Meu Cônjuge Inimigo

“Seu papai é um bobo” e “Sua mamãe não é boa para você” são as frases que talvez mais personalizem uma alienação em andamento.

Como vocês sabem, a alienação parental é quando um dos genitores fica incutindo na cabecinha da criança invenções e comentários negativos com relação ao pai ou à mãe.

Trata-se de um jogo sofrível que transforma a criança no instrumento de vingança daquele que, por exemplo, foi traído ou porque não suporta “perder” seu ex para alguém, ou simplesmente acabou a relação.

Esse comportamento altamente nefasto para a cabecinha das crianças vem sendo disciplinado no judiciário com a aplicação de multas e até mesmo a inversão da guarda, ou seja, o prejuízo para o alienador vem exatamente numa penalidade que o atinge diretamente e exatamente naquilo que sempre pretendeu. É um verdadeiro tiro pela culatra ser um alienador parental hoje em dia.

Necessário esclarecer que ninguém vai preso por praticar a alienação parental na criança. Mas, acho que o legislador deve apreciar com carinho essa hipótese, já que esse tipo de comportamento resulta em severas e duras consequências para uma criança e que se estende por uma adolescência conturbada e termina praticamente da mesma forma: o filho adulto percebe que foi vítima de alienação parental e acaba virando as costas para o alienador.



Portanto, o alienado pode passar uma parte da vida curtindo sua loucura de estar a todo momento com um filho que, quando adulto, vai abandoná-lo após ter ciência da verdade.

A solidão e o olhar diferente do filho adulto pode ser o resultado final para o alienador parental.

Pode parecer difícil, mas a identificação da existência da alienação parental na criança é bastante facilitada pelos métodos da psicologia moderna.

Quase sempre um juiz obriga que se faça um estudo psicológico na criança que se encontra em algum tipo de disputa pela guarda ou quando há dificuldade de se conseguir uma visitação regular. Em muitos casos, o alienador “esconde” a criança, cria dificuldades para que o pai/mãe consiga visitar o menor. Apenas por vingança.

Em Niterói, competentes e experimentados psicólogos que atuam no judiciário logo identificam o alienador. Em rápidas sessões com a criança, os pais e os avós (separadamente, é claro), esses profissionais identificam sutilmente a desvalorização das figuras paternas e maternas, redigindo um relatório do comportamento de todos durante as sessões.

Mas, fiquem certos que a mais prejudicada é a criança, aquele ser verdadeiramente humano que de fato (e lembrando as frases icônicas de gerações passadas) “não pediu para nascer” e que acaba sofrendo de forma cruel essa maldade humana.

Há, sim, um descompasso psicológico de quem aliena uma criança. Uma disputa, uma raiva pela perda e outros insucessos do passado montam uma irregular e frágil estrutura emocional e que acaba usando o filho como um escudo humano e para-raio das suas frustrações e incapacidades.

A maioria dos colegas advogados poderia orientar os seus clientes a procurarem ajuda psicológica antes de brigar nos tribunais pela guarda ou visitação de seus filhos. Terapias de família obtém excelentes resultados.

Para a criança, estudos indicam que o futuro poderá ser atingido por transtorno de ansiedade, depressão, desenvolver síndrome do pânico, e desajustes comportamentais. O início das dificuldades pode apresentar-se com a perda da autoestima, grande dificuldade de se relacionar socialmente, buscando isolamento e reclusão, além de quadros agressivos.

Por isso, o advogado precisa de muita psicologia com os seus clientes, buscando sempre orientação para que a criança seja sempre poupada desse universo distrófico.

Muita atenção: as maiores vítimas são sempre os filhos.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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