Que País é Este?

O escritor Juremir Machado Silva disse: “As sociedades precisam de mitos. Mas também precisam de História. Essa é a complexidade nossa de cada dia. Há coisas que são antagônicas e complementares. O cotidiano precisa de publicitários e de sociólogos, de escritores e de historiadores. Uns produzem mitos que funcionam como um ‘cimento social’. Outros, igualmente úteis, fazem a ‘desconstrução’ dos mitos quando eles se tornam excessivos ou monolíticos. Para cada mágico, há um ‘Mister M’. Somos movidos pela libido da verdade e da discussão. A verdade é um horizonte fugidio. Ninguém é dono dela. Cabem muitas perguntas: quem foi indenizado pelo império ao final da revolução? Quem foi acusado de corrupção? Por que houve ruptura interna? Como pode ser realmente abolicionista uma revolução cujo ‘cérebro’, Domingos José de Almeida, vendeu negros no Uruguai para financiar parte do movimento (comprando fardamento, cavalos e mantimentos)”?

Este é o panorama que herdamos e nele vivemos a nossa “restrita plenitude”. Tomamos por referência ídolos sem valor e reverenciamos um Duque de Caxias como herói e símbolo da rigidez moral, mas, que guerreou com armas de fogo contra um exército de paraguaios, descalços, de chapéus de palha e armados de facão. Assim se construiu um herói, e se fez um genocídio em nome da honra e da pátria. Agraciamos com comendas e medalhas pessoas não qualificadas e rezamos para deuses duvidosos ou inexistentes. Quantas vezes nos perguntamos: que país é este?

Estamos vivendo um momento fronteiriço na página da integridade nacional. O mensalão, desastroso exemplo de banditismo e deslealdade, serviu-nos de parâmetro e põe em cheque as maiores autoridades da justiça brasileira. Uma Corte construída por métodos falhos e duvidosos na sua prática final, mas que por pressão popular, por estagnação moral e necessidade de ser verdadeira, começa a apontar para direções inesperadas, não menos justas por isso. Os tranquilos réus, já se removem dos seus confortáveis lugares, pela ameaça à vista, de sentenças já proferidas onde o culpado será culpado, mas, com penas prescritas, aliviadas, desviadas de função... Poderão existir culpados, ainda que precisemos ter cautela em relação à execução final das penas. Já passa da hora de assumirmos nossas dificuldades e revelarmos as nossas faces mais hipócritas. Temos um país onde é fácil se negociar e colocar no poder um Luiz Ignácio Lula da Silva, e vivermos a maior farsa que este país já viveu, mesclada com alguns acertos para mascarar a cena. Não se pode dizer que o governo Lula foi um fracasso total, pois muita estrutura pronta anteriormente, foi inteligentemente usada por este grupo de pessoas. Eles se instalaram, aparelharam todo o país, mentiram tanto que acreditamos ou engolimos que Lula nada tinha a ver com o mensalão. Obviamente, ninguém conspira na sala ao lado sem que o mandatário não saiba ou finja que nada sabe. Apesar disso, a Receita Federal ainda aperta e fiscaliza com rigor, profissionais liberais, pequenos empresários e outros sofredores, que funcionam como massa de manobra e justificativa de trabalho, além de contribuírem com a pesada carga de impostos que sustenta esta parafernália brasileira. Apesar disso, quando a Receita Federal fiscaliza os profissionais liberais, o filho do Lula subitamente enriquece. Como aquele “gênio das finanças” conseguiu tal proeza, enquanto tantos técnicos e letrados doutores nada conseguem. Certamente dirão que foi sorte. Afinal esse é um país de “mágicos, ilusionistas e místicos”. Somos todos um rebanho de carneiros manobráveis, pacíficos homens que trabalham, sequiosos de segurança, saúde e educação.

Na contra mão de tudo, oferecem medalhas de Machado de Assis ao Ronaldinho Gaúcho (oferecida pela Academia Brasileira de Letras) e dão titulo de Doutor ao semianalfabeto Lula da Silva. Ele, quando no poder, nomeia para ministro do Supremo Tribunal um advogado que não passou num concurso para juíz. Mesmo assim, o Toffoli virou ministro. O agravante é que sendo um ex-comandado do José Dirceu, não se declarou impedido para julgá-lo no “Caso do Mensalão”.  Nomeado por Lula, o “ministro assessor” declara amor a seu chefe supremo. É uma questão de formação e índole, pois outros ministros foram nomeados por Lula e se comportam com lisura e à altura da investidura recebida. Num outro plano, as organizações criminosas ditam ordens para as autoridades que  olhando de lado, obedecem e dizem em voz alta que eles não existem. Vociferam: “não há poder paralelo!” Entretanto se apresentam como defensores da lei, mostrando televisivamente 3 ou 4 marginais que eles sabidamente protegeram e um dia, convenientemente traíram. Não há possibilidade de nos presídios circular tanta droga e extorsão, sem a anuência de maus agentes. Não há como tapar o sol com a peneira. Há conivência, conluio e hierarquia. Tem quem manda e tem quem obedece. O resto é para “inglês ver”. E o povo de rua, cada vez mais crescente. E falam em serviços sociais? Onde, em que lugar deste país? A mistura é tão grande que existem mendigos usando computadores e doutores morando nas ruas. Virou de cabeça para baixo e insistimos que está tudo bem? Bem para quem? Estamos numa cidade de meio milhão de habitantes, temos problemas idênticos a de cidades de muitos milhões. O nosso contingente de desabrigados, mendigos e sem-saída é maior do que de cidades maiores. Vamos pensar com cabeça de gente grande. Em quem vocês estão pensando em votar?

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

2019 | Design By Stilo