Eleições: O Fantasma das Obras

Em todos os períodos eleitorais acontece um fato recorrente: aparecem fantasmas de propostas não realizadas. O mais curioso é que voltam como novidades requentadas e os candidatos do pleito respondem sobre estas matérias com convicção realizadora. Quem já não ouviu falar da obra majestosa do Túnel Piratininga - Charitas? Quem não ouviu falar do Elevado sobre a Alameda São Boaventura?  E da Avenida que irá partir da Rua Paulo Cesar em Icaraí, cortando o Bairro de Fátima, até chegar à ponte? Nestes momentos de embate eleitoral, estes projetos de fundamental importância para o Município e indefinidamente adiados ou esquecidos, reaparecem com “todas as tintas” e são alvo de novas discussões. Até quando? Só existem no imaginário dos políticos e por consequência dentro das esperanças do povo crédulo.

O que afinal acontece com estes projetos que nunca se realizam? Seria um super dimensionamento das nossas possibilidades? É claro que projetos arrojados e de grande monta implicam em grandes encargos financeiros, complicadores, como desapropriações e as implicações jurídicas, viabilidades técnicas e suas variantes e acima de tudo: vontade política para realizar algo de aparência faraônica, mas necessário. É preciso que o dirigente político seja pragmático e tenha um grau de audácia e prospecção dignas de um realizador sem fronteiras. Quando criticaram a iniciativa da construção do MAC, por Jorge Roberto Silveira que o fez, não tinham a capacidade de dimensionar abstratamente o futuro e as implicações positivas de uma obra como aquela. Aí está, imponente, referência da cidade, do Estado e do Brasil , tantas vezes. Quando disseram que o Jorge Roberto era louco, fizeram um elogio, pois é preciso uma dose de loucura proativa para ser um realizador. E isso, ninguém poderá tirar do Jorge Roberto. O sonho é feito concreto e se solidifica na memória e na história para sempre. Indelével.

Se todo político tivesse a visão de que cada obra  de porte eterniza sua carreira, faria uma por dia. Hoje o cotidiano e banalizado túnel de São Francisco, foi na sua época uma referência e ainda é um dos principais elementos de ligação da Zona Sul com a Região Oceânica e adjacências. Alguém sempre se lembrará de Ronaldo Fabrício e de Moreira Franco com suas intervenções viárias na Região Oceânica. A Avenida Central está lá e é de grande utilidade. É o retrato de Moreira Franco. Não esqueceremos jamais. Mas, precisamos que estes “fantasmas prometidos” se expliquem e se solidifiquem num ectoplasma de vontade política e não apenas de exercício de retórica.  É preciso que os contratos firmados sejam fiscalizados e veementemente cobrados dos seus responsáveis.

Neste momento existe uma contenda entre a NitPark e a Prefeitura de Niterói. No contrato de concessão para exploração das vagas de estacionamento urbano, constava a contrapartida da construção de três estacionamentos subterrâneos. Dos três, apenas um foi realizado no Centro. Agora, fim de gestão, a NitPark alega que teve prejuízos com o remanejamento das vagas para viabilização do trânsito e por esta razão não construiu os demais estacionamentos. Curioso é que somente de uns dois meses para cá que foram feitas as mudanças no trânsito, e tiveram todo este tempo para construir e cumprirem o contrato. A população, que vive pagando o ônus do estacionamento - sem responsabilidade da empresa por danos, sem fiscalização contra pivetes, flanelinhas,- é quem deve cobrar. Ações Populares no Ministério Público são muito bem vindas e necessárias. A população deve se posicionar e impedir esta bagunça consentida. São fantasmas consentidos e disfarçados. Responsabilidade e compromissos devem ser cumpridos. Estamos num momento eleitoral e propício para cobranças e resgate dos fantasmas necessários: Linha 3 do Metrô, transporte rápido marítimo, Niterói - Rio e Niterói - São Gonçalo, etc.

O governador Sergio Cabral anunciou o BRT – sistema de ônibus  acoplados em  pista exclusiva, que será uma importante ligação entre os municípios de Niterói e São Gonçalo, com licitação até dezembro. Ou seja: depois que passarem as eleições. Entretanto, é preciso ter a perspectiva que uma obra como esta não é para já e possui mil e um recursos de adiamento e desculpas para ser procrastinado indefinidamente. Por enquanto deve ser considerado “fantasma do futuro”, ou pelo menos até o próximo pleito em 2014.  Que tenhamos sorte!

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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