Estupro, Aborto e Vida


Afirmar que o aborto é um tema polêmico, talvez represente a única opinião em comum em todas as sociedades.

O aborto traduz em perda da vida. Mas esse conceito está arraigado aos dogmas religiosos, como todos confirmam.

Mas o que está na notícia hoje é uma menina, uma criança de 10, que foi brutalmente estuprada pelo seu calhorda tio por 4 anos.

O resultado foi que a menina engravidou desse estuprador.

Como sabemos, não há no Brasil uma lei específica que permita o aborto, mas o Código Penal de 1940 possui brechas, exclusivamente nesses casos extremos, que o aborto é a via para resolução do problema.

Não se trata de “matar” um feto, mas salvar a vida da mãe e o futuro de uma menina inocente que a tudo teve que permitir, pois era ameaçada pelo imbecil que prometia matar o seu avô caso ela não permitisse os atos libidinosos.

Estamos, sim, diante de um fato concreto e que a sociedade se posiciona de diversas maneiras e que devemos parar para pensar e imaginar lá no futuro o que estaria para acontecer se a criança mantivesse a gravidez comprovadamente indesejada em todos os aspectos.

Porém, assistimos a ação de grupos de manifestantes que não possuem um senso muito apurado.

Uma suposta líder e que usa um codinome teve a ignorância e a falta de mínimo respeito à menor ao divulgar o seu nome e imagem nas redes sociais. Um ato criminoso que foi tão grave ou pior do que toda a situação e que feriu o ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente.

Organizaram uma manifestação contra o aborto diante do hospital onde estava a criança, num gesto bastante impensado, diga-se, com ameaças à equipe médica e etc.

Manifestantes têm o direito inalienável de se manifestar e externar as suas opiniões. Mas, dessa vez, esse grupo provou que está longe, e muito distante, da realidade. E errou, principalmente em ameaçar quem quer que seja. Isso porque não apresenta outras soluções. Principalmente para esse caso da menina estuprada.

Assim, vamos imaginar se a gravidez fosse mantida?

A criança não está formada fisicamente para o crescimento e desenvolvimento do feto, podendo até acarretar na morte da mãe e do bebê.

Outra hipótese é a má formação do feto, uma probabilidade real exatamente pela ausência de um ambiente uterino ideal para desenvolvimento.

Não irei adentrar aqui nas conseqüências futuras à vida da criança, que poderá jamais entender um bebê no seu colo e que provavelmente nem consiga amamentar.

Por não procurar pensar em tudo isso é que sou crítico por tudo o que essa menina passou nas mãos desses radicais.

A lei é, por muitas e muitas vezes, apenas uma letra fria. Mas, neste caso, basta se colocar no lugar de quem está passando por isso.

Vamos chamar esse aborto de “procedimento de interrupção da gravidez de criança de 10 anos estuprada”. É longo, mas nos faz pensar.

A vida é muito mais que respeitar dogmas de qualquer religião. A vida é para ser algo bom, feliz e em paz.

Duvido que essa menina seguiria nessa ordem de vida se mantivessem a gravidez.

E duvido que o bebê não fosse ter uma vida marcada por todo o passado da mãe.

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