Mensalão: Tentativa de Golpe, Mais Uma Vez...

O mensalão na sua origem não se constituiu apenas como um ato ilícito e uma ação de corrupção e subtração do dinheiro público. No seu bojo trazia a tentativa de manipulação do sistema que resultaria numa supremacia inédita do Partido dos Trabalhadores , o PT, constituindo-se através destes mecanismos como uma ditadura, de um pequeno grupo, capitaneada por Lula e José Dirceu. Já foi muita desfaçatez o ex-presidente Lula declarar-se traído e que desconhecia a manobra criminosa. Em verdade, se já não tivesse havido manipulação das provas e circunstâncias, ele deveria estar sentado no banco dos réus, especialmente ao lado de José Dirceu, que tomou para si toda responsabilidade, na tentativa de “salvar” o presidente e o grupo. Dirceu sempre acreditou que além da perda do seu mandato e cassação temporária dos direitos políticos, nada mais aconteceria, pois a impunidade é uma marca evidente na nossa cultura jurídica. Ou pelo menos adversa, pois inocentes são punidos como exemplos para mascarar a impunidade dos poderosos.

Na abertura do julgamento, numa manobra dos advogados de defesa tentaram mais um golpe: desmembrar o processo e retirar a maior parte dos réus para ser julgada pela justiça de 1ª Instância. Tiveram todo tempo para pleitear a medida, mas, somente no último momento, na hora do início do julgamento apresentaram a proposta. Um nítido movimento para “embaralhar as cartas”, retardar o julgamento – ganhando tempo para que passem as eleições municipais – e mais uma vez diluírem em impunidade os desvios criminosos, mais que comprovados.

O ministro Ricardo Lewandowski , revisor do processo (que está sendo chamado por populares de Leviandoviski), concordou com a proposta dos advogados de defesa, criando uma evidente suspeição do seu comportamento e a reação incisiva e pertinente do ministro Joaquim Barbosa. Muito irritado Barbosa classificou a manobra de irresponsável, sem razão plausível e desleal. Apesar disso Lewandowski insistiu fazendo-se de ofendido.

Resultou numa votação de um placar de 9 votos a 2, não permitindo a indecorosa manobra.

O procurador da República, Roberto Gurgel, apresentou a acusação nesta sexta feira (dia 03) e apesar das evidências, muito ainda há de se esperar como formas de escape.

O Ministro José Antonio Dias Toffoli, por exemplo, deveria se declarar impedido, visto que foi por anos advogado do PT, advogado Geral da União, comandado de José Dirceu, nunca passou num concurso para juiz, entretanto, por indicação do PT, saltou todas as possíveis instancias e tornou-se Ministro do Supremo Tribunal. Ele só é ministro “por obra e graça” do PT. Tentando mostrar-se “isento” votou contra o desmembramento, buscando selar a sua participação que poderá ser parcial e desastrosa durante o julgamento. O Supremo é a mais alta instância Jurídica e como tal não caberá apelo seja lá qual for à decisão.

Teremos que pressionar e fiscalizar para não sermos, mais uma vez, vítimas de um golpe contra todas as nossas instituições democráticas. Se estes réus ficarem impunes, a desordem deverá se instalar como elemento constitucional, pois não haverá nem ética ou moral que segurem a revolta popular e o oportunismo dos desordeiros e criminosos.

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