Educação em Quarentena

Quando a pandemia da covid-19 atingiu de fato o Brasil, foi necessária a aplicação de uma série de medidas para combater a propagação da doença. Desde a compra de testes rápidos, passando pelo fechamento de serviços não essenciais, o isolamento social, o uso de máscaras, até a proibição de aglomeração de pessoas. De fato, muitas empresas pararam, literalmente, de oferecer os serviços e outras buscaram soluções para se manterem economicamente saudável na crise que se instalou.


Um dos serviços, mais necessários, e que teve obrigatoriamente que parar, é a educação, pois era a medida mais acertada no momento. Algumas instituições de ensino público, como a UFF, suspenderam o semestre por tempo indeterminado. Já existe expectativa que não haja a segunda chamada do SISU, pelo fato de que não houve nem a primeira de 2020, mesmo com o inominável ministro da educação afirmando que irá realizar o ENEM este ano conforme o planejado.

Entretanto, o foco da coluna desta edição trata-se da aplicação da EAD (Educação à distância) como forma de “suprir” as aulas presenciais e manter o ano letivo em andamento. Aí me vem algumas questões: O sistema realmente funciona? Os alunos são obrigados a ter notebooks e internet veloz para assistir as aulas? Quem não possui smartphone e internet veloz será reprovado? O conteúdo está sendo absorvido pelos alunos? Como serão aplicadas as avaliações? Os professores estão capacitados para dar aula através de lives?

Não é preciso ser especialista para entender que a resposta para essas perguntas é NÃO. Talvez a EAD funcione para adultos conscientes da necessidade da absorção daquele conteúdo e como aquilo irá impactar a sua vida; já para a maioria dos estudantes (crianças e adolescentes) a EAD não funciona, pelo simples fato que “eles não se importam com o conteúdo”; ligam as lives e fazem de tudo, menos prestar atenção no que é apresentado e sequer fazem alguma anotação.

Outro ponto que tem gerado revolta trata-se da questão econômica. As instituições de ensino mantem os mesmos preços nas mensalidades como se de fato a EAD substituísse a aula presencial. Na Estácio de Sá, um grupo de alunos entrou com um requerimento exigindo diminuição e já planejam trancar suas matriculas.

O momento é crítico e pouco se sabe do futuro, ainda mais com um governo que bate cabeça sobre praticamente tudo e segue patinando sem destino em meio a “manifestações” pedindo AI5, ferindo decretos criados para impedir aglomeração e consequentemente a contaminação nacional.

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