Múltipla Escolha

Tantos filmes bons em cartaz nos cinemas que, definitivamente, seria injustiça deter-me à apenas um. Os gêneros variam, mas, independente do foco e das idéias desenvolvidas, trata-se de um raro período de boa safra de filmes.

Pra começar, um filme pede destaque: "Amor a Toda Prova" ("Crazy, Stupid, Love", no original). É uma comédia romântica leve, que trata com otimismo a idéia do amor eterno. O filme deixa claro que os homens também sofrem por amor – o que, em geral, é passível de dúvidas na vida real. Estrelado por um inspirado Steve Carell ("O Virgem de 40 Anos" e "Pequena Miss Sunshine") e uma contagiante Julianne Moore ("As Horas" e "Ensaio Sobre a Cegueira"), "Amor a Toda Prova" é imperdível.

Outra película excelente em cartaz é "Um sonho de Amor" ("I Am Love", no original). Porém, diferente do supracitado, esta aqui não tem nada de leve. Trata-se de um digno cinema italiano, apaixonante e visceral por excelência, onde a atuação esplêndida de Tilda Swinton dá o colorido. Tilda interpreta uma russa casada com um italiano, que descobre o calor de uma paixão na maturidade. A atriz italiana Alba Rohrwacher ("Meu irmão é filho único" e "Que mais posso querer?") compõe o elenco, trazendo o polêmico tema da homossexualidade, sem apelos e sem censuras. Um filme denso, perfeito para uma boa "reflexão pós-sessão".

Interessante também é ter outra percepção do Apartheid, sendo esta construída a partir da história da poetisa sul-africana Ingrid Jonker. "Borboletas Negras" ("Black Butterflies", no original), é uma cinebiografia, que mescla o conflito de Ingrid com seu pai, sua vida amorosa conturbada e uma África do Sul sofrida, segregada, sangrenta e desmantelada. Ingrid é interpretada pela atriz holandesa Carice Van Houten ("Operação Valquíria"), a qual consegue transmitir com clareza os anos mais duros da breve vida da poetisa, que finda com um trágico suicídio.

E já que falei de cinema americano e europeu, chega a hora de falar de cinema sul americano. Talvez, minha admiração pelo ator argentino Ricardo Darín influencie meus repetitivos elogios aos seus filmes. Como não se lembrar de "Nove Rainhas", "Abutres", "O Filho da Noiva", "O Segredo dos Seus Olhos"? Enfim, a filmografia de Darín é de tirar o chapéu. E, em "Um Conto Chinês" ("Un Cuento Chino", no original), ele novamente não decepciona. Desta vez, ele está na pele de um veterano da Guerra das Malvinas que vive recluso em casa a vinte anos, levando sua vidinha pacata e cheia de manias. Vale o ingresso!

E, para fechar, algumas dicas rápidas, para aquela verdadeira “fuga” ao cinema mais próximo. Afinal, os filmes supracitados serão encontrados apenas no Rio de Janeiro – e, em breve, nas locadoras mais próximas. Entretanto, em Niterói, alguns bons filmes também podem ser vistos. Nem tão bons quanto os em cartaz do outro lado da Ponte... Porém, interessantes.

"Winter, O Golfinho" ("Dolphin Tale", no original), apesar do título, guarda uma trama atraente. Não cabe nenhuma comparação aos filmes de mamíferos gigantes, como "Free Willy". "Winter" ganha em todos os quesitos: história, rot

eiro, atuações, etc. Por mais que esteja rotulado como "infantil", agrada todas as idades.

E, para terminar, outra boa dica é "Gigantes de Aço" ("Real Steel", no original). Neste caso, também não cabem comparações apressadas com a franquia "Transformers" – ainda bem! Desta vez, quem sustenta a trama não são os robôs, mas sim a discussão de uma relação pai-e-filho.

Bem, vou ficando por aqui. Espero ter dado boas dicas e faço votos de que todos consigam ir ao cinema pelo menos uma vez neste final de semana. Sugestões é que não vão faltar!

Bom filme!

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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