Dura Vida de Advogado

Vida de advogado está cada dia mais difícil. Não é pela falta de clientes, não. Mas pela falta de estrutura que os tribunais deste país oferecem. Todo advogado acaba “toreando” com os tribunais para poder garantir o exercício regular do direito do seu cliente. Quando falo em “torear”, estou quase afirmando de forma literal, pois tem vezes que quase precisamos chegar às vias de fato para que funcionários de alguns cartórios sejam mais eficientes. Claro que existem os bons e existem até os ótimos funcionários em todos os cartórios. A grande maioria lhe dá a devida atenção e procura resolver aos seus pedidos. Mas o jogo de empurra continua valendo quando o processo cai na famosa vara “canil”, pois encontra uma verdadeira sinfonia de “ao autor” ou “ao réu”, “ao avaliador”, ao, ao, ao... e por que não? Au! Au! Au! O processo parece latir pela quantidade de “aos” existentes. Pode parecer engraçado, mas, juro, não é. Ficamos soterrados de trabalho e o processo fica andando de lado, igual a caranguejo no mangue. Quando buscamos o processo em cartório e ficamos com ele por mais de 20 dias, aí vem a “lei e a ordem” intimando você a devolver, sob pena de busca e apreensão, como se o culpado pelo atraso infindável do processo fosse do advogado. Esquecem que, possivelmente, logo que o processo é devolvido em cartório, ele fica dormitando, sonhando e tendo pesadelos numa prateleira qualquer, que se dá o nome de processamento nº 47, por exemplo. Lá ele fica e ninguém tira. Parece que somente o acaso faz o processo andar. 📷Qualquer pessoa sabe que faltam juízes e faltam funcionários em todos os tribunais deste país. Mas também falta muita administração. Não entendo porque não terceirizam a administração dos cartórios. Exemplo de absurdo foi a criação quase que súbita do tal Cartorão, que os clientes somente entendem quando faço o convite para que eles visitem comigo a tal “câmara de torturas do advogado niteroiense”. Muitos colegas não entendem por que aquilo foi criado aqui em nossa rica cidade. Mas dizem que foram questões políticas, festival de vaidades... Que chegam a brigar para dar nome aos fóruns. Mas nenhum desembargador deseja que seu nome esteja vinculado ao famigerado “cartorão”. Necessário entender que ninguém manda no Tribunal de Justiça, muito menos nós, advogados. Mas, por outro lado, ninguém manda na OAB/RJ, muito menos o Tribunal de Justiça. Portanto, o convívio deve ser amistoso e o respeito precisa ser mútuo. Um bom presente de Natal aos advogados seria o anúncio da data em que o Cartorão Torturador será finalmente expulso da vida dos advogados e partes. Extinto. Além disso, sou um dos entusiastas do fim da prova oral em concursos públicos, principalmente para a Magistratura, Ministério Público e Defensoria Pública. Dizem que tem muita coisa errada, pois as famosas “correntes” com os diversos entendimentos jurídicos sobre um tema podem ser criadas por qualquer um que escreva um livro e possa eventualmente estar na banca de exame. Tristeza.

Rua Cônsul Francisco Cruz, 3 - Centro - Niterói/RJ

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