Duas Mulheres e um Signo


Elas são geminianas, raciocínios ariscos como um vento que se disfarça. A Sonia é prática, se improvisa e se reinventa para se autenticar diariamente. Amanhece e nunca é igual.    A Tereza surpreende a forma e do seu corpo singelo brota uma gigantesca paixão pela existência inexplicável, e uma voz que vem de dentro explode em canções de uma imensidão desigual ao tamanho dos seus órgãos. Fazem-se muitas, desiguais e assimétricas numa harmonia desafiadora. E Tereza canta, canta e embriaga como sereia do asfalto.


Sonia é habilidosa com as mãos e usa ferramentas que muitos homens desconhecem. Ela se reproduz e orienta seus próprios clones. Tereza é o silencio e a contrição romântica, o olhar de complacência e doçura como uma criança que pede colo. Sonia é grande, alta e altiva, mas sem si reside uma criança parecida com a de Tereza e não menos ávida por afagos e afeto.

Elas são como Fernando Pessoa: muitas numa só. Elas, mulheres maravilhosas, que me dá prazer em descrevê-las. Para elas, nos seus aniversários, idênticos, o meu afeto e carinho.