O Que Você Faria?

Mesmo torcendo o nariz, fui ao cinema assistir ao novo filme estrelado e dirigido por Sylvester Stallone, “Os Mercenários 2” (“The Expendables 2”, no original). Na verdade, fui ver o primeiro e não gostei. Tratava-se de uma produção que queria ser levada a sério... E, por esse motivo, não me cativou. A sequência, porém, mesmo seguindo a ideia do antecessor, não tentou ser um filme realmente de aventura, e fez graça de si mesmo. E pronto! O filme deu certo! Não estou dizendo, em momento algum, que seja uma película dotada de inteligência ou coerência. Não mesmo. Porém, o filme é engraçado, o que traz leveza às cenas de ação que se sobrepõem. Munido de um texto divertido, que faz diversas reverências aos astros que participam da história, “Os Mercenários 2” conseguiu fazer o cinema inteiro suspirar quando Chuck Norris aparece – diretamente da sua aposentadoria – para salvar o dia!

O filme conta ainda com um elenco que, como o próprio roteiro deixa claro, “deveria estar em um museu”: Jason Statham, Jean-Claude Van Damme, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, entre outros. Alguns já sem muitos músculos. Outros, deformados de tantas plásticas. Mas todos, sem exceção, esbanjando certo carisma. Vale, sem dúvidas, a pipoca! Outro filme que tive a felicidade de assistir foi "Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo" ("Seeking A Friend For The End Of The World", no original). Muito diferente de “Os Mercenários 2”, onde aposenta-se o cérebro, este filme faz emergir a reflexão, com atuações brilhantes de Steve Carell e Keira Knightley. O título tenta resumir um pouco o enredo. Descobre-se que o fim do mundo acontecerá dentro de poucos dias e não há mais nada que possa ser feito a respeito. Porém, a perspectiva do final da vida faz as pessoas tomarem decisões improváveis (caso o mundo não fosse ter fim) e corajosas. Afinal, pense bem: se você sabe quanto tempo resta – e este tempo é bem pequeno – você continuaria a sua rotina? Ou mudaria completamente sua vida na reta final? Na película, o personagem de Steve Carell é abandonado pela esposa e sente-se sozinho no mundo. Fato semelhante ocorre com a jovem vivida por Keira Knightley, que percebe que esteve fadada a uma sequência de relacionamentos vazios e sem perspectiva. Vizinhos, eles se esbarram e o destino os une rumo ao fim.

O filme vai na contramão de todos os possíveis clichês ligados ao apocalipse, pois prima em obter um retrato intimista do dia do juízo final. Os protagonistas acabam vivendo seus últimos momentos de forma a repensar suas vidas e a perceber que, ao invés de continuar presos num passado de erros, poderiam tomar a iniciativa de viver num futuro – mesmo que pequeno – repleto de amor. Existe grande química entre Carell e Knightley. Ele, inclusive, parece ter sido feito por encomenda para o papel: um homem simples, de olhar perdido e boas intenções, que precisou achar que não tinha mais nada, para perceber que tinha tudo. Confuso? Não, profundo! O amor, muitas vezes, está muito próximo de nós. Precisamos apenas “ativá-lo”. A vida precisa ser vivida. Porém, temos sempre o impulso de adiá-la ou de não nos permitirmos. É a ideia de “vamos levando”. Nem sempre devemos agir assim. Vale a pena, de vez em quando, parar e perguntar se você continuaria fazendo as mesmas coisas, caso soubesse que sua vida está perto de terminar.

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