: é um crime o filme não fazer uma escala nos cinemas. Então, para não cometer tal injustiça, cabe a devida locação do DVD. Não só para entreter, mas, para conhecer o que há de sujo na Organização com a reputação mais limpa do Planeta. E, acima de tudo, para conferir o desempenho de Rachel Weisz, que está irretocável no papel. Bom filme!

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