Quem será o Prefeito de Niterói?

Ainda faltam quinze meses para as eleições municipais de 2020. Ainda que seja muito tempo, as articulações políticas já começaram firmes e muito temos a dizer; desde que respeitemos o tempo, as circunstancias, e todas as possíveis mutações. Apesar dos avisos é possível fazer um “retrato” do momento e quais são as tendências em função dos desdobramentos.

Neste período é muito comum aparecerem candidatos das mais diferentes tendências e direções, incluindo aqueles que nada sabem de política e como se estivessem acometidos de um surto de poder começam a falar dos seus desejos como se fosse possível mudar a ordem natural das coisas. Estes “neófitos surtados” nada significam além do desgaste pessoal que sofrem e nada interferem no curso das eleições. Entretanto, existem supostos candidatos, mais profissionais nas suas investidas eleitorais. Muitos se lançam candidatos a mando de outros candidatos só para embaralhar os fatos, disfarçar intenções reais e existem sempre segundas intenções em jogo. Outros se apresentam para disputa para se valorizarem, e “venderem” o seu apoio mais à frente. Aproximam-se de outros candidatos reais e com chance na disputa, trocando o apoio por cargos e até por uma possível secretaria. No fundo, estão de olho nas eleições seguintes, para deputados, estaduais ou federais. Se “inserem” na cena política usando estes expedientes. Às vezes conseguem êxito, embora na prática seja desproporcional o valor deste apoio, considerando as vantagens que levam.



Em Niterói, foco desta matéria, já fervilham “candidaturas naturais”, pelo histórico político desses candidatos e pelo jogo de participação dos partidos na disputa; mesmo cientes da impossibilidade de vencerem para o executivo, precisam de um “carro chefe” para elegerem vereadores. Existe também o peso a ser negociado por ocasião do 2º turno. Se o partido tem bom desempenho no 1º turno, mais vantagens vai levar para apoiar um dos lados. Quem está de fora e não conhece as manhas da política comenta ingenuamente: “o que faz fulano nessa disputa? Não está vendo que não tem a menor chance?” Aí, vem a resposta objetiva: não há interesse em vencer a eleição. O interesse primordial e valorizar ao máximo o possível “apoio” no 2º turno. Vai “faturar” alguma coisa, independente do expediente de usar o dinheiro do fundo eleitoral, (dinheiro que vem oficialmente, e que é originado nos impostos pagos pela população), e existe sempre uma contabilidade “arrumada” para sobrarem sempre valores frios. Existe ainda a possibilidade de “convencer” alguns pouco informados a doarem valores para sua campanha, que no final, convertidos nos famosos “restos de campanha” vão para o candidato, sem sucesso eleitoral, mas de bolso cheio. Apesar da fiscalização, existe sempre um meio de driblar estes valores, que são esquentados com notas frias e declarações e recibos falsos. Esta é uma prática muito antiga e que apesar das mudanças de regras e comportamentos, continuam a acontecer. Basta ver as disputas e litígios por conta da obtenção e controle de legendas partidárias. O Brasil é um verdadeiro “mercado turco” na venda e negociação dessas instituições. Temos algo em torno de 35 partidos e mais algumas dezenas de pedidos e processos tentando criar mais uma “boquinha”. Este tal de “Fundo Eleitoral” é uma verdadeira excrescência. Dinheiro do povo, doado aos partidos que podem eleger políticos que irão desviar mais dinheiro do próprio povo. É um completo absurdo, que só beneficia a quem diz supostamente criar “igualdades” dentro da disputa; quando sabemos que o controle dos valores fica nas mãos de poucos dirigentes, que baseados em desculpas de “melhor utilização”, encaminham as verbas para muito poucos privilegiados, ficando os demais, sem nada.

Ainda existem desvios de condutas como registrar candidaturas falsas, com o objetivo de desviar dinheiro do fundo. A verba é supostamente direcionada a um candidato, que recebe um pequeno suborno, para devolver ao partido todo resto do dinheiro. Depois eles criam justificativas maquiadas para as falsas despesas, e fica tudo certo. Um recente episódio está amplamente investigado e divulgado, que é caso do PSL, que envolve o ministro do Turismo, usando candidaturas femininas (que são obrigatórias), mas, só como pano de fundo. O escândalo está aí, e que fatalmente vai derrubar este ministro e sujar mais ainda o partido do presidente.

