Onde Tem Corrupção... Tem

Ouvi dizer que tem político na cidade que acorda cedinho e liga a TV no RJ/TV que começa às 6h para saber se haverá lava-jato. E já mantém um kit-prisão prontinho, com roupas, escova de dentes e barbeador. Também deixam separado um casaco com capuz para se esconder das câmeras.

Mas, por que essa luta contra a honestidade no Brasil? Porque tanta matéria em jornais e na televisão contra o pacote anticrime? Só porque é do Moro? Será?

Por que muitos brasileiros gostam de corruptos? Será porque seremos, de certa forma, corruptos e gostamos daquela graninha a mais, por fora?

Já li várias e várias teorias sobre o nosso comportamento, assim... Meio “bandido do Congresso”. Muitos dizem que o Congresso Nacional é a imagem em semelhança do povo. É reflexo do voto popular.

Isso tudo pode até ter um fundo de verdade. Mas, afirmar que o brasileiro gosta de ser roubado porque gosta de roubar, se dar bem, viver na malandragem é quase uma constatação, dizem.

Há dezenas de anos eu passava de ônibus na Praia de Icaraí voltando da faculdade. Fazia sol. Era uma 3ª feira, verão e a praia estava movimentada. O passageiro do meu lado disse: “queria ganhar uma grana pra ficar igual aquele cara ali, jogando frescobol numa 3ª feira”. Que desejo preguiçoso desse cara, pensei.

Depois dessa passagem na minha juventude, vejo que são poucos os brasileiros que se importam com o próximo de uma maneira natural.

Nós estamos muito mal acostumados a respeitar as leis e sermos mais educados e respeitar o direito do próximo.

Numa boa: queremos mesmo é “se dar bem”. O tal oba-oba. Para isso, muitos brasileiros vestem a camisa que interessa no momento.

Por exemplo, nas eleições usava camiseta com Fidel Castro estampada com o tal charuto para ir a encontros com Haddad. Se fosse para encontrar o pessoal do Bolsonaro, iria com a camiseta dele mesmo.

Por que esse comportamento? Vai que consegue ganhar um pequeno cargo lá na frente? Interesse. “Din-din”, sem saber de onde vem?

Pois é... O brasileiro é uma colcha de retalhos de interesses.

Mas, quem é contra a Lava-jato gosta dos inimigos das leis. Numa boa, quem é contra é porque tem algum interesse que os bandidos continuem.

Nesse aspecto, sempre me pergunto sobre o comportamento do STF, que hoje está numa briga entre a opinião pública e o seu lado político: por que Aécio Neves ainda está solto? Como Renan Calheiros ainda está solto? Como Jader Barbalho ainda está solto? Romero Jucá e o “Capitão Cueca”! Vou gastar meus dedos no teclado listando os bandidos públicos soltos. Mas o Renan foi reeleito, diga-se.

Nossas leis são fraquinhas contra os bandidos. Mas, com um Congresso cheio de réus, como votar por leis mais duras?

Como pode um deputado Réu ser a favor do Pacote Anti-Crime? Ele vai “votar contra si mesmo”?

Como limpar o Brasil desse comportamento? Não sei. Não há um bom exemplo de corrupto preso além do ex-presidente Lula, que tem todo o direito de se dizer inocente. Mas, como Lula chegou a um patrimônio de R$ 78 milhões? E isso que se sabe... E lá fora? Como? Como?

Quase toda a imprensa acha normal o Congresso negociar a PEC da Previdência, exigindo mais dinheiro da venda Pré-sal, que pode chegar a R$ 106 bilhões. É a venda do voto.

É o toma-lá-dá-cá vergonhoso, mas comum para a maioria dos brasileiros.

Faz parte do nosso dia-a-dia e, talvez, já tenha se instalado dentro do nosso DNA.

Já perdoamos quem mente em juízo ou rouba pouquinho. Reparou?


Fernando Mello, Advogado

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