Imposto de Renda para os Mortais

Definitivamente o Brasil é um país desigual. E põe desigual nisso... Dentistas, médicos, arquitetos, engenheiros, publicitários, (estes, então...) vivem às voltas com a fiscalização como se fossem bandidos, sonegadores profissionais. Não tem moleza. Já cheguei a perguntar a um auditor a razão de tanta perseguição, se existem pessoas com sinais explícitos e arrogantes de riqueza aparente e sem explicação e que não são incomodadas. Ele riu e disse: “alguém tem que pagar o pato... Temos que mostrar serviço em cima de alguém. Também somos muito cobrados...”

Engraçado... Nós que ralamos desesperadamente e ainda que nos esforcemos, continuamos na mesma. Lutando para manter o dia a dia, ano após ano e nada de enriquecer... Somos sacos de porrada, junto com os assalariados que vivem fazendo conta para conseguir uma devolução para saldar alguma dívida, pois o seu imposto é descontado na fonte, antecipadamente. Depois eles decidem quando devolvem e se julgarem que o mortal merece. Entretanto, tem gente que há bem pouco tempo (digamos vinte anos), andava louco por um “prato feito”, batia nas portas dos amigos pedindo dinheiro emprestado, trabalho e ajuda... Hoje esbanja ostensivamente os milhões, não tem como apresentar uma justificativa plausível para tanto enriquecimento, compra imóveis milionários na Vieira Souto, e outros e outros e outros mais... Inexplicavelmente! A multiplicação milagrosa e isenta de aborrecimentos. É a velha teoria do ladrão de galinha que apanha para aplacar a ira social, enquanto políticos desonestos e outros bandidos assumem mandatos “sob judice”, conseguem prescrição de penas, adiam respostas e tudo “segue como dantes no Reino de Abrantes...”

Hoje até magistrados estão se sentindo ofendidos e invadidos nas suas imaculadas condições, quando uma mulher de bem, a Ministra Eliana Calmon, pede apenas explicações sobre evolução patrimonial... E olha que ela é a corregedora. É ministra! Imaginem se fosse um de nós? Se questionarmos, vamos direto para o pelourinho por tamanho atrevimento e insubordinação às castas privilegiadas, assemelhadas aos Deuses do Olimpo.

Pobre de nós que nascemos com as costas, enquanto o chicote está nas mãos deles. Ou pelo menos, nas mãos dos seus comandados. Pobre de nós, num Brasil obscuro e de muitos feudos, com leis que se aplicam apenas a plebe rude.  Precisamos de uma versão nacional da Queda da Bastilha. Talvez aí, Liberté, Egalité, Fraternité (liberdade, Igualdade e fraternidade). Quem sabe... Enquanto os brioches da Maria Antonieta nacional não chegam...

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