Minha Rua Era Calma... Não é Mais!

Diz uma velha máxima que “não se faz um omelete sem quebrar os ovos”. Esta metáfora se adapta muito bem ao fato corriqueiro em Niterói, onde as pessoas reclamam e se desesperam com as transformações e mudanças viárias, que muitas vezes, pela própria necessidade ou experiência, sobrecarrega uma determinada rua, até então pouco usada por veículos.  Infelizmente, qualquer mudança de trajeto, inversão de mão ou desvio neste trânsito caótico da cidade vai ter um ônus para alguém.

Desde 2009, estamos chamando a atenção para o fato de que o aumento populacional na Avenida Roberto Silveira iria comprometer significativamente as Ruas Álvares de Azevedo, Gavião Peixoto, Miguel de Frias, além da própria em questão.

Recebemos insistentemente reclamações de moradores que perderam  a paz onde moravam e alguns até se queixam da perda de valor dos imóveis devido ao tráfego intenso implantado em muitas ruas. Naturalmente, ruas como a Geraldo Martins, que já tinha um relativo movimento se ressente menos do aumento de tráfego do que Ruas como a Professor Rubem Braga e Andrade Pinto, no  até então, tranquilo Bairro de Fátima. Estas duas ruas saíram de quase nada de movimento para um quase tudo. Elas são a opção para retorno para o cruzamento da Marques de Paraná para acesso a Rua São João, no Centro. A queixa maior é que passaram a circular todo tipo de veículo, menos ônibus. O barulho realmente é a vivência maior dos moradores. No Fonseca, os moradores da Rua Evilásio Silva, pedem socorro e fazem protestos. Hoje trafegam numa rua estreita 11 linhas de ônibus, caminhões, ambulâncias com sirenes ligadas devido a proximidade ao Hospital Estadual Azevedo Lima e que necessitam passar pelo engarrafamento. As motos acabam subindo na calçada para tentar fugir do congestionamento, que começa por volta das 5 da manhã e dura praticamente o dia inteiro, com alguns intervalos apenas. Além disso, existem dois sinais na rua: um comandado pela Auto Viação Ingá que abre e fecha de acordo com a entrada e saída dos ônibus e outro na esquina da rua que fica aberto apenas por alguns segundos; portanto, mesmo que a Alameda esteja vazia os carros continuam engarrafados na Evilásio Silva.

São questões que precisam ser realocadas e suprimidas, pelo menos, na intensidade dos problemas.

Precisamos considerar que apesar dos problemas viários se concentrarem nas principais vias de acesso da Região Oce-ânica, se continuarmos com o crescimenro da forma que vai, muito em breve, as ruas vicinais de Itaipu e Piratininga vão enfrentar os mesmos e graves problemas de perda de tranquilidade. O simples fato da abertura do túnel Cafubá-Charitas vai alterar em gênero e grau a vida dos moradores como um todo e particularmente a Região do Tibau. Não há possibilidade de se fazer mudanças viárias sem um rigoroso planejamento do desenvolvimento urbano e populacional. Em Niterói, pecamos sempre pela falta de planejamento como se fosse possível num passe de mágica, acomodar tanta gente e suas máquinas maravilhosas sem a junção dos problemas que são inerentes ao adensamento populacional. Rio do Ouro, Maria Paula e Pendotiba que se preparem, a tranquilidade e a paz estão por um fio. Vamos continuar por um bom tempo com as mesmas dificuldades e a população precisa entender que qualquer mudança traz transtornos, pelo menos inicialmente. Não se pode imaginar que os técnicos que fazem estas mudanças, o fazem por perversidade. É que os experimentos nem sempre são coroados de acertos e precisam ser ajustados dentro da própria experiência. Todos, indistintamente pagarão um ônus pelo crescimento desordenado que tivemos. Precisamos estancar a escalada de problemas. Precisamos ter tolerância e reagir, interagir e oferecer soluções. Não se pode cruzar os braços e esperar que tudo dê certo como num “Conto de Fadas”. Teremos futuramente meses muito problemáticos, especialmente, no final do ano onde aumenta o fluxo de automóveis, veículos de carga e até mais ônibus. As mudanças viárias na cidade terão que fazer parte do nosso cotidiano e devemos colaborar. O novo prefeito que vier vai ter esta grande missão. E não adianta esperar que será fácil, pois não será. E de nada adiantará criticar. O problema já se configurou, temos que resolvê-lo e a participação da sociedade será de grande valia. Teremos que, independentemente dos técnicos, nos posicionarmos exigindo transformações imediatas e de efeitos duradores. Por outro lado, criticar apenas não contribui e só atrapalha. As soluções todos sabemos. Basta por em prática.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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