Em Niterói: Muitas Placas e Poucas Obras

A prefeitura de Niterói está apresentando um comportamento ilusionista no que se refere à realização de obras na cidade. A prática consiste em criar fatos, colocando a aparente estrutura de obras, acompanhada das respectivas placas e nada mais acontece. É uma espécie de demarcação da necessidade, apresentação da estrutura para uma possível realização em tempos futuros.

Para alguns, trata-se de esforço de enganação, confundindo a população, numa ciranda teatral. De real existem apenas a necessidade e as placas de obras. Na verdade, algumas poucas obras foram feitas, mas a cidade sofreu com a sua falta de estrutura preventiva e anos de descaso, resultando em inúmeros desastres, de variáveis dimensões, mas todos dignos de lástimas e indignação pública.


Durante a campanha eleitoral Jorge Roberto Silveira prometeu mundos e fundos para Região Oceânica, inclusive que pavimentaria e asfaltaria um mínimo de três ruas por mês. Foram apenas arroubos eleitorais, pois apenas iniciou umas poucas ruas, que ficaram sem conclusão até resultar no mais completo abandono. A Região possui terreno muito adensado pela presença de tabatinga em sua maior parte, e é imensamente carente de obras de drenagem, sendo freqüentes as inundações e prejuízos repetidos dos moradores. A situação chegou a um nível de gravidade que existe um movimento para o recolhimento do IPTU na Justiça. A prefeitura poderá deixar de arrecadar os impostos de cerca de dez mil imóveis da Região Oceânica, caso não cumpra as promessas de urbanização feitas em campanha e no início do governo. Uma comissão formada por moradores quer começar a pagar o tributo em juízo. Para isso, vai recorrer à Justiça. Se a reivindicação for aceita, o dinheiro só voltará aos cofres públicos quando as vias estiverem drenadas e pavimentadas, sob o argumento de que o valor pago em IPTU não tem sido revertido em melhorias para os bairros. A prefeitura declara ter asfaltado 50 ruas, mas os moradores contestam este número, especialmente por algumas não terem sido finalizadas.

No Fonseca, na comunidade Vila Tijuca Fluminense, as obras de contenção da encosta continuam sem atividade. A prefeitura, através da Emusa, alega estar aguardando aprovação junto ao Ministério das Cidades, de um projeto para realizar este tipo de intervenção na comunidade.

A obra de expansão do posto de saúde do Largo da Batalha com o objetivo de atender um maior número de pessoas que era prevista para ser entregue em dezembro de 2010, continua parada e muito longe de ser concluída. No início, a obra era referida como de extrema prioridade e rapidamente, providenciaram uns contêineres, instalaram na casa ao lado, onde era o (Centro de Atendimento Psíquico Social) CAPS, e funciona até hoje por abnegação e heroísmo da equipe médica e administrativa. É o que poderia se chamar de um posto médico de procedimento circense, pois os malabarismos feitos pela turma desta unidade para atender a população são dignos de aplausos idênticos aos arriscados espetáculos de trapézio e “globo da morte”. Só funciona por empenho da equipe.

O local da obra, até recentemente coberto por tapumes, revelou a sua inércia e periculosidade quando se comprovou que estava abandonado e ocupado por um morador de rua. Ele foi encontrado por populares espancado e ferido, e foi conduzido para a Policlínica necessitando de atendimento de emergência. A população irritada com o estado de abandono do local arrancou todos os tapumes revelando a triste realidade. Obra por fazer, buracos e mosquitos.

Quando os acidentes acontecem, como foi o caso da orla da Praia das Flechas, onde uma forte ressaca destruiu o arrimo e avançou destruindo parte da pavimentação da rua, rapidamente a prefeitura teve o cuidado de anunciar um pronto atendimento e obras imediatas. Mas, tratava-se apenas de retórica escorada nas famosas placas de obras que anunciam feitos não realizados.

As obras do mergulhão da Avenida Marques de Paraná, em frente ao Hospital Antonio Pedro, foi cercada, impedindo parcialmente o acesso à farmácia da UFF, puseram umas máquinas, cavaram um buraco raso e pararam por aí. De vez em quando fazem uma movimentação como se realmente estivessem trabalhando, mas passam dias e dias sem qualquer progresso. Já está virando folclore na cidade quando dizem que estão parados, pois estão estudando mudanças no projeto. A idéia é cavar um túnel que vai até o Japão; só estão faltando os recursos que virão do Ministério dos Transportes em parceria com o Ministério do Turismo.

Niterói tem graves problemas com suas encostas e muito ainda precisa ser feito. Lamentavelmente a alegação da prefeitura é sempre a mesma: falta de recursos. Entretanto, obras discutíveis e controvertidas como o contorno que vai do Centro até a Boa Viagem, atravessando o Campus da UFF, apesar da pressão contra e muitas controvérsias estão batalhando para ir em frente. Segundo especialistas, independente dos melindres de ferir o projeto do Caminho Niemeyer, a obra privilegia carros de passeio, quando a preocupação deveria ser contemplar transportes de massa. Mas, esta perspectiva de preocupação com povo não faz parte dos ideais e projetos desta administração. A idéia é contemplar sempre os abastados e desejosos de andarem sozinhos em seus carros de luxo. Eles certamente estariam em sintonia com esta política municipal e deveriam exibir placas em seu carros, com dizeres: não perturbe! Rico querendo privacidade e distancia de “gente diferenciada”.

 A que ponto chegamos...

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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