Que Eleição é Esta?

As leis e normas eleitorais do nosso país foram elaboradas pelos grupos dominantes e por consequência favorecem aos interesses destas pessoas que através destes instrumentos se perpetuam no poder. É inteiramente desigual qualquer disputa eleitoral neste país. Não se pode ter a expectativa de mudança quando sabemos que na hora exata da disputa, o encaminhamento será dirigido aos grandes grupos, que se revezam e de alguma forma se intercomunicam, fazendo uma espécie de “ação entre amigos”, preservando seus feudos.

Que alternativa tem partidos como PSOL e PSTU? Se não for através de uma militância aguerrida e incansável, jamais chegarão ao grande poder.Conseguem, a duras penas, eleger representantes para cadeiras legislativas, mas têm grande dificuldade de assumir postos executivos, como prefeitos e governadores. Presidência da República é algo inimaginável, como a certeza da distância imposta pelos poderosos. Não despertam interesse da grande mídia, pois não são bons anunciantes. E assim, dificilmente conseguem ser vistos e até compreendidos. O ex-vereador Paulo Eduardo Gomes disputou em desvantagem duas eleições para prefeito. Fez o papel de soldado indo para o sacrifício. Desta vez, disputará uma cadeira no legislativo. Certamente, será um dos mais bem votados neste pleito.

Trazendo para uma realidade mais próxima e considerando um colégio eleitoral que não atinge 400 mil eleitores, como é o caso de Niterói, as dificuldades se mutiplicam. A razão é de fácil entendimento: não há chance de diluição e dissiminação de novos conceitos, numa sociedade que praticamente todos se conhecem e se interligam, com resquícios de intimismo bairrísta, onde seus personagens são tratados por diminuitivos, do tipo, Jorginho, Serginho, e outros “inhos”, como se fosse um reduto escolar, reunidos numa grande quadra para a disputa entre dois times da mesma classe.

Temos como balizador uma lei eleitoral que privilegia a legenda partidária e não o desempenho de candidatos individualmente. Na eleição passada para vereadores, candidatos como Tânia Rodrigues e Marival Gomes, tiveram expressivas votações, aproximando-se de 4 mil votos, numa eleição que se tenha mil votos é um ato de afirmação eleitoral indiscutível. Entretanto, devido às regras do jogo eleitoral, não foram eleitos, enquanto João Gustavo, do então PMDB, elegeu-se com pouco mais de 2.800 votos. Para quem não entende, a eleição de um candidato se faz a partir de um certo número de votos dirigidos à legenda partidária, e dali , no meio de todos os candidatos daquela entidade, elege-se o que tem o maior número de votos. Ou seja, se um partido atinge na soma de todos os seus candidatos 14 mil votos, somando-se 500 de um, com 800 de outro e assim sucessivamente, aquele que na disputa interna atigir , digamos 1 mil votos, está eleito. Ainda que nesta votação tenha outros candidatos de outros partidos com 4 mil votos; apesar de que a eleição nestes partidos, ou coligações proporcionais de grande votação, elegeram-se os mais votados acima destes 4 mil votos citados.

Na prática, seria mais justo que entrasse quem tivesse mais votos. Esta é a manifestação expressa do povo. Venceria quem tem mais, independente de legenda ou colaboração partidária.

Daí, criou-se a figura do puxador de votos. Na eleição passada, Chico Alencar do PSOL, atingiu uma votação de mais de 140 mil votos. Com estes “votos de sobra” elegeu Jeam Willis com aproximadamente 12 mil votos, para deputado Federal. Seria esta a expressão real da vontade popular? Do Chico Alencar, Wagner Montes, Antony Garotinho e outros, não há dúvidas. Foram eleitos por expressiva e maciça vontade do povo.

O deputado Marcelo Freixo foi o mais votado da cidade de Niterói, mas, vai disputar eleição da prefeitura do Rio de Janeiro. Faz o jogo partidário para alcançar metas mais audaciosas, visto que não conta como outros grandes partidos das mesmas condições, como tempo de TV e volume de recursos do fundo partidário.

Esta é outra questão que perpetua quem está em grandes agremiações. O PSD é o mais novo partido, mas, começa muito forte por ter agregado à sua legenda integrantes com mandatos. Esta soma de mandatos é determinante para obtenção de fundos e tempo de TV. Como foi formado recentemente, inicialmente iria participar desta eleição sem os benefícios de um grande partido, por considerações legais, inclusive a de que o mandato pertence ao partido e não ao candidato. Daí, uma discussão jurídica se formou para estabelecer se os deputados que vieram de outras legendas trazendo o mandato, era ou não aceito como legítimo. Por fim, os tribunais deram ganho de causa ao novo partido e ele já começa nesta eleição como um gigante, com fundos partidários e tempo de TV,  o que faz uma imensa diferença. Já começa maior e mais poderoso do que muitos, especialmente, o PSOL e PSTU.

Em Niterói, os partidos e coligações maiores darão a tônica da disputa, cada um com seus “poderes” numa disputa que está sendo aguardada como uma das mais difíceis. Três candidatos de grandes partidos, disputam a vaga de prefeito.

Existe popularmente um temor de judicialização da campanha, com a dissiminação de “informações de corredores” sem nehuma comprovação, especialmente divulgadas por membros obscuros de outras campanhas que esta eleição será decidida no judiciário, numa clara intenção de desqualificar a campanha do deputado Sergio Zveiter, que até a presente data se comporta com elegância e sem ataques a outros candidatos. Esta é uma forma de minar a campanha do Zveiter atribuindo a ele, por ter o seu irmão, o desembargador Luiz Zveiter, na condição de presidente do Tribunal Regional Eleitoral, intenções de pelejar em áreas não eleitorais. Esta é uma falação sem sustentação, visto que o próprio desembargador já declarou-se impedido de julgar questões relativas à Niterói por este claro impedimento legal e ético. O candidato Sergio Zveiter é um outro candidato, comparando-o com aquele que disputou contra Jorge Roberto Silveira em 2 mil. Está mais maduro e politicamente mais preparado. Temos certeza que não se utilizará de meios judiciais, para resolver aquilo que se deve resolver no voto.

A dissonância, por enquanto, se dá no discurso do candidato do PT, Rodrigo Neves, que tentando parodiar o Lula, diz que vai ser “Rodrigo, paz e amor”. Entretanto, por razões psíquicas e comportamentos emocionais cristalizados, ele não consegue. Sempre que pode dispara ataques e subterfúgios a outros candidatos.

Felipe Peixoto e Sergio Zveiter são amigos e se respeitam, Fizeram, inclusive uma dobradinha eleitoral, nas últimas eleições para deputado, o que assegura a tranquilidade e o respeito nesta disputa. Vai ganhar quem mais souber conquistar o eleitor e contar com equiparados meios de sustentação.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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