Prenúncio do Caos

As cidades brasileiras, com muita certeza, não conseguirão sucesso no futuro. Escrevo pensando na qualidade de vida, que a cada dia se comprova, está em livre processo de detrimento.

Nossos pais viviam uma vida muito melhor, mesmo sendo uma vida mais simples, com quase zero de tecnologia, quase zero em saúde pública e outras ausências de serviços básicos.

Lembro que nos anos 60, por exemplo, o bairro de São Francisco, em Niterói, nem possuía asfalto em suas ruas. Muito menos saneamento básico. Mas tinha paz.

A falta de planejamento do brasileiro já é algo reconhecido no mundo inteiro, assim como, a falta de punição para crimes escancaradamente provados e com os criminosos identificados. Nosso país virou destino internacional de assassinos e ladrões.

No passado, as nossas cidades, devido à cultura portuguesa, possuíam ruas estreitas, nenhum sistema de esgoto. Água potável (!) somente nas fontes públicas, que muitas vezes também serviam para banhos e para matar a sede de burros que circulavam por aí. E, basicamente, continuam assim até hoje.

O país foi trilhando o seu caminho com base na cultura Americana do carro, mas as ruas e projetos urbanísticos nunca saíram do modelo “Fusca”. O resultado foram projetos com ruas estreitas (para Fusca), garagens estreitas (para Fusca)... E isso continua até hoje!

A falta de planejamento combina com irresponsabilidade da administração municipal. Assistimos barracos sendo construídos a 20 cm das ruas, com o total descaso dos fiscais e total omissão do CREA. Isso aconteceu também em Niterói, na Estrada Francisco da Cruz Nunes, em Itaipu, com construções que “deixaram” fazer ao lado da estrada. O resultado é a existência de um movimentado sinal para pedestres junto com uma parada de ônibus em uma pista simples: engarrafamento. Agora, milhões estão sendo gastos para alargar uma estrada que nem precisava ser alargada com esse custo tão alto, se fossem respeitados os recuos legais.

Na verdade, somente o cidadão que paga imposto é que respeita as leis urbanas, ou pelo menos, se vê obrigado a respeitá-las diante dos vários fiscais que prontamente comparecem para aplicar a sempre confusa e gigante legislação municipal.

Experimente construir um telhadinho de 2m² sobre a sua churrasqueira que fica nos fundos de sua casa em Itacoatiara para você experimentar a “visita” dos “guardiões do licenciamento municipal” e fiscais ansiosos do CREA, do INEA e de ONGs ambientais. Todos se acumulam na frente do seu portão com papeis nas mãos.

Agora, vai construir a mesma coisa no Cantagalo, comunidade da mesma Região Oceânica da cidade e ninguém, mas ninguém mesmo, irá comparecer para perturbar o seu “puxadinho”, sua comemoração de “bater laje para churrasqueira”...  Pois, distantes ficarão os ficais da prefeitura e do CREA. É o exemplo de sociedade que vivemos, porque, salvo melhor juízo, quem pode pagar já é visto como “safado” até pelo poder público.

Com isso tudo, sem as construções ilegais na cidade dos ricos, continuamos sem o mínimo de planejamento, circulando em engarrafamentos diários porque não construímos túneis ou viadutos, e lutamos como verdadeiros gladiadores com as centenas de ônibus nas ruas estreitas, com sinais sem sincronização, desviando de buracos, brigando pelo espaço dos camelôs nas calçadas, enfrentando flanelinhas que dominam a cidade... Ah!  que coisa horrível!  Isso na cidade com ótimo IDH. Estamos fritos!

Pelo menos os nossos bueiros não começaram a explodir!  Ainda...!

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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