Polarização Política: O Prenúncio do Caos

No início era apenas uma estratégia política da esquerda para marcar espaço e angariar simpatias, dividindo o eleitorado como se fossem torcidas de futebol. Era o famoso “Nós Contra Eles”. Acusando quem não estivesse alinhado ideologicamente com aquele “pensamento ideológico único”, de opressores do povo, impiedosos exploradores dos trabalhadores, capitalistas corruptos, fascistas, torturadores, direita criminosa, e uma imensa lista de adjetivos desqualificantes.

Embora o tom do discurso parecesse rudimentar, liderado por um grupo aparentemente pouco instruído, de linguajar muitas vezes chulo, (para se nivelar por baixo e alcançar o chamado “povão”), era muito mais que isso, e dissimuladamente se infiltraram nas escolas e universidades, e em inúmeros centros de formação de cultura e informação. Eram intelectuais trabalhando as idéias de Antonio Gramsci, líder e co-fundador do PCI (Partido Comunista da Itália) que criou teorias políticas, onde a estratégia de domínio não se faria através das armas e da força bruta. Tratava-se de criar meios para obtenção de uma hegemonia cultural. Ou seja: nada de confrontos armados, mas, muita disseminação de idéias, convencimento e a busca igualitária através do conhecimento de uma espécie de “pensamento único”. Uma padronização de raciocínio instalada e cristalizada.

Daí, de forma sofisticada e sorrateira eles entram pelos centros de ensinos, “fazendo a cabeça” de uma geração inteira, que se tornaram intelectualmente “soldados desta dominação”.

Isto no Brasil começou disfarçadamente no governo de Fernando Henrique Cardoso e se intensificou com mais racionalização nos governos Lula. Luiz Ignácio Lula da Silva, percebendo a oportunidade criou formulas adaptadas e o “Nós Contra Eles”, ganhou expressivos números de adeptos. Tudo ia muito bem, enquanto projeto de poder, até a descoberta do assalto indiscriminado aos cofres públicos. Com a descoberta do Mensalão tudo começou a ruir.

Lula utilizava os recursos públicos para seus projetos pessoais com tamanha desenvoltura e falta de limites, que perdeu a noção do perigo. Considerou que tudo era possível e de propriedade do “seu sistema”. A apropriação indébita foi tão grande, indiscriminada e individualizada, que enriqueceu, não apenas Lula e seus dirigentes, mas uma gama imensa de petistas e aliados.

Hoje amargamos todas as dificuldades econômicas (que ainda vão durar anos), e o pior de tudo: conseguiram a divisão da população, sendo um verdadeiro nós contra eles.

Hoje, com o evento das Redes Sociais, tudo fica mais perto e entrelaçado. As pessoas falam mais o que pensam, se expõem muito mais, mostrando inclusive fraquezas; e o confronto ideológico se acirra cada vez mais. Não nos dividimos e nos associamos mais por afinidades, por categorias profissionais, por patamar social e nível de instrução. A questão agora é: de que lado você está? Amizades de muitos anos, afetos de amigos de infância, colegas de profissão, membros da mesma instituição cultural, social, clubes de serviço, tudo é esquecido e se desfaz quando um dos lados percebe a manifestação do pensamento, que não coaduna com os seus ensinamentos e práticas. Há uma espécie de milícia intelectual, quando alguém expressa uma tendência, um pensamento ou intenção. Se não estiver de acordo com aquele “pensamento único” é visto como ameaça grave e é combatido como um inimigo de guerra.


O fato da descoberta da maquinação criminosa, que eles chamam de expropriação (e não se sentem culpados, e mais ainda, se acham certíssimos por tudo que fizeram) é assustador. As milícias da esquerda despertaram as milícias da direita, que já se exarcebam e passam para a extrema direita, que agem tão irracionalmente quanto os extremistas de esquerda. Uma reação compatível a necessidade de defesa. Os milicianos da esquerda falante são treinados a negar obsessivamente todos os crimes. Negam a existência de provas cabais, desqualificam até os próprios companheiros que fizeram delações, rejeitam até as mais obvias confirmações e provas dos delitos. Dizem tratar-se de invenções, provas forjadas, de inexistência de evidencias; e exaltados chegam a negar a existência do “Foro de São Paulo”. Afirmam que isto nunca existiu. É pura invenção da direita! O objetivo é dissipar e despistar a verdade, confundir as pessoas de menos informação, na esperança de um dia poderem cooptá-las.

Estas pessoas, aparentemente treinadas para seus objetivos, introjetaram os ensinamentos de tal forma, que não percebem que mentem compulsivamente. São tão parciais que perdem a noção da realidade. Apenas repetem palavras de ordem como um exército de Zumbis. Uma sensação de “The Walking Dead”.

Por sua vez, os “pensadores da direita”, percebendo o nível do confronto, desceram o nível e usam contra eles as mesmas armas. A indústria de notícias falsas e tortas tendem a acirrar o conflito.

O pior disso, é que quando duas pessoas tentam uma conversa civilizada, respeitando as diferenças de crenças, são invadidos por militantes das duas alas que deturpam tudo, arrastando para dentro do caldeirão de conflitos aqueles dois que tentavam uma conversa esclarecedora e amistosa, ainda que sejam diametralmente opostos.

As Redes Sociais se tornaram insuportáveis e palco de confrontos. Aquilo que foi criado para unir e socializar tornou-se um campo de guerra e uma grande parcela dos usuários pisa manso e com receio de exposição. Recolhem-se e deixam as suas verdades nos seus armários intelectuais, temendo serem envolvidas num confronto e não estão preparadas para enfrentar.

A grande questão disso tudo é que a verdade está sendo torcida e convenientemente apresentada pelos dois lados. É tanta mentira e negação que já não se sabe exatamente o que é real ou não. Com a perspectiva da liberação de Lula da cadeia eles acirraram e intensificaram suas inamistosas atividades. É como se beirassem o caos e agora estão indo para um “tudo ou nada”.

Esta semana constatamos vários confrontos nas Redes Sociais e muitos são tão absurdos que não tem qualquer lógica. Vimos uma pessoa que republicou uma matéria da Revista Veja, onde dizia que Lula forneceu ajuda financeira a países africanos, na grande maioria ditaduras; e a matéria mostrava uma foto do Lula com seu embaixador Celso Amorim , e mais o ditador africano. Nada mais que isso. A mulher entrou no post dizendo que a pessoa que replicou a notícia poderia ser processada por racismo. Buscamos entender a lógica desesperada e insana que aquela podre miliciana petista queria alcançar. Por acaso, seria crime de racismo, por ser o ditador da foto africano e negro? Não havia qualquer referencia a raça na matéria, quanto mais, a intenção de quem replicou a matéria. Disse-nos um analista: “petista desesperado, se lhe convier, vê chifre em cabeça de cavalo. Se não existe argumento plausível, usam qualquer um, ainda que seja o mais absoluto absurdo. O que eles desejam é desqualificar qualquer notícia contraria e criar panoramas que possam ser positivos para suas investidas de convencimento ideológico”.

Ou seja: nesse, momento de altas temperaturas no confronto ideológico, está valendo tudo, até difamar a mãe do outro, e romper laços familiares.

É lamentável e muito perigoso para a nação. Quando percebemos um grande grupo da esquerda que quer ganhar de qualquer forma, e somente a vitória interessa, farão qualquer coisa para obtê-la. Aí percebemos que estamos de frente para um exército suicida. Algo como os Kamikazes japoneses da 2ª Guerra Mundial.

O risco de correr sangue no país é imenso.


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