Queimaram a Língua

Não estamos acostumados com a direita brasileira. Acho que sempre quando pensamos em governos de direita, aparecem em nossa mente os militares descendo o cassetete nas cabeças dos estudantes ou simplesmente torturando comunistas.

E é essa imagem que a maioria das cabeças da minha geração tem gravada.

Portanto, posso dizer que a geração atual que grita nas ruas protestando contra a direita, chamando governos eleitos democraticamente de ditadura, que chama o governador do Estado do Rio de Janeiro de assassino, no caso do seqüestro do ônibus da Ponte, é uma geração dominada pela desinformação, embora crítica e aguerrida.

Eles não sabem ou não conhecem bem o que é tortura. Ainda bem.

A nefasta prática da tortura foi o que fez ruir o governo militar pós 1964 e que cresceu absurdamente após 1968; e deu no que deu.

Não acho que devemos esquecer esses episódios tristes pelos quais passamos. Mas, trazer e comparar com o atual governo é uma discussão sem justos paralelos e equivalência, e que ninguém, principalmente alguém com razoável memória como eu, vai se convencer que é preciso derrubá-lo a qualquer custo.

O que depreendo dos governos de direita atuais, como Witzel e Bolsonaro é que estão num embate, com uma oposição vencida e raivosa, mas muito preparada para desestabilizar governos; e numa guerra com a grande imprensa, com as torneiras da publicidade estatal fechada. Nem o que os governos fazem corretamente é comentado. Só existem críticas a apontamento dos erros.

Parece até que estão cultuando uma derrubada de governo para ter notícia e aumentar a audiência.


É impressionante. Eles se esqueceram que no regime militar a censura correu solta? Duvido!

Vi muita receita de bolo impressa no lugar dos editoriais dos jornais. Era a censura. Músicas eram censuradas, peças de teatro eram canceladas no meio da temporada...

Lembro do filme Laranja Mecânica que a censura de forma ridícula colocou uma borra preta sobre a genitália dos atores nus.

Como diz um amigo meu, que é jornalista: “todo jornalista já nasce esquerdista”. Pode até ser se estivermos falando do sentido humanista da profissão. Que não é bem isso... O justo é que todo jornalista é crítico, e não aceita o fato como se apresenta, mais como é apurado.

Assim como o advogado luta sempre por um julgamento justo, com base em preceitos constitucionais, o jornalista luta pelos direitos humanos e contra a miséria no planeta terra.

Antes que escrevam e-mails me detonando, me adianto em dizer que também acho o Bolsonaro sem postura para um governante. Contudo, ele é ele mesmo e não um político que finge ser alguém para ter sucesso.

Bolsonaro foi eleito porque é honesto, sincero até demais; mas, não tem manejo político. É parcial na crítica dos erros dos filhos, o que poderá torná-lo refém das irregularidades. E isso é um prato cheio para aqueles que se esbaldavam no banquete irregular dos governos anteriores.

As críticas estão exageradas demais e todos estão percebendo isso. O brasileiro não é bobo, mas gosta de lutar por sua “graninha” no final do mês.

Há queimadas na Amazônia, sim. Mas elas aumentaram muito mesmo? Um amigo de esquerda me disse via Facebook que a “preocupação está no aumento das queimadas”. Respondi com um gráfico que obtive no INPE e que mostra que nesse ano as queimadas são as menores em muitos anos.

Ele não quis saber. Ele é contra a Lava-jato, contra o Moro, odeia o Bolsonaro... Não consegue enxergar nada de positivo neste governo, grita Lula Livre, delira que Lula é preso político e xinga toda a família Bolsonaro.

Nem o presidente da França, Macron, que foi desmentido e abandonado em suas teses sobre o Brasil no G7 (isso a grande imprensa não publica), pensa assim. Afinal, lutar contra quem luta contra a corrupção parece ser algo, no mínimo esquizofrênico.

Macron queimou a língua, assim como, Bolsonaro também fala cotidianamente pérolas impublicáveis.

Acabo por me lembrar da época do governo militar: quando um jornalista fazia uma pergunta ouvia um sonoro “nada a declarar”. E ficava por isso mesmo!

Prefiro um ogro honesto que um bandido simpático e que fala o que quero ouvir.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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