Professores: Uma Novela Sem Audição

Os Professores Municipais de Niterói continuam em movimento de greve e em luta por melhorias de condições de trabalho e melhores salários. Segundo o SEPE, instituição que representa a classe, a situação de impasse persiste por faltade diálogo com a municipalidade nos mais diversos níveis, especialmente nafigura do prefeito Jorge Roberto Silveira, a quem os professores acusam de fugir do diálogo para um possível acordo.

Inicialmente, eles foram ouvidos pelo presidente da Câmara dos Vereadores, vereador Paulo Bagueira (PPS) e pelo vereador Vitor Junior (PT), onde inicialmente parecia ser um canal de negociação. Posteriormente, conseguiram marcar uma audiência com o prefeito. No dia do encontro, o prefeito Jorge Roberto Silveira, não compareceu, e segundo as justificativas, estaria muito magoado por agressões e afirmações jocosas em redes sociais na internet. Os professores se defendem, negando a autoria destas agressões e que a internet é impoliciável e disponível para qualquer pessoa. Eles refletem que o movimento dos professores é voltado para questões de classe e não envolve disputas políticas ou tendências partidárias.

O movimento indignado invadiu a Câmara dos Vereadores protestando contra a recusa do prefeito em ouvi-los, interrompendo uma audiência pública em que se discutia o aumento do número de vereadores. No instante da invasão falava na tribuna o presidente do PSDB, Silvio Lessa. Ele propôs ao presidente Paulo Bagueira que recebesse uma comissão para acolher a denúncia da ausência do prefeito e conseguir dar prosseguimento a sessão. O presidente se negou a abrir novos entendimentos, alegando que já o fizera. O movimento dos professores insistiu sob gritos de “educação parou, interrompendo definitivamente a sessão.

Disse Nair Martins: “O SEPE é uma instituição de defesa dos professores. Qualquer afirmação de neutralidade é falsa. Temos sempre que escolher um lado; e o dever do SEPE é estar ao lado dos professores. São muitas tendências, colorações e preferências partidárias, mas, no desejo pessoal de cada um. A nossa questão está voltada para a classe. Não temos a intenção de radicalizar com manifestos jocosos e desrespeitosos. A nossa posição é de inteira seriedade. Se o prefeito ficou magoado, é por questões pessoais dele. Se alguém consegue atingí-lo é porque ele se deixa atingir. Não somos nós que vamos por a perder uma negociação com personalização da questão. Somos múltiplos, conscientes e voltados para nossa necessidade. Só isso. A entidade também entrou com uma representação no Ministério Público para que sejam abertas as contas da Fundação Municipal de Educação, que segundo os professores não tem transparência e não atende aos objetivos da sua existência.

Está marcada uma nova assembléia no próximo dia 14 de setembro, na Faculdade de Enfermagem da UFF para decidirem os rumos do movimento. A cidade assiste a tudo, ávida de uma solução satisfatória para que os alunos da rede não fiquem sem aulas.

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