A máquina municipal, sob o comando d prefeito Rodrigo Neves, já se movimenta e embaralha as cartas. Inteligentemente o executivo apresenta um time de candidatos possíveis e que ele manipula, e vai arrastar a definição do “nome do prefeito” para o mais perto possível da data limite. Existem aqueles com mais tradição e com mandatos anteriores, como Comte Bittencourt (Cidadania), Paulo Bagueira (Podemos) e Chico D’Ângelo (PDT). Estes têm história política, mandatos e eleitores fies. Cada um tem características próprias e diferenciadas e podem ou não, apostar nesse embate, colocando-se como apoiador de outro candidato ou mesmo compor uma chapa, como vice.

Na atual circunstância o ex deputado Comte Bittencourt, e ex-prefeito (2 vezes), integra o staff do prefeito na condição de secretário de Governo. É presidente regional do seu partido, tem uma expressiva organização com adeptos e apoiadores e um eleitorado fiel que o credencia para ir para um segundo turno. Para uma composição eleitoral satisfatória depende de um vice (com votos) da Zona Norte. O ideal para Comte seria o vereador Renato Cariello, que também é do PDT, compondo a aliança desejável. Mas, Comte poderá ou não ser o escolhido do prefeito, que em alguns aspectos também depende do seu partido, o PDT, que circunstancialmente pode querer lançar candidato próprio. Para esta expectativa fica credenciado o deputado Federal Chico D’Ângelo, que é desse partido. Paulo Bagueira, que no momento tem uma situação privilegiada, pois assumiu a vaga de deputado Estadual (era o 1º suplente), mas não perdeu o mandato de vereador e presidente da Câmara de Niterói. Está apenas licenciado, com o mandato disponível para caso ele venha necessitar. Tem ainda o compromisso do prefeito Rodrigo Neves de mantê-lo na condição de secretario do prefeito. Mas, se considerarmos uma foto da atualidade, Bagueira se manteria deputado Estadual, que poderá tornar-se pleno e efetivo, desde que o titular que ele substituiu por estar preso, acusado de corrupção, perca o mandato. Aí, ele seria o titular na cadeira da ALERJ, que poderia disputar a prefeitura ou ser o vice de alguém, sem perder o mandato de deputado, que sempre foi um projeto almejado do Bagueira.

Rodrigo Neves ainda alimenta a possibilidade da candidatura da secretária de Fazenda, Giovana Victer, que ainda que pese sua indiscutível capacidade administrativa e talento pessoal, falta a ela o mais importante: votos consolidados. Nunca disputou mandato e para construir uma candidatura deste porte, teria que ter desde já disparado todos os canais para que se torne conhecida e acreditada pelo eleitorado. Ainda que disponha de muitos recursos esta operação demanda tempo e já está atrasada. Outro nome alimentado pelo prefeito é do Axel Grael, que assim como a Giovana Victer, tem o mesmo problema: consolidação de votos. Foi vice-prefeito, continua secretário, é bom de trabalho, mas uma eleição de prefeito demanda muito mais que esses requisitos descritos.

Em outro ponto oposto, embora se apresentem como candidatos progressistas, estão Felipe Peixoto e o vereador Bruno Lessa. São amigos, conversam sobre alianças, e dizem ter um pacto que no momento mais próximo da eleição, irão avaliar quem está melhor de conceito eleitoral e com mais chances. Assim, aquele que estiver maior aceitação popular será o candidato apoiado pelo outro. Poderiam até fazer uma chapa, um sendo vice do outro. Seria inadequado, apesar do aparente peso dessa chapa. Ambos têm perfil de Zona Sul, e caminham dentro da mesma faixa do eleitorado. Necessitam de vices mais afinados com zona Norte. Felipe, ainda que se considerem os desgastes sofridos pela sua passagem com secretário de Saúde do governo Pezão, e de uma ação judicial que em primeira instância o condenou a ficar inelegível por oito anos, tem um recall de quase cem mil votos na última eleição para prefeito. E mesmo lutando e rotulado com imagem de inelegível, candidatou-se a deputado Estadual, obteve na cidade 23 mil votos, e está na 1ª suplência. Pode repentinamente tornar-se novamente deputado Estadual, embora ele declare que não tem qualquer pressa para assumir este mandato. Ele nos disse taxativamente que é candidato a prefeito e nega veementemente a possibilidade de candidatar-se a vereador. Com o seu perfil e história Felipe Peixoto está credenciado para ir para o segundo turno.

