Não Vou Dar Palpites!

Não gosto de dar palpites. Geralmente, erro todos! Se alguém me perguntar: "Carol, quem vai ganhar o Oscar de Melhor Filme este ano?", eu vou tremer nas bases. Talvez, pois, o meu gosto seja bastante diferente do da Academia. Ou, ainda, por eu acabar deixando minhas "simpatias" pessoais por diretores, produtores e atores influenciarem nos meus votos. Sendo assim, prefiro dar opiniões sobre todos os concorrentes sem, necessariamente, apontar meu favorito. Este, eu guardo pra mim. A tarefa é muito árdua, porém, vou fazer o meu melhor para não deixar "escapar" meu favoritismo.

Todas as categorias de uma premiação merecem holofotes. Em cada uma delas, está depositado trabalho árduo em busca de reconhecimento. E, muitas vezes, ser indicado já é um grande mérito. Como relatei na última coluna, alguns atores foram literalmente negligenciados este ano – gerando em mim uma verdadeira revolta particular. É o caso de Tilda Swinton, por "Precisamos Falar Sobre o Kevin", e de Ryan Gosling que era dado como certo entre os concorrentes por suas atuações nos filmes "Tudo pelo Poder" e "Drive".

Para entender o motivo de tais nomes terem sido ignorados, saí em busca de "razões" para tais injustiças. E encontrei. Não que eu acredite que Tilda e Ryan não mereçam estar na lista. Na verdade, o que ocorre é o seguinte: todos os atores e atrizes indicados estão de parabéns por seus excelentes trabalhos.  Eu sugeriria apenas que fossem seis indicados e não apenas cinco – afinal, tínhamos apenas cinco indicados para o quesito de Melhor Filme e, no ano passado, tivemos dez (este ano, nove)!

Na disputa pela estatueta de Melhor Ator, concorrem diversas feras. Gary Oldman está perfeito em "O espião que sabia demais". Oldman, por este papel, já foi indicado em premiações como o "San Francisco Film Critics", o "British Independent Film Awards" e o "Satellite Award". Brad Pitt arranca suspiros em "Moneyball: O homem que mudou o jogo". O ator emociona como Billy Beane, gerente de um time de baseball que, apesar da situação financeira desfavorável da equipe, usa uma sofisticada análise estatística dos jogadores para levantar o grupo. Está na disputa também o nem tão conhecido ator mexicano Demián Bichir, que faz bonito em "A better life" e talvez tenha sido a grande surpresa do Oscar 2012, por sua tocante interpretação de um pai trabalhador que quer dar uma vida melhor ao seu filho. O ator francês Jean Dujardin já arrematou o Prêmio de Melhor Ator pelo Festival de Cannes por "O artista". Muitos dizem que, quem ganha Cannes, não ganha Oscar. Porém, a atuação de Dujardin é excelente e o ator é, de qualquer forma, um ótimo candidato. George Clooney, por sua vez, encanta pela inocência e carisma do seu personagem em "Os descendentes". Diversos críticos afirmaram, com propriedade, que este é o melhor papel da carreira de Clooney. E agora, quem vai levar a estatueta pra casa?

Na categoria de melhor atriz, a meu ver, a disputa fica ainda mais complicada. Como negar o Oscar para Viola Davis, em "Histórias cruzadas"? A atriz dá vida a uma doméstica do Mississipi, que sofre com a segregação racial e os atentados do Ku Klux Klan. Uma interpretação tocante na medida certa. E como também não contemplar Glenn Close, por "Albert Nobbs"? Glenn é uma mulher se passa por homem para trabalhar e sobreviver na Irlanda do século XIX. Em certo momento do filme, é impossível ver Glenn como uma mulher, de tão perfeita que a mesma está no papel. E como se esquecer de premiar Meryl Streep, por "A dama de ferro"? O filme em si não é digno da estatueta. Mas, Meryl está indefectível como Margaret Thatcher. Quem conhece a história da política britânica ficará extasiado. E quem foi fã de Marilyn Monroe também não conseguirá negar o prêmio à Michelle Williams por "Sete dias com Marilyn". Talvez a semelhança física das duas não seja tão profunda, mas Michelle convence no papel e o filme é contagiante. E, particularmente falando, também aprovei o trabalho denso e transformador de Rooney Mara em "Millenium: Os homens que não amavam as mulheres", película baseada no primeiro livro de uma trilogia escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson. Quem conhece a atriz, sabe que ela está completamente transfigurada no papel, praticamente irreconhecível. E sua atuação é brilhante. Difícil escolha, não é mesmo?

Tenho meus favoritos, é claro. No entanto, provavelmente, errarei em todos os meus palpites. De qualquer forma, como gostei de todos os trabalhos supracitados, ficarei imensamente feliz com a vitória de qualquer um deles. Agora, é esperar pra ver o que a Academia vai decidir. Até lá, vamos fazer o dever de casa: correr para o cinema e se deliciar com estes bons filmes! Ótima semana!

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