O Fim do Telefone Fixo

Fui dono de uma linha fixa por muitas décadas. Desde quando custava muito caro, até em dólares já custou ou se esperava anos para quitar aqueles carnês de “plano de expansão” criados pelas empresas de telefonia.

Desde sempre as empresas estatais trabalham contra o consumidor, contra o contribuinte. As empresas de telefonia nunca se afastaram desse estereótipo que é “fazer o que deseja e que se dane todo mundo”.

Pois a telefonia sempre foi algo estressante, talvez desde o seu nascimento. Uma vergonha para o Brasil e para o mundo.

Eu era um pré-adolescente quando meu pai nos levou num domingo até Tanguá, perto de Rio Bonito/RJ conhecer aquela antena parabólica gigante. Sempre gostei de tecnologia e viajei olhando aquela parabólica gigante.

Mas o meu olhar de “tecnologia” era coisa de criança que gostava de astronautas e naves espaciais. Isso porque a telefonia no Brasil de então beirava o caos. A gente tirava o telefone do gancho e ficava “aguardando o sinal de linha”, que é aquele som da nota Ré, para então tentar telefonar para alguém.

A parabólica de Tanguá, claro, serviria para transmissões de TV ao vivo, principalmente para a transmissão da Copa do Mundo de 1970, que assisti em preto e branco. Isso porque a Embratel fez uma transmissão colorida, mas para um pequeno grupo de privilegiados. Coisas do Brasil que privilegia os amigos.

Então a telefonia no Brasil era coisa de estatal e por falta de concorrência a CTB e depois Telerj aqui no Rio, fizeram o que quiseram com os pobres brasileiros.

Aliás, a telefonia de até 30 anos atrás retrata o que o brasileiro ainda sofre hoje com os “produtos” estatais.

Se você é correntista do Banco do Brasil ou da CEF já deve perceber que você não só um cliente. Para eles você é um chato que deixa o seu dinheiro lá e fica perturbando quando essas instituições erram em alguma coisa. Você não é um cliente para CEF ou B. Brasil. Você é um chato.

Até pouco tempo atrás muitos diretores, presidentes e mais graduados dessas estatais sequer tinham conhecimento do Código de Defesa do Consumidor. Mas continuam a errar sempre.

Já o telefone fixo, esse pobre coitado, foi destruído pelas empresas de telemarketing.

Voltando à minha casa, só atendíamos ao telefone fixo para receber aquelas ligações de telemarketing. Quando chegou a 100%, nem mais atendia. Ficava aquele aparelho sem fio num canto, jogado ao esquecimento e ao ostracismo.

Recebi ligação até de um santo querendo doações. Por fim, depois de mais de 150 ligações de um robô da Nextel em sete dias, pedi para encerrar o serviço.

Foi até fácil. A atendente nem insistiu em manter a linha. Parecia que era uma coisa realmente cotidiana para empresa. Passou um numero de protocolo e adeus Embratel, Claro, sei lá qual era o nome correto.

Ficamos sem telefone fixo em casa e nada mudou em nossas vidas. Até porque, nem para objeto de decoração servia mais.

O telefone fixo, antes um herói em nossas casas e hiper necessário, foi transformado pelas empresas de telemarketing numa coisa chata, que incomoda e que passamos a olhar com desprezo para o aparelho. Aquela ligação que ninguém falava nada e desligava na nossa cara é stress só!

Ninguém agüenta mais. Nem eu agüentei. Demorei, mas decretei o fim da linha fixa. Adeus.


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