Pesquisas Municipais: Um Mal Necessário?

Estamos num momento eleitoral na nossa história sem precedentes, incluindo os mais antigos. É uma situação inusitada, e estamos todos sem dinheiro e batendo cabeças. Com exceção do candidato da situação em Niterói, o Axel Grael, que tem a seu dispor a máquina da prefeitura, com seus “colaboradores comissionados” e mais um imenso contingente de “assessores”, as campanhas estão economicamente mais ou menos equiparadas. Ou seja: na penúria mesmo. O único candidato que se destaca um pouco mais na robustez econômica e financeira e o delegado Deuler da Rocha. Aparentemente está mais folgado, o que talvez explique a presença do seu vice de chapa. Mas, também não é nada demais... Está apenas aparecendo mais, onde se sabe que tem custos.

A tal verba pública de campanha, ninguém sabe, ninguém viu... Somente os caciques têm acesso.

Temos ainda uma inusitada campanha curta. É um tiro de cem metros, numa raia apertada numa piscina rasa. Não dá tempo para olhar para o lado para reconhecer o concorrente. Estão todos batendo os braços num cimento quente com dois centímetros de água. Peixes fora d”água.

Nesse cenário atabalhoado onde a propaganda de TV é feita num canal que quase ninguém vê, e os debates online são vistos por 150 pessoas em média, tem-se a falsa ilusão da divulgação de idéias nas Redes Sociais. São tantos algoritmos minimizantes e limitadores nessas redes, que se não tiverem dinheiro para gastar (e tem que ser soma robusta), vão todos alcançar a uns cinqüenta “amigos”.

Aí, nesse momento caótico, surge uma informação com ares absolutos. Uma “pesquisa” feita por telefone, com 500 entrevistados. Aponta números estratosféricos para o candidato da situação, e o segundo colocado lá embaixo. Coisa de 38 a 12 por cento.

Em primeiro lugar, pesquisa não significa um veredicto absoluto. A pesquisa é feita para apontar tendências, e dependendo da metodologia pode alterar dados de um para cem.

É simples: se a pesquisa é feita dirigida a um público específico convenientemente, vai dar o resultado esperado. Mas, qual é a vantagem dessa manobra? Simplesmente induzir o eleitor a erro. É querer sugerir que o candidato tal já ganhou e não há alternativa possível para reverter a realidade.

E como funciona psicologicamente? Somos todos, culturalmente, dirigidos para vencer sempre; a nossa sociedade ocidental prega a competição, as medidas do vencedor e perdedor como objetivo para a felicidade. A nossa satisfação é baseada em vitórias. Ninguém quer estar aliado ao perdedor. Aí, vem a conveniente medida de um marketing safado, rotular de perdedor a quem ameaça ganhar a competição. Esse raciocínio é sórdido, mas é verdadeiro. Inconscientemente o eleitor também quer ganhar a eleição. Aí, esta pregação do “já ganhou” atrai muitos incautos, sem juízo crítico e sem informação a se aliar e votar no “vencedor”.

Essa pesquisa apresentada pelo Instituto GERP tem muitas dúvidas. Não apresentaram a metodologia, localizações e números convincentes. Nenhuma pesquisa se sustenta contrariando as vozes da rua. Se formos para as ruas, como estamos sempre, e sentimos o pulso das vozes, a realidade é outra. A pesquisa contradiz a tudo que está corrente nas ruas. Não há possibilidades de tamanha distancia entre os três melhores cotados, e seguidos de mais dois, crescendo nas preferências. Nos não queremos acusar a pesquisa de falsa, mas é controversa e falha.

Analisando os fatos perguntamos: se é uma pesquisa feita por telefone, qual foi o critério de escolha dos entrevistados. Já não existe mais as antigas listas telefônicas e números fixos. Então, já não se pode ter os números e classificar a região. Número de celulares com prefixo 21 não são referência para Niterói, desde que outros municípios do entorno, incluindo o Rio de Janeiro, também possuem prefixo 21. E como conseguiram os telefones de Niterói? Pegaram uma lista de cartão de crédito? Mas, era do mesmo bairro, região? Dá margem a suspeições fatais com tantas contradições.

Identificamos um caso de um telefonema dizendo ser do Instituto GERP. Ligaram para o número do marido de uma moça e a pessoa se apresentou como pesquisadora disse que gostaria de fazer umas perguntas. O marido questionou o fato de onde tinham conseguido o número do celular. E era confuso, pois buscavam a mulher no telefone do marido. A pesquisadora respondeu que não poderia dar informações. Mas, o mais intrigante é que a mulher buscada é funcionária da prefeitura de Niterói. Confusa a pesquisadora desligou. Será que existe algum funcionário da prefeitura que “pesquisado” vai dizer que vota na oposição?

Vamos aos fatos objetivamente: na eleição passada este mesmo instituto apresentou uma pesquisa onde Rodrigo Neves ganharia com larga margem do opositor Felipe Peixoto. Isso não aconteceu e foram para o segundo turno com uma margem muito apertada. Rodrigo venceu no segundo turno por pequena diferença.

Desta vez, colocou o Axel Grael com 38% das intenções de voto e Felipe Peixoto com 12%. É mais que três vezes, e isso não é o que se ouve nas ruas. Felipe tem história na cidade. Já foi para o segundo turno duas vezes. Não dá para Axel Grael, novato numa eleição como esta, mesmo com toda máquina, esmagar o Felipe dessa forma.

Ainda existe o Flavio Serafini que cresce diariamente e o colocaram apenas com 8% das preferências. Na pior das hipóteses ficará em terceiro lugar; A campanha do Deuler da Rocha se expressa nas ruas, e apesar de ser um desconhecido da maioria dos niteroienses traz um apelo por ser delegado Federal, apesar de que depois da nefasta experiência do juiz Federal Witzel, caiu por terra a credibilidade e assertiva dessas classificações. Mas, de qualquer forma é uma campanha que vibra nas ruas e tem a propriedade de dividir votos.

Existe ainda a simpática campanha feminina da professora Juliana Benício. Vai ter votos? Vai sim! É um partido como diz a sigla “Novo”. E ela é preparada, fala bem, tem carisma e é muito simpática. Está na disputa com dignidade.

Enfim, essa conta da pesquisa não bate!