Golpes e Falcatruas: Como Evitá-las?

Falcatruas e golpes sempre existiram desde os primórdios da humanidade. Entretanto, por evolução, quanto mais tempo passa, mais falsários e golpistas aparecem; e ficam cada vez mais sofisticados. A prática dos golpes se renova e existe um gosto mórbido que se reproduz e se adapta de forma diferenciada, ludibriando até quem já foi vítima muitas vezes.

O falsário\ golpista é um tipo de criminoso que se excita pela pratica delinqüente. Além de lesar as pessoas, sentem prazer e diversão nos golpes que aplicam. Comportam-se como se estivessem jogando. Uma espécie de “xadrez do mal”.

São tantas modalidades que poderíamos criar um decálogo, uma espécie de dicionário dos golpes, que iriam variar do mais alto escalão da República, aos vagabundos de rua, da mais rasteira casta. A intenção desta matéria é focar, ainda que resumidamente, nos mais usuais da atualidade, informando como funcionam para que muita gente se previna e se defenda.

Pode parecer um simples acidente de trânsito, quando um carro se choca com uma moto. Pode ser realmente um acidente, mas, mesmo os mais simplórios e aparentemente idôneos, deverão ser tratados com os rigores legais. No caso entre um carro e uma moto não pode ser considerado atropelamento, e sim um abalroamento, que muitos insistem em torcer a verdade, dando-lhe a característica de atropelamento. E esta modalidade de golpe, ainda que já tenha sido usada centena de vezes, continua tomando dinheiro e muito aborrecimento a motoristas de boa fé.

O pseudo acidente é programado. O condutor da moto, ou tem um carona (testemunha), ou vem com outros acompanhando a “operação”, para serem posteriores testemunhas. Os danos são pequenos e o condutor da moto, muito solicitamente diz estar bem e que não necessita assistência médica. Mas, a esta altura a cena já foi fotografada, a placa do carro identificada e muitas vezes até conseguem saber o nome do motorista, que apreensivo não sonega as informações. O “acidentado” vai embora, e dias depois aparece uma queixa crime contra o motorista além de um processo por atropelamento e omissão de socorro, com um pedido de indenização. O correto, para assegurar-se de fraudes como esta, é imediatamente chamar a Polícia Militar e fazer um Boletim de Ocorrência (BRAT). As circunstancias e alegações ficarão registradas no boletim, impedindo a acusação de omissão de socorro e a caracterização como “atropelamento”. Se surgir divergência na hora do acidente, chame a Perícia Técnica.

É comum que mal feitores identifiquem residências que possuem serviços de TV a cabo, e muitas vezes, por cumplicidades diversas, têm acesso aos cadastros das operadoras, obtendo todas as informações necessárias, como nome, CPF, endereço correto e até o tipo de plano. Costumam mandar e-mails (caracterizados, com a cara da operadora) agendando uma vista de um técnico, para “atualização do sistema”, troca de equipamentos, etc. Como tudo parece normal, pouca gente desconfia. Apresentam-se até com uniformes da empresa. Quando entram na residência, anunciam o assalto. Aí, roubam o que podem, cometem violências, e saem como se estivessem trabalhando normalmente. O ideal, é: se receberem um e-mail pedindo o agendamento da visita, ligue para empresa e faça a confirmação desta operação. Se for verdade, peçam que confirmem por e-mail.

A todo o momento, na Internet, recebemos avisos que fomos contemplados com alguma vantagem, um desconto especial, a retirada de um brinde, etc. Em 99% dos casos é golpe. Quando o internauta inexperiente “clica” na mensagem, está abrindo as portas do seu e-mail, dados, e muitas vezes até senhas bancárias e de cartões, utilizadas anteriormente, que ficam no sistema. Muito cuidado como estas “ofertas”, elas só trazem aborrecimentos e prejuízos.

Nos sites de relacionamento, onde pessoas buscam compensações afetivas, existe uma verdadeira infestação de golpistas. O enganador é sempre sedutor, bem falante, muitas vezes culto, e possui um elenco de manobras que se adéquam a cada “vítima carente”. Muito se ouve falar de golpes milionários, onde o sedutor, que muitas vezes nem apareceu fisicamente, consegue enganar, manobrar e tomar dinheiro das vítimas. Alguns se apresentam como militares em missões no estrangeiro, na maioria das vezes oficiais da Marinha. Ganham a confiança da vítima, usam fotos de outros homens, quase sempre de outros países e de boa aparência. Mostram-se muito carentes e solitários, que irão receber posteriormente uma vultosa gratificação pela Missão. Costumam se mostrar indecisos quanto ao uso do dinheiro que irão receber: falam em comprar uma boa casa, fazer uma viagem acompanhado da vítima; que irá aplicar dinheiro em ações, ouro e outros meios de renda... A tônica central, ainda que disfarçada, é a “vultosa quantia” que irão receber. Esta técnica de convencimento, apresentando boa situação financeira, é a base para o golpe. Depois de algum tempo e a farsa cristalizada, o golpista vai ter uma repentina necessidade urgente. Naquele momento não poderá dispor da sua “fortuna”, pois ela estará presa ao sistema militar que só irá liberar o montante após o término da operação. A “namorada,” sempre solicita, acaba emprestando o dinheiro pedido, muitas vezes comprometendo uma poupança, usando um fundo de reserva ou mesmo um saldo de FGTS. Feita a operação, o “galante militar” vai sumir sem vestígios.

