O Canto da Sereia Eleitoral

Se tivermos que classificar essa próxima eleição, considerando o período da campanha, diríamos que será a eleição do imprevisível e do sobressalto. A disputa deverá ser vista e revista a cada momento, como uma espécie de instantâneo de uma foto. O momento representa um cenário que no dia seguinte poderá ter uma configuração inteiramente diferente.

É claro que não acreditamos em coincidências e essas tantas operações policiais seguidas com endereço certo, tem um empurrão providencial, na tentativa de desmascarar aqueles que devem à Justiça, e consequentemente ao povo. E quem deve e nada acontece é porque fez um “grande acordo”.


A verdade é essa: se o político nada fez e se comportou com retidão, dificilmente sofrerá o vexame de uma busca e apreensão, ou mesmo uma condução coercitiva para depoimento, ou ainda pior, uma prisão. Se tem operação policial na porta é porque algo suspeito aconteceu, mesmo que o alvo não tenha culpa diretamente. Já vi caso onde o alvo da operação era inocente, muito embora tenha deixado um “sub”, uma auxiliar graduada, com poderes que não deveria ter. A culpa neste caso foi deixar frouxo o controle, confiando em quem não deveria confiar. O delito existia, tanto que desvendado o caso a auxiliar foi condenada e ficou presa por muito tempo. Entretanto, o sofrimento para o homem de bem não o deixa paz. Para ele foi inesquecível e os prejuízos foram definitivos.

Na política tudo pode acontecer, principalmente em “lugares malditos”, como a secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Ali, é a boca do inferno!

Certa vez disse a um político que estava para assumir a secretaria de Saúde do Estado: “você sabe dos riscos existentes naquele lugar. Dali só se sai, ou preso ou desmoralizado. O que você prefere?” Ele me respondeu que com ele seria diferente…

Quando digo que nessa eleição de Niterói tudo pode acontecer, vejo também a possibilidade de haver um segundo turno entre Flávio Serafino (PSOL) e Axel Grael (PDT), que para muitos é um cenário ideal para Grael.

Diante do quadro atual, novos vereadores serão raros. Quando digo novos, são os que nunca disputaram uma eleição e nem exerceram cargos públicos. Como exemplo, não se pode considerar “novo” o Fabiano Gonçalves, que já disputou eleição como vice-prefeito junto com Sérgio Zveiter, como vereador (e perdeu a eleição apenas por um voto), e foi secretário de administração do atual governo do Rodrigo Neves. Ou mesmo quem já teve mandato como vereador em outras legislaturas. Digo novos, os neófitos; muitos deles sem a menor noção do que significa disputar uma eleição, e comportam-se de forma tão equivocada e repetida (o que é pior), que chega a ser penoso assistir. Não fazem a menor ideia do tamanho do problema, e consideram-se “muito populares” por participarem de entidades de classe, de clubes de serviços, de comunidades religiosas, sindicatos e clubes esportivos. Esses são os maiores iludidos e dimensionam muito mal o desempenho que terão. O mais curioso é que as histórias se repetem de quatro em quatro anos. Bastariam conhecerem as histórias anteriores, ou até mesmo se tivessem lido o que escrevo em quase todo período eleitoral. Mas, parece um encantamento. Ficam picados pela “mosca azul” e fazem contas ilógicas e improváveis. Mas, mesmo assim, enchem o peito e se consideram eleitos.

Lembro-me bem de uma pobre coitada, arrogante, tacanha, pretensiosa e de curta inteligência e cultura geral. Ela distribuía freneticamente “papeizinhos” nas esquinas na Avenida Amaral Peixoto e Rua Moreira César, numa espécie de embriaguez vaidosa; e muitas vezes disse-me: “serei histórica! Terei a maior votação entre todos os candidatos e serei a primeira mulher a quebrar todos os records neste país!” Quando “todas as urnas” foram abertas ela não atingiu cinquenta votos! Despencou do alto da sua soberba burra e levou meses deprimida e infeliz.

Conheci um outro candidato, que se achava o melhor na sua profissão, era “popular” nas redes de voleibol e peteca da Praia de Icaraí. Disse-me que contava com tantos amigos que nem precisava conquistar novos eleitores. Bastava apenas comunicar que era candidato aos seus “tantos amigos”. Outra decepção e enfrentamento chocante da realidade. Ele teve 34 votos.

Conheço um caso mais drástico. O candidato teve 2 votos, incluindo o seu. Após confissão, soube que nem sua mulher e filha votaram nele. E assim é a verdade eleitoral. Não existe fidelidade e nem tudo que parece líquido e certo, é verdadeiro e oportuno. A perfídia e a leviandade são as marcas das eleições. Lembra-me o ditado popular que diz que “nem toda mostra de dentes é sorriso”.

Conheci um caso de um outro, que acreditava que poderia comprar tudo. Era um ilustre desconhecido e pensava como um javali raivoso. Tentou ser vereador comprando votos em morros e comunidades. Gastou uma boa soma, pois pagava em torno de oito dólares por voto. (atualmente algo em torno de 48 reais). Soube que gastou 30 mil dólares, ou em dinheiro de hoje, algo próximo de 180 mil reais. Nas suas contas, contando com os trapaceiros e mentirosos, lhe sobraria em torno de 3 mil votos. Na época, 3 mil votos elegeria qualquer um. Teve, com sorte, 386 votos.

Na atualidade o grande engano chama-se Rede Social. A Ilusão da Internet, desmoralizada, antro de mentirosos e canalhas. Muita gente (oportunistas, é claro!) diz que as Redes elegem alguém. Manobras de mentirosos e trapaceiros que prometem que o candidato terá a um custo baixíssimo, (quase zero) a chance de se eleger. Nas Redes Sociais tudo é ilusório e instável. É conversa sem confiança, e sem confiança não há voto.

Pobres candidatos iludidos. Coitados…

Na eleição de 2016, conheci um “sábio da internet” que apostou todas as suas fichas no Facebook e Instagran. Teve 263 votos. E foi bem votado…

Na hora da verdade tudo desaba. Política é para pessoas preparadas para guerra, desilusões diárias, traições, interesses escusos e muita perversidade. Quem conhece sabe o quanto doi.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

2019 | Design By Stilo