Lições de um “Pé na Bunda”

Qual a sensação de levar um "pé na bunda"? Tristeza? Raiva? Vazio? Auto-piedade? E, o que sentimos quando ouvimos aquelas frases clichês "o problema não é com você, é comigo!" ou ainda "você merece coisa melhor do que eu", e o clássico: "eu gosto de você como amigo! "

É impossível não querer sumir, ou se esconder nesses momentos! A coisa mais difícil, talvez, seja superar essas situações difíceis e seguir em frente. Mas não qualquer "seguir em frente"... Mas  sim, aquele que nos permite continuar acreditando que o amor é possível – e que o único problema é que ainda não encontramos a pessoa certa para amar.

Pois é exatamente disso que trata "Amizade Colorida" ("Friends with Benefits", no original). Ok, o título pode suscitar outras coisas. Principalmente o título em inglês. E o filme realmente é recheado de cenas picantes. O que não é de todo ruim, pois as cenas são de bom gosto, engraçadas e leves. Além disso, Justin Timberlake ("A Rede Social" e "Alpha Dog") e Mila Kunis ("O Livro de Eli" e "Cisne Negro") estão muito bem entrosados – e lindos: Justin, abençoado com um belo abdômen e Mila, por sua vez, com uma silhueta de dar inveja! A película não deixa, conseqüentemente, de ser uma comédia romântica com alvo no público adolescente. Contudo, consegue ser mais do que um filminho qualquer.

O casal de protagonistas está cansado de investir em relacionamentos que não dão certo. Os dois se conhecem quando ela, uma Headhunter de sucesso, consegue convencê-lo a aceitar um emprego. Tornam-se amigos, confidentes e filosofam sobre os prós e os contras de uma relação convencional. Descobrem, pois, que sentem falta de sexo e que eles podem se "ajudar" nesse sentido. Porém, prometem não se envolver emocionalmente. Clichês? Sim, vários. Previsibilidade? Altíssima. Mas os grandes trunfos do filme são as atuações – Richard Jenkins ("Queime Depois de Ler " e "Querido John"), por exemplo, interpreta o pai de Justin e está perfeito acometido pelo Mal de Alzheimer – e bons diálogos travados entre o casal. Justin e Mila têm, como dito anteriormente, um timing perfeito juntos. E, sim: confesso que saí do cinema apaixonada!

Além disso, uma das coisas mais bonitas do filme é a fotografia. Trata-se de uma ótima oportunidade de contemplar uma linda – e, por que não, romântica – Nova Iorque, de pontos de vista pouco usuais. Além disso, a edição é primorosa. Para quem pretender ir ao cinema, dou, desde já, uma dica: prestem atenção para a seqüência inicial da trama. As histórias dos protagonistas se conectam num truque de montagem que torna o filme ainda mais especial.

"Amizade Colorida", por mais raso que seja do ponto de vista filosófico, consegue questionar o porquê, no início, um relacionamento pode ser tão perfeito e, com o tempo – e muitas vezes, nem tanto tempo depois – ele perde a graça, a cor e a força. E, com isso, o filme acaba provando que, o mais importante não é a química, mas sim, a amizade entre o casal. Não que o "tesão" não seja fundamental. Ele é. No entanto, em momentos tensos, é a amizade, o respeito e a sinceridade que salvam um relacionamento do abismo.

Vale também atentar para as duas cenas de "Flash Mobs" do filme. Para quem não sabe, trata-se de uma aglomeração instantânea de pessoas em um local público para realizar uma ação combinada. Esses verdadeiros cardumes humanos, em geral, se formam e se dissolvem rapidamente e são organizados e agendados, em sua maioria, através de e-mails ou redes sociais. Vale a visita ao Youtube para conferir alguns bons "Flash Mobs". Existem vários bacanas. Em "Amizade Colorida", é possível se deliciar com uma performance memorável de "New York, New York" – versão remix na voz de Sinatra! – em plena Times Square. E outra, muito romântica, de "Closing Time" – Semisonic – na Grand Central Station.

E, no final das contas, "Amizade Colorida" vale o ingresso, a pipoca e a vontade de dançar e se apaixonar. Bom filme!

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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