Este golpe, que contado assim parece ingênuo demais, no calor do enlevo amoroso, cheio de fantasias e sonhos futuros, parece à vítima, uma garantia e o único caminho a seguir. Afinal, assemelha-se a uma prova de amor ao seu “tão amado”, que é uma pessoa que “não precisa disso”, e rapidamente irá fazer a devolução. É um absoluto equivoco. Vai doer bastante e colocar a autoestima da vítima na sarjeta.

Parece impossível que pessoas que ganharam dinheiro com muito trabalho e durante anos conseguiram juntar boas quantias, caiam com incautos incultos, em golpes financeiros, oferecidos pela internet. O principal problema dessas pessoas é a ganância e a ilusão da multiplicação do capital em “tempo recorde”. Como muita freqüência aparecem na internet tipos que (alguns com maior sofisticação), anunciam suas empresas milagrosas, na área de investimentos financeiros em jornais e até na TV,. Esta modalidade é bem mais profissional e envolve quantias muito mais altas. Na verdade envolve milhões. Oferecem lucros inimagináveis.

Estes golpistas têm todo aparato de convencimento. Nas redes sociais aparecem como milionários. Estão sempre em belas companhias, em iates de luxo, jóias e roupas de marcas internacionais e principalmente caras. Prometem lucros rápidos e em patamares fora da característica do mercado. São verdadeiros milagres financeiros. Alguns “novos investidores” começam com quantias menores e mais seguras, que logo o golpista se apressa em retornar com lucros maravilhosos. Aí, eles ganham confiança e investem tudo, muitas vezes vendem imóveis para aplicar o valor no tal “investimento”. Nesse estágio as coisas se complicam: “o mercado não respondeu como esperado”, houve um “clima internacional adverso”, e outras desculpas. O “investidor sonhador” vai perder tudo. É a história apregoada numa música popular: “laranja madura, na beira da estrada, está bichada ô Zé, ou tem marimbondo no pé!”

Toda vez que aparecer uma vantagem exagerada, desconfie! Ou melhor, não entre nessa! O resultado final é sempre a derrota e o sofrimento.

O golpe do falso seqüestro, feito por telefone, embora seja relativamente antigo, continua fazendo milhares de vítimas por ano no Brasil. Sabe-se que 99,9% dessas práticas partem de dentro dos presídios. Infelizmente, quase a totalidade dos presídios estaduais brasileiros tem expressiva quantidade de aparelhos, usada pelos presos. A técnica consiste em ligar aleatoriamente para um número e dizer que está com um filho (a), sob seqüestro. Fazem um “teatro” imitando a voz de uma criança ou mulher, que na confusão que eles provocam, é muito difícil identificar com exatidão se é ou não a voz do parente. Eles ameaçam matar, mutilar, torturar e até seviciar sexualmente.

Perguntam se querem uma prova, e irão mandar uma orelha, um dedo, um olho. Diante da crueldade, a vítima, se tem filhos ou parentes na rua, muitas vezes tornam-se reféns e acabam pagando o ”resgate”. Muitos fatores contribuem para avalizar o suposto seqüestro. Inclusive dizem que estão de posse do telefone celular do seqüestrado; e se desconfiarem ligando para este número, vão arrancar um dedo da mão como represália. Fazem uma espécie de correria, pois não permitem à vítima pensar. Eles (os bandidos) têm como regra não praticar “seqüestros” no mesmo Estado onde se encontra o presídio. Agem sempre em outros Estados. O depósito em dinheiro que eles mandam a vítima fazer é numa conta fria que será fechada logo após o saque, pra não deixar rastros.

A melhor defesa é também confundi-los. Manter a frieza e conversar o máximo possível para extrair dados e confirmações. Como é um jogo de sorte e azar, eles arriscam dizendo: “estamos aqui com a sua filha!” Se coincide da vítima ter uma filha, eles se favorecem inicialmente. A vítima deve manter a calma. Se sua filha é morena, deve dizer: “não machuquem a minha lourinha”... Os bandidos para reforçarem a ameaça irão dizer que vão cortar os cabelos louros e mandar como prova. Está estabelecida a discrepância. Eles, nada sabem. Por tanto, peça para que esperem pelo depósito. Neste ínterim, ligue para os filhos e confirme que estão em segurança. Se todos estiverem bem, procure a polícia e espere a nova ligação.

Teve um caso de uma vítima, que preferiu jogar na desconfiança. Quando o bandido disse estar com seu filho pequeno e fez um “choro de criança”, ele calmamente respondeu que esse filho seria de outra pessoa. Que não tinha filhos. Não faria qualquer depósito e ainda aconselhou que procurasse os pais de verdade da criança, pois ele nada poderia fazer. Os bandidos “concordaram”.