Quanto a Bruno Lessa (PSDB), é um excelente vereador, com dois bem sucedidos mandatos e goza de muita popularidade por ser, (junto com o vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL)), o maior opositor do prefeito. Mas, Bruno depende ainda de uma construção sólida dessa candidatura. Ele sabe que terá que financiar-se com o Fundo Eleitoral. O PSDB terá que prestigiá-lo e destacá-lo no cenário nacional, pois uma candidatura como essa demanda recursos muito altos, e o seu partido tem outros interesses. Ele acredita que como o governador João Dória, de São Paulo, pretende candidatar-se à presidência da República, terá interesse lógico de ter um prefeito numa cidade como Niterói, que é o 2º mais importante município do Estado do Rio de Janeiro; embora não seja o maior colégio eleitoral. Niterói tem uma caixa ressonância muito forte e influencia toda a Região Metropolitana. Bruno declarou que será candidato a prefeito e não mais será candidato a vereador. Deseja cabeça de chapa e também necessitaria de um vice com perfil de Zona Norte. Ainda tem muito trabalho a ser feito para desenvolver e efetivar esse desejo.

Existe a provável candidatura do deputado Flávio Serafinni (PSOL). Terá bom desempenho, mas como dizem sempre, tem um teto de votos. Foi terceiro lugar na eleição passada. Se for para o 2º turno suas chances de vencer a eleição aumentam muito.

Ainda, sem confirmação e dependente de decisão partidária, o deputado Carlos Jordy, é também um nome cogitado. Entretanto, ele depende da “Onda Bolsonaro”. Se o presidente tiver bom desempenho até as próximas eleições viabilizará a sua candidatura. Mas, se continuar a perder popularidade e enfrentar outros problemas perderá parte da credibilidade e acasionará prejuízos para integrantes do partido. Candidato do PSL depende do sucesso do líder, da mesma forma que todos os seus fracassos são transferíveis e perigosos.

Existem as candidaturas que são, por hora, apenas desejos de grupos e hipóteses remotas: O empresário, Joaquim Pinto, do Grupo Casa das Fechaduras, tem sido estimulado a concorrer ao executivo. Joaquim é presidente do Conselho da CDL, tem muitas articulações, mas, também carece de reconhecimento popular. Se o grupo que o estimula nessa ideia desejar tornar esta candidatura viável terá que começar a agir imediatamente. Joaquim Pinto nos disse que tem interesse em colaborar para melhorias na cidade, mas que a prefeitura nunca foi um desejo configurado em sua cabeça. Ele é uma espécie de padrinho de Fabiano Gonçalves, atual secretário de Administração Municipal, que fontes menos informadas o reconhecem como candidato em potencial a prefeito. Na realidade, Fabiano é candidato a vereador, e com muita chance de vitória. Na última eleição ficou como 1º suplente, perdendo perdido a eleição por apenas um voto, que se configurou como um caso inédito na cidade e foi injusto com o esforço e trajetória da campanha.

Outras duas candidaturas que se apresentam como possíveis, e já se movimentam nos bastidores: Adroaldo Peixoto Garani, empresário, ex-deputado Estadual (2 mandatos), secretário de Estado, presidente da Imprensa Oficial e diretor da antiga CERJ; depois de muitos anos distante da política, declara-se candidato. Muito ainda terá para construir para retornar à cena. O outro possível candidato é Fernando de Oliveira Rodrigues, que foi vereador e presidente da Câmara de Niterói. Nos últimos anos atuou como juiz de direito em Minas Gerais, e neste momento está se aposentando. Existem muitos apelos para que se candidate. Terá que reavivar a memória popular depois de tantos anos de ausência na cidade.

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