O Evento das Cotas Raciais

Bem, amigos leitores. Vocês já notaram que, quando o Poder Executivo nada faz e o Poder Legislativo não cria Leis adequadas e não atualiza as antigas, resta ao Poder Judiciário todo o trabalho de suprir esta deficiência, digamos, constitucional. Portanto, a mais nova “legislada” do Judiciário, representada pelo STF, foi a questão das cotas raciais nas universidades. Num país que sempre se gabou em ser livre de preconceitos raciais, esta nova modalidade de divisão de vagas, distinguindo negros e brancos, para mim é o início da oficialização do racismo. Sabemos que brancos neste país são em número inferior aos negros, mestiços, pardos, sei lá... Nosso país se tornou uma nação totalmente indiferente, porque ninguém pode ser considerado absolutamente branco. Assim como, negros puros são pouquíssimos. Estive pensando na minha própria origem que é uma mistura pra lá de confusa, com português, alemão e índio. Será que eu não poderia ser um cotista? Bem, o que o STF não conseguiu absorver e entender é que a questão tem o seu ponto de partida na lógica social e econômica, pois não foi a cor da pele, mas a condição econômica que fez o aluno negro ou branco ou pardo a ter um péssimo estudo básico em colégios públicos, infinitamente menos eficientes, levando este aluno a não conseguir vagas nas universidades públicas, ou seja a culpa é do próprio governo que há muito não dá a educação que a Constituição Federal garante. Portanto, se um branco menos favorecido economicamente teve a sua formação estudantil em colégios públicos, pode se considerar abandonado, pois não poderá se beneficiar nas cotas raciais hoje aprovadas. Um erro de difícil reparação. O Brasil com estas medidas está caminhando em direção a uma verdadeira segregação racial mútua, campo minado para uma nação sempre livre de preconceitos. Estão criando grupos que recebem um excessivo tratamento diferenciado pela Lei, e agora, pelo STF. Não irei discutir aqui a questão do Idoso, por exemplo, porque efetivamente é um grupo que sempre teve dificuldades de se defender, de ter acesso a determinado direito, como se deslocar pela cidade sem pagar passagem, ou ainda, não enfrentar filas ao lado dos jovens saudáveis. Neste passo de cotas raciais, vamos criando grupos, tribos, sei lá a nomenclatura correta, mas que estes já são encarados pela sociedade como privilegiados, já demonstra um descontentamento com a questão. Já aconteceu: Irmãos gêmeos foram identificados de forma diferenciada, como se fossem de raças diferentes, pois um obteve o benefício das cotas e o outro não. Mas, não são irmãos gêmeos? Como assim? Está errado!

Creio que o STF, sob o foco da mídia, com receito de ser considerado “racista” e omisso por ter o risco de passar a imagem de “privilegiar os brancos”, possuindo em seu quadro de brilhantes ministros/juristas o Ministro Joaquim Barbosa, muito inteligente, culto, sábio, lutador no dia a dia, corajoso, enfim, jurista de primeiríssima linha, um negro, enfraqueceu e tascou um golpe na nossa Constituição, a nossa Carta Magna que o próprio Supremo existe para defender. Sim, senhores leitores, muito provavelmente já tenham ouvido falar no art. 5° da Constituição que rege os direitos e garantias fundamentais, entre eles, todos são iguais perante as leis. Acabamos de constatar que não! A partir de agora muitos terão tratamento diferenciado por conta da cor pele, disse o Supremo Tribunal Federal. Peço permissão para fazer constar minha opinião de que o STF deveria sim, aprimorar o primário/fundamental, pois que assim, todos teriam as mesmas condições e em assim não o fazendo, até poderia oferecer cotas para universidades, mas para aqueles que não conseguiram estudar em escolas melhores porque a família não tinha condições financeiras. Só que eu iria estatuir que isso deveria acontecer no Ensino Médio, nas Escolas particulares, que deveriam ter em suas salas de aula, pessoas ricas e pobres, dando oportunidade efetivamente àquele ou ao outro, independente da cor da pele. Espero que o Congresso se movimente e crie uma Lei para acabar com as cotas raciais e passar a considerar apenas as cotas pelo critério sócio-econômico. E assim, caríssimos leitores, vamos tocando o nosso barco.

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