Liberdade e Internet

 Acabei de ter conhecimento da detenção do presidente da Google no Brasil por ordem da Justiça Eleitoral do Mato Grosso do Sul. Tudo porque no Youtube, que pertence ao Google, alguém postou um vídeo detonando um candidato a vereador. Ora, na minha opinião, a Justiça agiu com muito erro, muito desconhecimento e premida pelo antigo conceito da censura utilizado pelos generais da ditadura nos anos 60/70. Isto porque está claro que o responsável pelo vídeo não é o Youtube, mas quem lá o postou. O Youtube funciona como plataforma que recebe vídeos de todos os cantos do planeta terra e pode identificar de onde partiu o vídeo através do endereço IP ou com ferramentas de última geração que podem até fornecer o endereço físico de onde estava o computador na hora da transferência dos arquivos. Portanto, pode o Google informar à justiça, caso seja obrigado judicialmente a isso, quem enviou o vídeo, o arquivo. Dessa forma, fica fácil depreender, a princípio, que nenhum crime foi praticado pelo Google que age com base nas liberdades e garantias universais, sem governos ou qualquer órgão a lhe ficar correndo atrás.


Todos nós sabemos que a internet é um território livre onde circulam bilhões ou até trilhões de informações diversas. Tem de tudo e até coisas inacreditáveis chegam ao nosso conhecimento. Crimes são descobertos e também são aplicados. Enfim, entendo que a internet é um território universal de ideias, pensamentos e julgamentos. Algo como estrelas no céu e que você tem a liberdade de olhar ou não. Acredito que não se pode colocar limites ou censurar o que está na internet. O controle deve estar em cada um de nós e sobre os nossos filhos menores, e quanto a estes, procurar repassar que há responsabilidade sobre tudo o que fazemos e praticamos. É um bom começo! Dizer que a internet não esconde ninguém também é uma informação produtiva e válida. Menores de idade são hoje vítimas de golpes e assédios, mas também acham que podem fazer e publicar tudo na internet. Redes sociais se transformam em verdadeiros palcos da vida em que amor e ódio convivem lado a lado.  O “eu te amo” se transformou em coisa comum e foi vulgarizado. Da mesma forma o “eu te odeio” está sendo aplicado em forma de vingança e sem qualquer tipo de controle, pois os menores se acham acobertados pela impunidade em razão da idade, mero engano. Se na internet tudo se pode, os responsáveis pelas publicações também podem pagar por informações caluniosas sobre alguém, por exemplo. Inventar histórias difamatórias sobre aquele amiguinho da escola pode trazer complicações para os pais. Por exemplo, colocar no Facebook uma fotomontagem com o seu desafeto beijando Hitler pode ser bastante problemático. Assim, vale lembrar que a liberdade e democracia são interdependentes, mas a responsabilidade deve estar presente em todos os momentos. Enfim, está na internet todo o conceito de território livre e democrático, mas tudo vai depender em qual país você estiver. Vai que você escreve algo sobre Maomé, mas está em Cabul. Você corre o sério risco de ser preso e açoitado por crime religioso. A Internet é livre, mas cada país tem a sua lei, pode e deve aplicá-la com tranquilidade. Diante da liberdade de expressão, o Youtube poderá se defender com a verdade: não a produtora do vídeo e também não foi a responsável por ter colocado na internet. E, caso seja obrigada judicialmente, poderá informar quem foi o responsável pela postagem difamatória.

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