O Perigo da Disputa Eleitoral na Internet

É fato que a internet é um instrumento de comunicação indispensável nos nossos dias atuais. Estamos ainda amadurecendo o seu uso, e como se podia esperar, muitas distorções acontecem e tantas outras provocaram malefícios irreparáveis, como suicídios por constrangimento público. Da mesma forma que serve para informar rapidamente, aproximar pessoas, conseguir um medicamento raro e até mesmo enaltecer talentos que podem ser apreciados por todo mundo, serve também da destruir reputações, criar incidentes internacionais, separar e estimular a violência, e endeusar falsos líderes e até mesmo bandidos cruéis. O mesmo instrumento usado para o bem se for usado para o mal pode provocar danos desastrosos e tantas vezes incontornáveis.

Quem utiliza a internet para bem, não tem a percepção da maldade imposta, e são muitas vezes as vítimas dos predadores cibernéticos. Existem as “fábricas de notícias falsas” e suas aplicações. Apresentam-se os predadores cretinos, que em nada se beneficiam, mas, acham divertido entortar as verdades. Nada de mais, além de informar mal a quem sabe ainda menos. As pessoas sem instrução e de pouca cultura são sempre as maiores vítimas, pois além de serem “convencidas” de alguma idiotice, são instrumentos de uso desses produtores de notícias falsas, replicando a informação falsa, como se estivessem fazendo uma obrigação cívica.

Entretanto, existem os casos mais graves, pois a intenção é destruir alguém, sua reputação e promover discórdias generalizadas. Tudo depende do objetivo a ser atingido. Agora, com a proximidade das eleições este quadro de inverdades se multiplica. Criaram-se o que chamam de “milícias digitais”, compostas por pessoas remuneradas para plantarem notícias, sempre com um objetivo, rebater ataques e fazer defesas de políticos e personalidades; além disso implantam uma espécie de robô, sempre em grande número, programados para defender e atacar em grupo. Por esta razão, encontramos nas Redes Sociais, aquelas “pessoas” que não têm cara nem caráter. Aparecem sempre nos momentos em que uma postagem fala algo que contraria os propósitos ou interesses do “defendido”. Essas milícias, se utilizadas com racionalidade e com amplitude, mudam o resultado de uma eleição. A idéia central é manter o “candidato” livre de ataques, com boa imagem para influenciar pessoas, afirmando a idéia que ele é bom, honesto e muito eficiente, ainda que ele não seja nada disso. Ou seja: a ideia é afirmar, repetir muitas vezes, até cristalizar a imagem que se deseja formar.


A Influência

Não podemos nos deixar influenciar por estas manobras, pois, no final, estaremos votando numa fraude total. As Redes Sociais, especialmente, Facebook, Instagran, Twiter, Linkdin estão cheias de milícias digitais. Como geralmente são mercenários, atacam ou defendem quem paga mais. Não há ideologia, nem preferências. Se um criminoso, estuprador, pedófilo, assassino e ladrão, pagar, eles o defenderão com veemência, e que este senhor é a alma mais honesta e bondosa do mundo. E ai de quem disser o contrário. É fácil identificar o ataque dessas “milícias” pela quantidade de defensores que imediatamente aparecem e atacam em grupo, com a mesma intensidade e linguagem.


Fazer Campanha

Fazer campanha eleitoral nas Redes Sociais pode ser uma “faca de dois gumes”. Primeiro, que para ser eficiente, tem que contratar grupos intelectualmente preparados e dispostos a enfrentar até o Papa. Segundo, que tem um custo alto considerando a necessidade de pagar bem a estes “milicianos”, além do oneroso processo de implantação dos tais robozinhos, e o monitoramento que deve ser feito 24 horas por dia. Um único erro poderá por tudo a perder. Daí, pode dar certo, mas, será muito caro, ou resultará num fracasso total, como é a maioria dos casos. Em terceiro lugar existe a credibilidade das Redes. Hoje em dia muita gente sabe desses expedientes e não acreditam mais no que lêem. As pessoas mais informadas já perceberam que Redes Sociais são campos minados, cheias de robôs e mentores milicianos digitais, além de um considerável número de “influenciadores digitas”. Tem gente séria trabalhando e “influenciado” pessoas a comprarem certos produtos ou serviços. Mas, até aí, é só uma atividade publicitária lícita e não chega a comprometer a verdade. Embora existam “influenciadores” que não convencem ninguém, nem a eles mesmos. Serviço de baixa qualidade.


