Quem tem Chance em Niterói

Muitos me perguntam ansiosos se este ou aquele possível candidato a prefeito tem chance. Costumo responder que todo mundo tem chance. Depende apenas da configuração estabelecida na hora da eleição. De véspera, ninguém ganha. Quem poderia imaginar, um ilustre desconhecido como o atual governador Wilson Witsel vencer Eduardo Paes? Na fila da votação vi muita gente dizer que nunca tinha ouvido falar dele, antes dos programas da TV. E mesmo assim, não sabiam pronunciar o seu sobrenome. Mas, a configuração daquele momento era favorável a ele. O povo estava reativo, e votaria nele ou qualquer outro, desde que fosse contra a tudo que se mantinha no Estado. Seria por ter mais atributos que os outros? Absolutamente não! Se as pessoas bem observassem, e não estivessem imbuídas de um sentimento de vingança contra a corrupção, e associarem Eduardo Paes a Sergio Cabral, perceberiam que o Witsel não dizia nada que merecesse credibilidade, como de resto, continua, a comemorar como se fosse um gol do Brasil, a morte de um débil mental, que foi morto por efeito de demonstração. Pois, no momento do tiro, já estava fora do ônibus e não oferecia o risco algum. Mas, a ordem de execução fazia parte de um script de demonstração de como a “banda toca”.

Enfim... Temos um Estado, com problemas gravíssimos na mão de um neófito vaidoso, que mal começou a “governar”, já pensa em candidatar-se a presidência da República. Pois é... Na cabeça dele até faz sentido. Foi tão fácil ganhar uma eleição no Rio de Janeiro. Saiu da obscuridade (até entre membros da Justiça), para o cargo mais importante do Estado...

Mas, o que virá? Alguém que nunca foi testado politicamente, ascender a um cargo de tamanha importância? Na verdade, é inteiramente lotérico, embora os indicativos sejam de fracasso.

Nem sempre o que parece e reluz é ouro... Lembram do senador Saturnino Braga. Era um excelente senador. Ganhou a eleição para ser prefeito do Rio. Foi o maior fracasso! Quebrou o município do Rio, principalmente numa “tacada” de intuição errada, querendo ser fiel a promessa de campanha que fez aos professores. Aumentou os salários, apesar de a Fazenda alertá-lo que não teria condições de arcar com o aumento. Resultado: cabeça dura de um homem vivido na política, com ciência dos mecanismos, mas, ainda assim, humano; e errou feio! Foi um desastre como executivo.

Não elegeram o Marcelo Crivella? Querem coisa pior, mais retrógrada, careta, estreita e preconceituosa? Administração baseada na religiosidade produtiva e rentável, uma “ciência de pescar fiéis” que para obter benefício, que é direito de todos, precisam falar com a sua “secretária”, fiel escudeira, como se tudo fosse paroquial? Uma lamentável administração. E está aí, sob manobras contra o desejo de impeachment, muito bem defendido por sua base de vereadores. Um ultraje para os cariocas. Mas, quem mandou votar errado?

Perguntam-me muito se a secretária de Fazenda de Niterói, Giovana Victer tem chances de se eleger prefeita. Respondo simplesmente: Não há o que se questionar quanto a sua competência pessoal como gestora. Ela é qualificada, inclusive com muitos títulos acadêmicos invejáveis. Entretanto, para ser prefeito, não basta ter todos estes atributos. Uma eleição depende de votos, que significa ser muito conhecida, com ampla articulação política partidária e com recursos disponíveis. Mas, dizem: “mas se vier concorrer com o apoio do prefeito Rodrigo Neves?” Qualquer um que vier apoiado pela máquina vai ter votos, o que não significa ganhar a eleição. Ter a máquina na mão é uma grande vantagem, indiscutivelmente. Mas, voto não se transfere da maneira que muitos imaginam. É claro, que com muitos recursos, e leia-se com muito dinheiro e prestígio de um bom padrinho, as chances aumentam muito, mas, não é garantia absoluta. O eleitor de hoje é imprevisível, emocional e altamente influenciável. Para bem ou para mal, mas, vai aonde a grande massa vai!


