Não Imponha Limites ao Amor

Sem sombra de dúvidas, seria muita pretensão minha, querer definir o amor. Acho que, para uma simples mortal como eu, senti-lo e vivê-lo já está de bom tamanho. E sinto. E vivo. E sou privilegiada por isso. Posso não saber definir o amor, mas posso diagnosticar seus sintomas – pelo menos, aqueles que ficam claros na minha pessoa. Ao amar, meus olhos brilham mais, eu sinto mais energia e vontade de viver, passo a não me aborrecer com bobagens, dou valor a pequenos detalhes e, simplesmente, sorrio por qualquer amenidade. Fico em estado de graça! Os dias nublados ficam coloridos. E procuro arco-íris depois de qualquer pouca chuva. É... Eu sou uma pessoa melhor quando amo. E creio que o mundo seria melhor se as pessoas estivessem mais preocupadas em amar do que em criticar umas as outras, por exemplo. Por qual motivo as pessoas querem colocar limites ao amor? Barreiras, como a opção sexual por exemplo. Limites, como a idade. Preconceitos, como a religião. Enfim, por qual motivo deveríamos deixar de amar? Seja lá qual for esse amor? Devemos, realmente, deixar de amar porque amamos uma pessoa do mesmo sexo? Ou devemos nos reprimir porque já temos determinada idade? Ou não devemos demonstrar o que sentimos, pois não sabemos como as outras pessoas nos irão julgar? O que nos faz incapaz de amar, algumas vezes? Acredito que, podemos inclusive nos auto-sabotar. Não tomamos a iniciativa com medo de nos machucarmos. Nem tentamos e já temos medo. Somos covardes perante nossos corações. Algumas destas questões são discutidas em “Toda Forma de Amor” (Beginners, no original). Um filme leve e um tanto quanto apaixonante. Trata-se daquele tipo de película doce, na qual torcemos para que tudo de certo e o casalzinho fique junto no final. Eu, particularmente, adoro! Principalmente quando casal é formado por Ewan McGregor (“Star Wars” e “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”) e Mélanie Laurent (“Bastardos Inglórios” e “Não Se Preocupe, Estou Bem”). Os atores estão fofos e lindos no papel, nos fazendo testemunhas de um amor mágico. O problema é que o personagem de McGregor é um sabotador de seu próprio sentimento, não se permitindo levar adiante nenhum de seus relacionamentos. Ele mesmo admite que seja o culpado pelo fracasso de todos os seus amores. Falta de coragem? Talvez. Possivelmente por ter visto, durante toda a sua infância, seus pais em um casamento falido, de fachada. E por falar em pais, Christopher Plummer rouba a cena neste filme encantador. A produção é, nada mais nada menos, do que um filme autobiográfico do escritor, diretor e designer gráfico Mike Mills e retrata a história de Hal (interpretado por Plummer), um senhor que proclama sua homossexualidade aos 75 anos de idade e decide viver intensamente essa nova identidade, antes de morrer de câncer, cinco anos depois. O senhor em questão é o pai de Mills na vida real. O belo do filme é que, só após ver o pai assumir sua homossexualidade e vê-lo sofrer dando os últimos passos em sua doença terminal, é que seu filho consegue perceber o quão fugaz é o tempo e o quanto importante é viver cada segundo da vida e do amor. Independente de como esse amor se apresenta, de que cor ele tem, de quão novo ou velho ele é, do que os outros vão pensar. Só depois de entender que o que seu pai tinha por sua mãe era amor – amor à sua maneira – é que o filho consegue se permitir viver o amor. É uma pena, porém, que este filme, pelo qual Christopher Plummer ganhou seu primeiro Oscar, aos 82 anos, vá direto para as locadoras. Covardia com o diretor, que faz um belíssimo trabalho. Covardia também com o elenco, que se esmera em suas interpretações. E covardia, principalmente com o cãozinho, que faz do filme uma graciosa comédia romântica, imprimindo leveza em cenas delicadas da película. Mas, mesmo não fazendo escala nos cinemas e indo direto para as prateleiras, “Toda Forma de Amor” continua sendo um lindo romance. Daqueles que transcendem beijinhos na boca e nos fazem pensar no sentimento mais complexo, puro e transformador de todos: o amor!

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