Os Aplicativos

Na última campanha eleitoral (2018) a grande “arma” foi o Whatsapp, que na época era possível disparar mensagens em massa. Em cada postagem milhares de pessoas eram atingidas. Tanto exageraram que o Whatsapp proibiu e limitou mensagens massivas. Hoje só é permitido enviar de cinco em cinco. Apesar disso, quem tem muito dinheiro põe 200 linhas de telefone para mandar mensagens, o que significa que são emitidas mil mensagens de cada vez. É possível mandar mil a cada 20 segundos, ou seja, 3 mil por minuto, atingindo 180 mil por hora; algo em torno de 5 milhões e meio de pessoas por dia. Ou, em torno de 170 milhões de pessoas por mês. É quase toda população brasileira. É uma operação cara, mas, considerando o valor de dinheiro desviado e a quantidade de corruptos existentes, quanto mais poder tem um candidato, mais chance tem de enganar muita gente. Daí a perpetuação de tantos canalhas no poder.

A Internet Obscura e Profunda

Neste universo controverso, existe a chamada Deep Web, ou internet profunda, que é utilizada com técnicas cibernéticas de disfarces e ocultação, onde o mundo do crime transita com facilidade e desenvoltura, traficando drogas pesadas, lavando dinheiro sujo, vendendo informações confidenciais, de pessoas, instituições e governos. Acessar este mundo é coisa para profissionais da cibernética e que de certa forma tem suas armas de defesa e ocultação. É um verdadeiro mundo sujo, mas inteiramente sem censura. É o universo das criptomoedas (criptomoeda é um meio de troca, podendo ser centralizado ou descentralizado que se utiliza da tecnologia de blockchain e da criptografia para assegurar a validade das transações e a criação de novas unidades da moeda. Wikipédia.), do tráfico de armas, inclusive as pesadas de guerra, compra de escravas brancas, práticas e filmes de pedofilia, comunicação entre seqüestradores e todo tipo de negócios ilícitos. É nessa internet profunda onde caminha o dinheiro sujo das eleições. Incluindo trocas entre países, sem que exista qualquer barreira.

Parodiando William Shakespeare diríamos: "Há mais coisas sujas e inacreditáveis entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia".


A Escolha de Candidatos Pela Rede

O mundo das Redes Sociais é um mundo de fantasia, onde todos, ou quase todos, fazem questão de posar nas suas melhores fotos e nos melhores ângulos. É interessante, mostra um pouco da realidade da pessoa, mas, mostra muito daquilo que ela não é. Avaliar um candidato a vereador ou prefeito a partir de perfis e postagens numa Rede Social é a certeza de enganar-se em pelo menos 90%. Uma Rede Social é por analogia e atualização como os antigos palanques, que eram geralmente armados numa praça. Ali o candidato nunca podia errar. Seria fatal para sua campanha não mostrar aquilo que pudesse representar melhor; Nas Redes Sociais ainda tem uma vantagem; no palanque, por mais bem ensaiado que fosse, na apresentação não podia errar nada. Nas Redes dá para editar o texto, trocar uma foto, refazer o trecho da fala incorreta no video postado. Em suma, é a realidade editada, onde não há lugar para imperfeições.

Se quiser escolher bem um candidato, é conveniente não se convencer através de postagens das Redes Sociais. Pergunte mais sobre ele a quem entende de política. Não feche a escolha com uma opinião. Ouça sempre uma segunda ou terceira. Faça como um diagnóstico médico de uma escolha para uma cirurgia importante. Por similaridade é mais ou menos isso, e tão grave quanto uma escolha da sua saúde.

Não se enganem: a Internet é terra de ninguém e é como um papel branco onde se pode escrever impunemente qualquer coisa; e “vender” como a mais absoluta verdade. Cuidado!

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