Expectativa de Punição Como Justiça

Entre as poucas medalhas conquistadas pelo Brasil nas Olimpíadas e o julgamento do Mensalão, confesso, fico com este último.

Pelo menos, acredito que seja o início da vitória do povo brasileiro sobre o mundo criminoso e impune da corrupção. Tudo está nas mãos do Supremo Tribunal Federal. São 38 réus. Entre políticos, politiqueiros, marqueteiros e funcionários dos bancos que “financiavam” o Caixa 2; provavelmente administrado pelo governo federal para financiar a aprovação dos projetos governamentais no Congresso.

Bem, pelo menos, é o que parece. Contudo, uma visão mais atenta sobre o assunto, faz com que reflexões sobre o crime e impunidade construam a infeliz alma que rege nosso sistema político. Tudo aconteceu durante o governo Lula que, diante do enorme apoio popular, revestiu-se do manto do imperador e acabou achando que tudo podia, ou podia tudo, tanto faz. Na cabeça do ex-presidente, possivelmente reinava o solitário ditador populista. Um remendo peronista com quedas esquerdistas, mas que amava os bancos e o capitalismo. Coisa de louco... Isso mesmo. Dessa densa e louca ideia de poder absoluto, surgiram rios de sucesso para os seus amigos e família. “Filhos do presidente que ficaram ricos repentinamente” era assunto tratado com naturalidade. Deputados que multiplicaram seu patrimônio por “10 mil vezes”, também espelhavam o sucesso da carreira política. E o povo assistindo, nada dizia, inebriado pelas “Bolsas Família”, “Bolsa isso” e “Bolsa aquilo”. Na distante Brasília tudo corria solto. O fim desta história - que ainda não acabou - é que se tem a impressão que no Brasil só se consegue enriquecer roubando, sonegando e enganando. É cultural. Mas, você já teve um negócio, uma pequena empresa, para perceber que somente uma grande jogada de sorte fará você enriquecer? Somente pagando propina você consegue ganhar uma licitação, mesmo que você venda o melhor produto ou serviço pelo menor preço? É triste, mas é cultura arraigada... A ideia de ilegalidade está tão residente em nossa mente que até minimizamos delitos, como se fôssemos à esquina jogar Bingo... O ralo foi aberto e o cheiro podre ficou real para todo mundo. Grandes jornais ficaram arrepiados, mas tiveram que dar a notícia de que algo estava podre no Congresso e que era uma montagem do executivo. O Jornal Nacional teve que noticiar o que já havia sido feito antes pelos outros telejornais, o que quase lhe custou perda substancial de credibilidade. Os acusados do Mensalão tentam a todo custo anular e desmerecer as investigações da Polícia Federal, assim como, a denúncia do Procurador. O Lula andou mexendo naquele setor policial, mas as investigações prosseguiram mesmo assim. Afinal, as polícias do Brasil já começam a dar sinais de que a exigência de curso superior nos concursos públicos faz uma peneira, restando jovens avessos à corrupção e mais preocupados com o futuro. As defesas aconteceram no STF. Advogados que ganham milhões, já esvaziaram parte dos cofres dos seus clientes ainda não condenados. O dinheiro para salvar a pele, aparece. Tem gente por lá bastante perigosa. Gente que dá medo e que achou que o seu poder e a força da quadrilha iriam modificar tudo no final. A certeza da impunidade é algo que o STF deveria ter muita atenção, sempre! Acho que deveria convencer o Ministro, que tinha como cliente um dos réus, a se afastar. Bem, “teremos que acreditar” na independência do voto do Ministro Toffoli. Acho que ele se colocou nesta posição delicada porque quis. Ou será que ele enxerga a impunidade com outros olhos? Sei lá... No lugar deste advogado, que é Ministro do Supremo, teria tirado licença para salvaguardar a boa impressão que o STF ainda mantém junto à população. Espero não estar enganado, mas muitos réus irão cair. Espero! E que sirva de efeito educativo para os políticos que sobraram. Falta, agora, uma enorme investigação que recaia sobre os governos estaduais e prefeituras... Xiiiiii... Muita gente vai “rodar” ou fugir.

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