Levanta, e Serve um Café, que o Mundo Acabou

Este título é uma afirmação profética (embora poética) de Eduardo Dussek na sua música “Nostradamus”, composta no final dos anos 70. Esta imagem retrata bem os dias atuais que vivemos. O mundo sofreu e sofre as conseqüências da grande pandemia do Covid 19, e mesmo aqueles que por ignorância ou medo da verdade negam a existência do vírus, vêem as mortes muito próximas e como ratos assustados riem amarelos. O isolamento social é transformador e dolorido, além da assustadora falta de perspectivas reais do que nos espera num futuro próximo.


Tenho visto pessoas cada vez mais introspectivas e automatizadas, lembrando comportamento de zumbis. Perdemos muita gente querida e a tristeza é conseqüência lógica. Estamos saindo das “tocas” como animais assustados e precavidos. É como se existissem predadores nos espreitando nos becos e nas esquinas mais disfarçadas. Ainda estamos reticentes diante do surreal e gigantesco baile de máscaras, andando de lado e olhando para o chão. O que será que será? O que andam sussurrando como ladainhas surdas, das palavras não ditas aos nossos mortos quando não podemos nos despedir. Na realidade, essa é a sensação de terra arrasada de um pós guerra sem rendição, sem acertos e nem declarações. Todos nós perdemos; alguns muito mais e definitivamente, mas, não há ninguém que não tenha tido prejuízos. E ainda nos anima essa vontade de reagir, da insistente esperança de reconstrução daquilo que jamais será como antes. É como se disséssemos: “levanta, e serve um café, que o mundo acabou”. E assim é. Vamos para um mundo novo, pois o que tínhamos acabou. Certamente seremos melhores e agentes de uma nova sociedade dos poetas mortos.

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