Diversão para os Baixinhos, Lição para os Altinhos

Infelizmente já deixei de ser criança há muito tempo. Sim, como dizem por ai, existe uma dentro de cada um de nós. Mas não é a mesma coisa. Por mais que eu tente, não tenho o mesmo olhar ingênuo e puro dos meus três anos. Por mais que nos esforcemos, aquela impagável doçura infantil já se foi. É o preço da maturidade, da maioridade, da passagem pela puberdade... Ou seja, é a idade que chega! E com ela, chegam os problemas, as farsas, as dores, as mágoas, as quedas, os tombos e tantas outras coisas que nos fazem amadurecer. Que pena! O irônico disso é que, aos meus três anos, eu queria ter a idade que tenho hoje. Talvez não exatamente ser quem sou hoje. Mas queria ser grande, poderosa, rica! Enfim, sonhos de uma ingênua criança.

Bem, estou fazendo essa pequena catarse por dois motivos. Primeiro, pois, as férias escolares estão chegando. E isso significa que uma grande safra de filmes infantis será lançada. E a segunda razão, é que dois longas infantis que estão invadindo o cinema remetem à infância. Um deles, já em exibição, é "Happy Feet 2". O outro, com estréia prevista para o dia 09 de dezembro, é "O Gato de Botas" ("Puss in Boots", no original).

Seqüência do vencedor do Oscar de Melhor Filme de Animação, em 2007, "Happy Feet 2" chega novamente recheado das paisagens magníficas da Antártica e nos faz rever o talentoso pingüim sapateador: Mano (dublado originalmente por Elijah Wood e, no Brasil, por Daniel Oliveira). Mas o grande trunfo do filme passa longe do "elenco principal". Como no anterior, é o clã de "pingüins latinos" que chama atenção, com personagens engraçados como Ramón e Amoroso (Robin Williams faz os dois papéis, porém, no Brasil, Guilherme Briggs e Sidney Magal dividem tal responsabilidade).

Em, "O Gato de Botas", Antonio Banderas dá vida ao serelepe, conquistador e lindo bichano que apronta todas na tela. O filme é divertido e, mesmo não sendo uma seqüência de "Shrek", acaba misturando alguns contos de fada – quem ficar atento, perceberá.

O interessante mesmo, nos dois longas, é a presença e a importância dada à infância, para o desenvolvimento do caráter do ser humano. Em "Happy Feet 2", nota-se o peso da influência dos pais no amadurecimento dos filhos, tanto com suas palavras como com seus próprios exemplos. Da mesma forma, em "O Gato de Botas", é bonito sentir o valor dado à família – não importando se esta é ou não uma “família perfeita e convencional".

Além disso, fica claro, em ambas as produções, que a infância é determinante em vários aspectos da nossa vida. Crianças não são apenas seres que mais tarde serão "formados". Ledo engano. É, desde cedo, que descobrimos em quem confiar, percebemos várias de nossas características pessoais, encaramos nossas limitações e desenvolvemos nossos talentos. Cabe ressaltar também que os filmes deixam claro a relevância da presença e da participação – positiva, diga-se de passagem – dos adultos na vida dos baixinhos. Não basta ser mera figuração na vida do filho. É preciso exercer papel de destaque – quando possível, ser protagonista.

Sendo assim, ao invés de simplesmente levar as crianças ao cinema – e comprar pipocas –, convoco os "senhores pais" a assistirem aos filmes. Melhores do que vários dos dramas em cartaz, os filmes infantis, muitas vezes, trazem mensagens de bondade, solidariedade e amor. E seria realmente muito bom que esses sentimentos estivessem também nos corações dos mais velhos... Bom filme!

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