Pesquisas Eleitorais: Tendenciosas?

Não que tenhamos feito uma pesquisa, nos moldes exigidos pela lei, mas, checamos dados e por experimentação, saímos pela cidade a perguntar, em tese, o que perguntam os pesquisadores dos Institutos de Pesquisas. A única conclusão segura que chegamos é que uma questão de metodologia. Se concentrarmos as perguntas em locais onde existe anuência ou mesmo simpatia por um determinado candidato, naturalmente o cidadão vai figurar muito bem. Ou, feito as avessas, vai dar tudo errado.

Não estou querendo chegar ao limite de afirmar que as pesquisas mentem ou estão a serviço de determinados candidatos, mas, o benefício da dúvida nos cabe, pelo menos para um questionamento e esclarecimento da verdade, que é uma das funções do repórter.

É claro que convém ao pré-candidato a prefeito do PT, deputado Rodrigo Neves, que seu maior opositor e seu ídolo, prefeito Jorge Roberto Silveira, tenha grandes índices de rejeição. Até aí, tudo bem... Mas, encontramos alguns furos ou divergência nos dados. Que fique claro que não estamos fazendo a defesa do prefeito, até porque não temos a intenção, nem procuração ou qualquer outro motivo, a não ser de por a discussão num patamar de verdade para esclarecer os nossos leitores, que é com quem temos compromisso.

O prefeito Jorge Roberto tem índices de rejeição sim. E é natural que tenha, depois de um longo desgaste de 20 anos de atuação e liderança numa mesma cidade. Insatisfeitos sempre haverá... Assim como adeptos e até novos adeptos, que aparecem com a renovação das situações políticas. Mas, não encontramos estes tais 70% de rejeição que tanto divulga o seu opositor sem dó e sem segurança para vencê-lo. O que encontramos foi um povo indeciso, muitas vezes apático e sem opinião formada; e alguns, diga-se de passagem, antigos eleitores aborrecidos por terem suas expectativas contrariadas. A situação de indecisão é tanta que alguns se colocam contra, mas com uma porta aberta para a “reconciliação”, desde que o Jorge faça isso ou aquilo. Ou seja, se forem atendidos nos seus pleitos votarão novamente no Jorge. Tem gente zangada e ruidosa, que mais parece paixão de traído (a). É como se tivessem depositado no Jorge Roberto todas as suas aspirações e desejos e o fato não acontecido do que esperavam gerou desapontamento, raiva e fúria.

Sempre preferi tentar acalmar as minhas namoradas cegas de paixão e esbravejando aos quatro cantos do mundo, a ter que enfrentar as frias decididas com texto pronto. A ira convulsiva significava que eu ainda “estava no páreo”. Elas ainda me amavam, e se brigavam, é porque queriam resgatar o seu amor fugido ao controle. E que me perdoem  o cabotinismo, mas de caso de amor, eu me arvoro a entender.

Descobrimos o mote da coisa. Jorge Roberto veio muito bem, realizando um excelente governo no primeiro mandato, passou o comando para João Sampaio que foi excelente prefeito e deu seguimento e ainda acrescentou feitos ao governo do mesmo partido. Voltou Jorge Roberto, ungido por seus próprios feitos e virou um mito.

Aí a coisa esbarra! A expectativa do eleitor deixou de ser dirigida a um governante para ser cobrada a um mito, mas de carne e osso. Durante estes governos, também existiram erros, desacertos e até alguns colaboradores “deslizaram”... Mas, nada era visto, quantificado ou mesmo desqualificado. O que valia era a soma: o saldo foi positivo, todos aplaudiam, quando não reverenciavam.

Um fato é imbatível e inquestionável: o patrimônio do Jorge Roberto Silveira é imaterial!

Vamos voltar no tempo, antes de Jorge. Tínhamos uma Niterói provinciana, acanhada, com conceitos e alta estima lá em baixo e motivo de troças e chacotas para os cariocas, ou além-fronteiras. O grande mérito de Jorge, e que ninguém pode tirar, é que ele mudou o conceito interno e a auto-referência do niteroiense. As pessoas passaram a ter orgulho de ser de Niterói. Pelas mudanças na imagem da cidade, na cultura, no comportamento e na alma de cada um. Deixamos de ser um “Bando de Araribóias de pé sujo”, “onde urubu voava de costas”, como tanto desdenhou o Stanislaw Ponte Preta. Não tínhamos mais que emplacar os carros no Rio, com vergonha de ser de Niterói e parecermos suburbanos fracassados.

Niterói com o seu MAC, tão combatido a princípio, virou cartão postal do Rio e depois do Brasil no exterior. Quem viaja sabe... Lá fora a imagem de Niterói é respeitada e até reverenciada como celeiro cultura e de arte. Hoje somos vistos por aquilo que já éramos, mas ninguém tinha feito a ligação. Somos a cidade dos grandes músicos, dos pintores, escritores e atores.

Alguém já se perguntou por que tanta gente “importante” mora aqui? E esta estória de maior renda do país, que tanto atrai investimentos e bandidos de lambuja?

Fico pensando... Será que em 10 acertos, quando erramos um ou dois, invalidamos tudo? Os oito ou nove nada valem?

O que não posso aceitar é ver um menino que tem vergonha da sua origem por ter nascido em São Gonçalo... Qual é o problema de ter nascido em São Gonçalo? Nenhum, exceto o da atitude intencional de enganar, infiltrar-se para parecer legítimo. O Rodrigo Neves disfarça sempre e não enfrenta a verdade.

Eu nasci na Bahia, em Salvador de Todos os Prazeres, e tenho muito orgulho disso, mas moro há tanto tempo aqui, que sou niteroiense, muito mais que muita gente que se diz ou faz parecer. O problema é de coerência. Rodrigo Neves é inseguro, pretensioso, sem consistência, sem maturidade ou equilíbrio para governar um patrimônio grandioso que é esta nossa cidade.

Jorge Roberto tem problemas? Sim. Caiu na sua cabeça um Morro do Bumba, como uma bomba. Um câncer na garganta o fez calar e refletir. E aquilo que não nos mata, nos fortalece!

O mundo se contorce a todo o momento. A Roda da Fortuna, a carta nº 10 do Tarot, aponta para o mundo que sobe, mas, em  equilíbrio, desce e produz prejuízos. Assim é mundo, hora claro, hora escuro, mas sempre vai amanhecer.

Nada é inerte ou sem propósito, assim como giram as ambições desmedidas deste jovem afoito, pretenso e ilusionista, que não conhece a roupa ou a batuta do Mago, e que não passa de um “Valete de Espadas” que representa o espião, a traição, o cálculo, o perigo da morte pública, grande perigo por inimigos ocultos e mesquinhos.

Atenção, meu povo! As cartas estão lançadas e o inimigo nos ronda com sorrisos e promessas. Muita atenção que nem toda mostra de dente é sorriso...

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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