Ministros da Pandemia


Tenho visto o Bolsonaro escolher um pessoal técnico para cargos de ministros. Claro que ele tem a preferência por militares, mas determinados ministérios precisam quase que necessariamente de um civil, como o Ministério da Saúde, por exemplo.

O ex-ministro Mandetta era um médico, formado na extinta Universidade Gama Filho. Também ex-deputado.

Ser um ministro da saúde em nosso Brasil já é algo bastante difícil. Ainda mais nessa política totalmente contaminada por corrupção e, no setor da saúde, a luta para evitar os famosos roubos é diária.

Basta ter um pouquinho de memória para lembrar que sempre assistimos às cenas de doentes empilhados nos corredores e de tão acostumados que estávamos em ver essa chacina, quase não demos conta de que, o que sempre faltou foi vontade política aliada à honestidade.

Pois é, com doentes no chão dos corredores, faltando médicos, suprimentos e remédios e filas intermináveis para fazer perícia no INSS, o que sempre acontecia há décadas, o governo Lula veio com a solução: construiu 12 estádios de futebol para Copa do Mundo de 2014.

Tudo isso com apoio popular e da grande imprensa.

Mas a pandemia veio para “desmascarar” esses políticos “desculpinhas” que a tudo apontam outro problema que não é ele mesmo, claro.

Esse tipo de político desculpinha também reside dentro do até então ótimo ministro Mandetta.

Todo mundo percebeu, tempos depois, que ele estava também se aproveitando do holofote da tragédia. Dono de uma oratória simples e sem “medicinismos”, Mandetta demonstrou que a equipe que escolheu era ótima. Mas, com o pipocar dos flashes a cegar seus nobres sentimentos, começou a tentar levar adiante a estratégia final do DEM, que finalmente encontrou um futuro candidato à presidência da República.

Claro que Bolsonaro não é burro. Pode ser bronco porque a verdade dói, mas burro, jamais. Ele é “super bem” informado e sabia dos planos de Caiado e turminha.

Mandetta dançou. Afinal, alimentar uma cobra que no futuro poderá detoná-lo nas eleições seria coisa de burro, não é?

O ex-ministro Mandetta saiu do cargo a que fora demitido sorridente como um estadista e, contrariando os ensinamentos do próprio Ministério da Saúde, foi se despedir dos colegas de trabalho, sem máscara e com beijos e abraços; quebrando o protocolo dos cuidados contra o coronavírus, mas absolutamente dentro do protocolo do futuro candidato à presidência da República.

Por isso, considero que um ministro da Saúde jamais poderá ser um político. Precisa ser um técnico, super envolvido em administração pública eficiente, humano e etc. Só não pode ser político como o ex-deputado e ministro Mandetta.

Um ministro da Saúde não precisa ficar dando entrevista coletiva todos os dias, como uma estrela solitária. Precisa mesmo é trabalhar para vencer essa guerra contra a pandemia.

O atual me pareceu ser um médico e empresário que não tem nenhum manejo com a mídia; mas pareceu-me extremamente técnico. Não me pareceu ter traços de aventureiro político ou irresponsável. Com mestrado no exterior, bem quisto no meio médico e tido como competente perante seus clientes.

Tenho um amigo que é íntimo do atual ministro, Nelson Teich, que me disse: é competente, honesto e trabalhador.

Vamos aguardar torcendo para dar certo.

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