Ficam todos com esta expectativa ansiosa sobre quem o prefeito vai escolher como candidato oficial. É um candidato com a perspectiva inicial de 20 a 30% dos votos. É uma vantagem importante, mas pode estacionar aí. Não subir numericamente em função do que representa o candidato em si. O desempenho de campanha, de discurso, e o carisma contam muito. Victer nunca foi testada nas urnas e isso é um enigma preocupante.

Quem já foi testado, como é o caso de Felipe Peixoto, que já foi vereador, deputado Estadual, duas vezes candidato a prefeito (e sempre foi para o 2º Turno), atingiu uma marca de mais de 95 mil votos, sempre vai ser um candidato considerável, com objetiva possibilidade de chegar num 2º turno. Não adianta denegrir, desfazer, alegar desgastes, etc, etc... Vai ter sempre um bom desempenho. Para se ter uma ideia, Felipe, disputou a última eleição para deputado Estadual, com uma sentença judicial de inelegibilidade. Apesar de toda campanha contra, dito inelegível, ficou na primeira suplência, tendo uma expressiva votação em Niterói. Foi em seguida absolvido e agora confirmada a sentença pelo TSE. Está inteiramente apto a disputar esta eleição.

Um vereador produtivo e combativo como o Bruno Lessa sempre vai ter chance de vencer uma eleição. Está se colocando disponível para a disputa. Em qualquer quadro apresentado deverá ser sempre considerado. Falam muitos numa aliança entre Felipe e Bruno. É algo a se considerar. Ambos têm eleitorado e credibilidade pessoal. O Bruno Lessa é “lisinho”. Não tem nada que o desabone; ninguém que possa apontar um podre dele. Na atual circunstância esta característica se converte numa vantagem, mas tem limites. Nem todo eleitorado sabe disso com certeza e existe gente que acha que todo político é igual; que é mentiroso e corrupto. Numa camada social esclarecida, vão valorizar esta característica (que é obrigação de todos), mas, tão rara que parece até mentira aos olhos do “povão”.

É esta a questão que tento esclarecer: eleição é desempenho e números. Tem políticos que não valem nada, são muitas vezes incultos e estúpidos, mas, são muito carismáticos e convincentes na sua “simplicidade”. É tudo equivalente, principalmente onde atua e para quem fala.

Um político, e provável candidato, como o Flavio Serafini, do PSOL, tem seu lugar numa eleição como esta. Já disputou duas vezes com bom desempenho e é crescente. Neste momento, ele está dentro do nicho que era do Marcelo Freixo, que independente das críticas, tem seu numeroso eleitorado. Serafinni é bom de discurso, tem boa figura e é um sujeito sério. Nada de mal pode se falar dele. Como desconsiderar uma presença como esta?

Tem o Comte Bittencourt. Vivido e experimentado, e reconhecidamente um grande gestor. Tem uma vasta trajetória na política e exerceu funções de direção e gestão muitas vezes. Foi inclusive presidente da Câmara de Vereadores de Niterói. Deputado de excelente desempenho e tem o apoio do ex-prefeito Jorge Roberto Silveira; e que para quem não sabe, ainda é o maior cabo eleitoral da cidade, mantendo suas articulações e prestígio pessoal. Nunca se pode subestimar um apoio como este.

Comte tem a cara do gestor. É firme, decidido, tem fibra e enfrenta bem qualquer dificuldade. Este é um candidato que se vem com a máquina da prefeitura, vai estar, sem dúvida, no segundo turno.

Existe também o deputado Federal Chico D’Angelo. É do PDT, tem próxima relação com o prefeito e intimidade com a máquina municipal. É um candidato que vindo com a máquina da prefeitura vai ter colocação de destaque.

Daí são muitos candidatos com chance. A maioria já foi testada e conhece bem o que é uma eleição.

A Giovana Victer ainda vai descobrir, mas, tudo é possível neste emaranhado de atitudes e emoções populares. Se o Witsel conseguiu, por que outros não podem?

Esta é a verdade, vista num prisma da data de hoje. É uma foto do momento. Ainda falta muito para a eleição e muita água ainda vai correr debaixo desta ponte.


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